1 - Estou namorando um rapaz que já foi o amor da minha vida. Ele me fez sofrer muito e é até hoje mexe comigo. Depois de todos estes anos, ele amadureceu e tem medo de sofrer por amor. Estava pensando: se eu ficar muito romântica, tenho medo que ele me abandone de novo! Você acha que devo esconder meu sentimento?
2 - Sou a Ana e gostaria de saber o que fazer. Eu gosto de um rapaz há muito tempo, ele me propôs sairmos sem compromisso, mas eu não concordo com isso. O que fazer?
3 - Estou interessada pelo meu professor de dança. Ele é casado e tem 30 anos. Eu tento odiá-lo, mas parece que é impossível. Apesar de ser casado, é um galinha de mão cheia, eu estou cada vez mais envolvida. Sou virgem, tenho 23 anos e gostaria de saber o que faço. As pessoas com quem já fiquei nunca deram certo, tenho medo, tenho muito medo de me envolver e acabar me ferindo novamente.
O medo
“Eu nem sei que hora dizer, me dá um medo, que medo... É que eu preciso dizer que eu te amo, te ganhar ou perder sem engano...”
O compositor Cazuza fala tão intensamente de alguns sentimentos, que só começando com ele para, pela primeira vez nessa coluna, abordar este tema tão vasto e tão bonito como o medo.
No caso das minhas leitoras: medo de se envolver demais, medo de sair ferida desse envolvimento e o maior de todos: o medo de perder. Temos medo de perder muitas coisas: o amor do outro, a aprovação do outro, o outro na nossa vida. Há pessoas até que passam a vida tentando fazer o que as outras pessoas mandam por medo de ficar só!
Uma das faces do medo é o pessimismo, que geralmente aparece depois de uma grande desilusão amorosa. Mas é sempre bom pensar que um amor não é igual ao outro, a pessoa amada não é sempre a mesma, então, porque não dar uma chance ao destino e à vida? Porque pensar que o que vem de novo na vida será ruim? Mantenha a espontaneidade das suas palavras e do seu jeito de ser.
Outra face do medo é a insegurança, que pode aparecer depois de alguma ação nossa ter gerado, por exemplo, o término do romance. A tendência então é não fazer mais nada, esconder sentimentos e atitudes. Minha sugestão nestes casos é que se faça uma análise detalhada do que aconteceu, separando bem os fatos, porque ao sofrer, misturamos tudo no mesmo saco. Rever os acontecimentos, distribuir melhor os erros, e aprender com eles: eis um bom antídoto. E nunca deixar de confiar nos seus valores, se houver chance de uma relação boa para os dois, nada se perde.
A pior face do medo, a meu ver, é a falta de liberdade que ele causa. Cuidado com as generalizações do tipo: “meus relacionamentos nunca deram certo...”. Começar a comparar emoções e sensações ANTES de entrar na relação é importante para alguém que está iniciando nesse caminho dos relacionamentos! Porque depois, culpamos os homens (que sofrem igualmente), a vida (que é generosa, não carrasca) a nós mesmos, numa cobrança que não leva a nada.
Se vocês pudessem olhar num espelho que mostra a imagem das várias faces do medo, quais seriam as que vocês enfrentariam melhor? Olhem para todas elas, entendam o porquê de estarem ali. Só não paralisem sua maneira de amar por causa delas.