Olá Sonia!
Desde a infância sofri muito com minha mãe. Sempre que brigávamos, ela dizia que me odiava, que eu não fazia nada direito... Sempre achava um jeito de me diminuir. Hoje, tenho 19 anos e o relacionamento com ela até que melhorou. Mesmo assim, não consigo contar nenhum segredo meu para ela. Tenho depressão diagnosticada por médico e ela não sabe. Se falo que não estou passando bem, ela me responde: "eu também não". Quando chego em casa do serviço ela não me pergunta como foi meu dia, mas diz: "senta aí, tenho que te contar como foi meu dia". Além de tudo, meu pai é alcoólatra. Sempre que ele a agride verbalmente eu intercedo a favor dela, mas quando ela vai contar para os outros o que aconteceu nunca menciona isso. Se meu irmão, no entanto, faz algo a favor dela, ela diz para todos: "se o Ronaldo não estivesse lá eu nao sei o que teria acontecido". Esse meu irmão é o queridinho dela, tem 22 anos e ela leva café para ele na cama. Ela me cobra muito, quer tomar conta do meu dinheiro e me proibir de ir a lugares. Ah! Eu já ia me esquecendo, ela morre de ciúmes das minhas amigas, diz que eu só tenho tempo para elas e as trata mal. Eu, assim como a maioria das pessoas, amo muito minha mãe, mas não sei o que fazer para melhorar nossa relação. Será que ela não gosta de mim? Será que eu sou uma filha tão ruim assim? Por favor, me ajude!!!
M.
Relações difíceis
Não existem relações perfeitas, porque re-lações são mesmo grandes laços entre pessoas e as pessoas estão muito longe da perfeição. O relacionamento de mães e filhas então, está bem mais para ter nós do que bonitos laços. O laço envolve, o nó prende. E podemos viver os afetos envolvidos ou presos.
Mesmo quando as relações são “saudáveis”, elas contém sentimentos muito ambivalentes: admiração e rivalidade, amor e ódio, atração e repulsa. Principalmente essa, entre mãe e filha.
Parece um pouco duro falar dessa forma sobre algo que é tão idealizado, tão sublime nas histórias, na poesia, como o afeto entre mãe e filha.
Pensando neste afeto, sabemos que é a única coisa eterna, no sentido de uma vida que se perpetua na outra. Mas a realidade dessa convivência muitas vezes é difícil, com muito sentimento de culpa rondando as duas pessoas: a mãe quando se sente abandonada, quando não é ouvida nos seus conselhos e opiniões, e a filha, quando se sente subestimada, desvalorizada ou principalmente, como parece ser o caso aqui, tolhida no seu desenvolvimento como mulher.
De mãe para filha
Algumas mães simplesmente não sabem como manifestar seu amor para a filha. Acham que se criarem uma mulher muito mimada ela não agüentará as durezas da vida ou as querem educar como foram educadas.
A mãe sempre acha que a filha deve ser parecida com ela e transmite na educação da filha os valores que acha importante. Nem deve passar pela cabeça dela que ela está te magoando, ela te considera como uma igual, você compreende isso?
Alcoolismo na família
Ter alguém na família com problemas de alcoolismo é uma situação bastante complicada para qualquer um lidar! Ela pode estar criando você para ser, acima de tudo, forte e correta como ela imagina que uma mulher deve ser. Só não está conseguindo passar isso para você da maneira certa.
Cresça e apareça
Gostei da maneira como você coloca a pergunta final: a gente tende a perguntar o que o outro pode fazer pra melhorar a relação e você pergunta o que pode ser feito por você. Minha sugestão é que você não dependa tanto da aprovação dela, não se compare tanto a seu irmão, seja mais livre para falar com ela que existem outras formas mais positivas de conviver e de expressar amor. Não perca tanto tempo escrevendo a lista dos erros dela e tente mostrar que ela fez um bom trabalho ao criar uma filha que quer dar o melhor de si para a família e para as pessoas. Cresça e apareça!