"Não gosto do meu corpo e morro de vergonha de mostrá-lo, mesmo para meu marido. Por favor, me ajude!"
Meu conselho para você, em apenas uma palavra: mostre-se!
Com isso não estou simplificando. Mas quero dizer a você que quanto mais se esconder mais vai aumentar o seu sentimento de insatisfação.
De onde vem este sentimento de insatisfação?
- é da forma como você idealiza que deveria ser o seu corpo?
- é do que você imagina que o seu parceiro deseja que seja o seu corpo?
- ou é do padrão de corpo perfeito imposto pela sociedade?
Veja que em todas essas questões pode se encontrar a palavra imposição e falta a palavra aceitação. E a imposição de um padrão que não corresponde a realidade, na maioria das vezes nos paralisa e aprofunda os sentimentos de insatisfação.
Aceitar suas condições e reconhecer a realidade são o primeiro passo para lidar com a insatisfação. Nada a ver com resignação, ao contrário, munida da energia que a aceitação vai lhe proporcionar, você começará a buscar saídas para ficar mais satisfeita consigo mesma.
O importante é não deixar que sua auto-estima fique comprometida por conta de gordurinhas localizadas que sobram ou pelo peito, bunda ou altura que faltam...
A mesma coisa acontece quando a insatisfação parte de um julgamento crítico do seu parceiro/a. Há que ter cuidado para saber até que ponto é algo real, ou também, no caso dele/a, não seja uma exigência perfeccionista por um padrão estabelecido socialmente. Alguns homens têm um padrão de exigência muito alto e consideram suas parceiras uma espécie de vitrine social, sempre impecáveis representantes dos padrões estabelecidos.
Nestas horas, a receita é muito diálogo, franqueza e sinceridade, para enfrentar essa diferença entre expectativa e situação real.
Se sua questão se refere a atender os padrões socialmente impostos, sugiro que você dê uma olhada ao seu redor para ver o quanto esses padrões se encontram distantes para a maioria das pessoas. Observe à sua volta: a maioria das pessoas não são magras, peitudas, jovens, ricas e famosas. As pessoas são diferentes dessa classificação idealizada. As pessoas são reais.
E a sensualidade não tem nada a ver com a forma física, mas tem tudo a ver com a forma de expressão. A sensualidade é uma beleza que vem de dentro e que se expressa na disposição para encantar ao outro. Procure essa disposição dentro de você. Interaja com o seu parceiro/a e você poderá descobrir a força necessária para mudanças. E nessas mudanças encontrará formas que a levem a uma maior satisfação com seu corpo.
A vergonha nasce do sentimento de inadequação, da sensação de que não vamos ser aprovados pelo outro. Mas o outro terá muito maior possibilidade de aceitar o que vier de verdadeiro em nós, e não algo que camuflamos ou escondemos, algo que mostramos artificialmente.
Há alguns anos percebi que não era fotogênica e que em cada foto trazia um riso forçado ou uma expressão artificial no rosto ou no corpo. Por essa ocasião obtive uma foto que ficou ótima, com uma expressão suave e verdadeira no rosto. Então me dei conta que sempre fazia caras e bocas ao posar para uma fotografia. E isso nada a tinha a ver com a natureza do momento em que estava vivendo. Descobri que naquela foto eu tinha ficado bem porque expressei francamente os meus sentimentos para o fotógrafo. Desde esse dia, tornei-me uma pessoa fotogênica.
Acho que este fato pode nos ajudar a refletir sobre a exposição do corpo ao parceiro. Se expressarmos o que temos de mais autêntico em nós, estaremos usando o melhor recurso para seduzir e encantar o nosso parceiro/a. Não deixe que a vergonha de exposição acrescente à sua relação um problema a mais, ou seja, o afastamento e a paralisia na vida sexual. Se mostre, se exponha, seja você mesma. É a melhor forma de ganhar movimento na vida e satisfação consigo mesma.