Não é preciso ser muito esperto para concluir que o convívio de qualquer grupo humano fica impossível se baseado em mentiras.
Mas o que poucos sabem é que além de questões éticas, morais e religiosas, mentir também tem implicações bioenergéticas: gasta uma energia tremenda!
Eu, por exemplo, que sou uma pessoa muito franca e transparente, quando preciso usar a mentira (e olha que eu não sou hipócrita o suficiente para negar que minto, às vezes), preciso ficar ensaiando muito tempo e chegar quase até a me convencer, para poder parecer mais “real” perante o outro. Está certo, os ‘cara de pau’ mentem tranqüilamente, mas quem quer que tente seguir princípios mais éticos, fica constrangido ao mentir, sai da situação com uma sensação muito ruim. Isso é energeticamente desgastante.
Esqueleto no armário Contada a mentira, começa agora uma nova etapa: a sustentação. Ô fulana, se a cicrana ligar, você confirme, por favor, que eu estava de cama e por isso não fui ao aniversário dela, viu?!!! A lista é grande, dependendo do número de pessoas envolvidas.
Sem falar que, diante da presença do outro temos de nos policiar para evitar contradições, que, por sinal, sempre acontecem, para nosso desespero! Perceba, então, que sustentar uma mentira, pode ser muito desgastante e vexatório, caso sejamos desmascarados. Portanto, vale mais à pena encarar a verdade, mesmo que magoe o outro. Assim temos, pelo menos, a atenuante da honestidade.
Mentir enche atravanca nossos caminhos O outro aspecto bioenergético da mentira é que ela gera contradição, energias discordantes e que podem obstruir o ritmo natural de nossas vidas. Explicando melhor: você não foi ao aniversário da sua melhor amiga ou preferiu faltar naquela festa de família super chata porque não estava com vontade. Resolveu, então, ir para a balada com outros amigos. Mas disse à aniversariante que estava de cama com gripe. Pronto, sem perceber, já existem em seu campo energético duas realidades: uma você acamada e doente e ‘outra você’ super bem disposta dançando e se divertindo a noite toda.
Quando mentimos, criamos no plano astral a realidade da mentira, que não existe no plano concreto, mas se materializou (sutilmente) através de nossas palavras, da história que inventamos e da imagem que fica na mente de quem é ludibriado. Essa “realidade” sutil da mentira se choca com a “realidade” do que realmente aconteceu.
O hábito de mentir faz a gente criar realidades conflitantes e mandar mensagens dúbias para o universo. O resultado é uma vida confusa, atravancada, cheia de situações mal-resolvidas, de desencontros.
Isso desequilibra nossos chakras e desarmoniza nosso campo mental e emocional.
Piores mentiras: as que contamos para nós mesmos Somos educados para dizer a verdade para o outro. Somos condenados e até punidos quando mentimos para o outro. Mas nossa sociedade não é tão severa e punitiva quando mentimos para nós mesmos, quando relutamos e fugimos da nossa verdade pessoal. Muito pelo contrário, somos cada vez mais estimulados em todos os momentos a comprar e a consumir pacotes de felicidade instantânea e duvidosa.
Veja, a seguir uma lista com algumas das mentiras que aprendemos a contar para nós mesmos desde pequenos. E, o que é pior, impunemente:
1. Não sou boa o bastante 2. A Vida é perigosa 3. Se você não for uma boa menina, os outros não vão te amar 4. Não podemos confiar nas pessoas 5. Dinheiro não traz felicidade 6. Não podemos magoar os outros 7. Sua mãe e seu pai sabem o que é melhor para você 8. Não vale à pena trocar o certo pelo duvidoso 9. “Até que a morte os separe” 10. Tudo para mim é difícil 11. É muita areia para o meu caminhãozinho 12. Somente as magras são bonitas 13. Não é seguro expressar nossos sentimentos 14. A vida é assim mesmo e temos de nos conformar 15. Foi Deus quem quis 16. É tarde demais para..... 17. Já estou velha demais 18. Não mereço tanto 19. Nesta idade não arrumarei mais emprego 20. A segurança está em um bom emprego, acumular bens e ter um casamento sólido 21. Ruim com ele, pior sem ele 22. Homem só pensa naquilo 23. A carne é fraca (a dos homens!) 24. Mulher não é amiga de mulher 25. Papai do Céu vai ficar chateado 26. Ele não vai gostar de mim por causa da minha celulite 27. Seriedade e responsabilidade não combinam com alegria e descontração 28. Mulher que admite gostar de sexo não é “séria” 29. Flexibilidade e sensibilidade são fraquezas 30. Eu nasci assim e não é agora que vou mudar! 31. É melhor não se entregar para não sofrer mais tarde 32. Estão sempre querendo puxar o nosso tapete
E de verdade em verdade, ou melhor, de mentira em mentira, vamos nos afastando da essência da vida. Na medida em que nos guiamos não pela experimentação e pela nossa sensibilidade e sim por regras fixas e questionáveis, impostas pela experiência alheia, vamos criando uma camisa de força, nos imobilizando, impedindo assim o livre fluir da vida. E o resultado dificilmente será a felicidade. Melhor seria consultar, sempre, as vozes do nosso coração e aprender que o que é bom para um não será necessariamente bom para todos e o que deu certo numa determinada situação pode não se mostrar tão eficiente em outro momento. Precisamos, então, a cada instante refletir, sentir e intuir para fazer sempre o nosso melhor e descartar de vez respostas prontas e cartilhas do bem viver. Dá trabalho e requer responsabilidade para assumir nossas escolhas, mas é o caminho mais curto para a plena realização.
Vera Caballero é colaboradora do Delas. Professora de Yoga, numeróloga, terapeuta floral, reiki master, massoterapeuta, ministra cursos e palestras sobre Bioenergias. Para entrar em contato, escreva para: contentamento@ig.com.br
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