Oi, Sonia!
Hoje tenho 37 anos, estou ocupando um posto muito elevado na empresa que trabalho. Estou feliz com meu casamento, tenho um filho de 6 anos que está entrando na primeira série, porém não me sinto realizada! Desejo procurar outros caminhos: NOVOS, DIFERENTES, sempre fui assim! Parar, estabilizar em um único tipo de serviço me deixa sem perspectivas. Às vezes tenho a impressão que sempre entro nos setores que estão em desordem para fazer a organização e depois que tudo está bem, me retiro. Tenho mudado de empresa ou setor, mais ou menos, a cada três ou quatro anos. Conheço todas as funções desta empresa ao qual trabalho e agora novamente veio àquela vontade de buscar outro desafio. Nas entrevistas que faço para os trabalhos sempre sou questionada a respeito desta situação. O que devo fazer? Atenciosamente, Ana.
Vamos refletir um pouco sobre a diferença entre felicidade e realização?
Sentir-se realizada é sentir-se capaz, é poder dar conta de tudo que a vida nos coloca na frente. É chegar em algum lugar, atingir seus objetivos e metas.
Ser feliz é sentir-se em paz, em equilíbrio, ter bem estar enquanto a vida corre, é processo, é olhar a paisagem do caminho enquanto ele passa ao nosso lado.
Para algumas pessoas, estar realizado é estar morto, de certa forma. É chegar ao fim de algo a um encerramento. Exatamente por isso acabam procurando tantos novos inícios, como um fogo que se consome imediatamente, como quando se risca um fósforo e toda a energia é gasta no acender do impulso.
São as chamadas “pessoas da síndrome do caderno novo”: aquelas que se iluminam com os lápis recém-apontados no estojo novinho em folha, com a primeira folha do caderno, onde a letra sai bonita, redonda. Ao passar de algumas páginas, o capricho pode ser o mesmo, mas a motivação não o é mais. Aquelas que vibram com o futuro, quase sempre, porque lá parece residir a resposta de sua realização.
O reino do “lá–então” para a realização e o reino do “aqui-agora” para a felicidade, será que é possível? Tente tirar um pouco os olhos deste vir a ser amanhã, senão talvez você não preencha as lacunas do caminho. Você pode viver só tentando subir, escalar, mudar e não chegar, afinal, em nenhum porto após tanta viagem.
E comece a olhar mais para os lados no seu trabalho. Faça valer cada vez mais o sentimento que diz: ser realizada é ser feliz... Pelo menos no seu profissional, pelo menos na validação de que chegar é tão prazeroso quanto sair, e que aproveitar é uma etapa tão importante da vida quanto o fazer.