Você já deve ter acordado assim com um “puxão de mudança”: um desejo de virar a vida de pernas para o ar, fazer uma revolução, pegar uma estrada para não sei onde ou embarcar no primeiro avião para qualquer lugar....
Foi assim que eu acordei hoje, com Urano fazendo cócegas na minha alma. Urano, o sétimo planeta do Sistema Solar e um dos quatro gigantes, junto com Júpiter, Saturno e Netuno, é o planeta da transformação, segundo dizem os astrólogos. Foi dos últimos planetas a serem descobertos, em 1781, uma época marcada por grandes movimentos libertários, como a revolução que levou à independência das colônias britânicas no Novo Mundo e à criação dos Estados Unidos da América ( de 1763 a 1783) e a Revolução Francesa (de 1789 a 1799), que derrubou uma das mais importantes monarquias da Europa, cortou a cabeça da velha ordem aristocrática e fez o parto violento dos primeiros cidadãos da era moderna.
Impregnado pelo espírito da época, revolucionário e idealista, Urano acabou sendo associado aos movimentos coletivos de busca da verdade e que desafiam o status quo, como explica Howard Sasportas no seu livro As Doze Casas. “Urano pede que a gente transcenda os limites do nosso passado, do nosso ambiente, de nossa biologia, e, se possível, do nosso destino: só porque nascemos numa família pobre, isso não quer dizer que tenhamos que ser caipiras”, avalia o astrólogo. No plano coletivo, “sua visão é a de um grupo de indivíduos juntos, cada um expressando sua própria unidade e ainda assim sustentando um todo maior do qual cada um faz parte”.
Mas como o céu não tem certo e errado, as revoluções uranianas nem sempre são “boazinhas”, não é? Aliás, no bojo de cada uma, existe um núcleo frio e escuro, onde os ideais passam por cima do humano. É lá que moram todos os abusos cometidos pelos sonhos dos homens poderosos. É lá nos porões sinistros que nosso dr. Jekyll tão certinho, vira o tenebroso mr. Hyde...
Urano é um legado da alma dos gregos para nós. Representa o Céu. E é dos primeiros deuses, os mais antigos, que contam da criação do mundo... Ele cobre e fecunda Geia ou Gaia, a Terra, de quem é esposo, irmão, em certas versões, filho...Tantos seres divinos nascem da união entre Urano e Gaia: o Oceano; Cronos, o Tempo; os Ciclopes, de um olho só, os Titãs, selvagens...forças primordiais, estes filhos de Urano eram tão assombrosos quanto terríveis e metem medo até no seu poderoso pai, que decide bani-los de volta para o útero de sua mãe.
Gaia, a primeira mãe, decide acabar com esta superabundância de filhos que o Céu fazia chover no seu imenso útero e pede ajuda aos rebentos. Todos se recusam, menos o mais novo, Cronos, o Tempo ou Saturno, como também é conhecido. Foi Gaia quem forjou o aço da foice com a qual Cronos cortou o membro de Urano. Do sangue do Céu nasceram as Fúrias, e dos respingos de sêmen que caíram no Mar, nasceu Afrodite, a deusa do Amor.
Para os gregos, é o Tempo que põe um limite ao poder criador de Urano, separa a Terra do Céu e apita o início da era dos humanos – mas esta é uma outra e ainda mais longa história! Lá do Mar, a belíssima Afrodite, sinaliza que os novos nascimentos não serão mais fruto do abraço primordial do Céu e da Terra, mas frutos do Amor.. .
É, Urano é isso, energia criadora, nem sempre bem resolvida, infelizmente... quando aparece, chacoalha a nossa vida, esculhamba as rotinas, rompe com os velhos acordos e com os jeitos tradicionais e pode fazer nossa vida amanhecer em infinitas possibilidades...
E mesmo que meu feroz impulso uraniano de hoje tenha se resumido a uma faxina primordial no jardim e a uma caixa de doações extraída do útero da garagem lá de casa, com Urano, nunca se sabe...na próxima vez...
Aqui você lê a história de dr. Jekyll e mr. Hyde
http://en.wikipedia.org/wiki/Dr._Jekyll_and_Mr._Hyde
E este é o endereço de uma das melhores enciclopédias de mitologia grega da web:
http://www.pantheon.org/
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