Olá Sônia, eu sou uma pessoa muito calada, não gosto de sair muito e desde que terminei o meu namoro não consigo mais gostar de ninguém. Tem um rapaz que gosta muito de mim, ele diz que me ama e só fala em casamento. Eu só fiquei com ele uma vez e sinto um carinho enorme por ele, só que eu não sei se gosto ou não. Sônia, me ajude, eu me sinto tão sozinha que às vezes fico trancada no meu quarto e começo a chorar. Eu já tenho 35 anos, ainda sou virgem e me acho super imatura.
Oi! Dra. Sonia, preciso de um esclarecimento seu, tenho dificuldade de me relacionar com as pessoas seja qual for o tipo de relação. Amizade, namoro etc, etc e gostaria muito que me desse uma dica de como me libertar desse meu problema pois sofro com esse meu jeito. Deve ser porque sou tímida demais...
Eis dois relatos tocantes de como a timidez pode se transformar de uma insegurança que aparece em algumas situações específicas, para o que chamamos de fobia social, uma dificuldade crônica de se relacionar que atinge várias áreas da vida da pessoa e acaba por impedir que ela atinja seus objetivos pessoais e profissionais.
Todos nós fechamos algumas portas com nossas atitudes, e impomos alguns limites com o principal objetivo de equilibrar os excessos, que não são saudáveis nos grupos sociais nem nos relacionamentos. Mas quando os limites tornam-se cercas que causam danos e começam a se espalhar, percebemos que quase todas as portas estão fechadas e nos sentimos abandonados e solitários.
Isso não é nada bom: é sinal de alerta para uma mudança de comportamentos e para entender melhor os sentimentos que estão por trás dessas manifestações de isolamento. Poder estar só é importante, mas sentir solidão é sintoma de algo para mim bem triste, que é querer desistir do mundo.
O tímido ocasional é aquele que tem medo de enfrentar algumas situações - como falar na frente de muitas pessoas - e só de pensar nisso o coração acelera, as mãos suam e a ansiedade pode até tomar conta de seu corpo. Se a timidez é ainda mais profunda, qualquer ação que envolva falar com estranhos, pedir informações, pode desencadear tremores no corpo e até fazer gaguejar na hora de falar.
O teste mais prático de timidez é sustentar um olhar penetrante de outra pessoa, principalmente do sexo oposto, durante alguns minutos sem querer abrir um buraco na terra e sumir! Todas essas atitudes são habilidades que podem ser aprendidas e treinadas para melhorar, porque na maioria resume-se em controlar a ansiedade que as situações causam.
Por trás das pessoas tímidas geralmente existe alguém que quer passar uma boa imagem para os outros, tem medo de mostrar seus defeitos ou mesmo não sabe lidar com os erros. Alguém que pensa sempre que vai se dar mal, porque pensa o pior de si mesmo. A melhor forma de mudar é enfrentar as situações temidas: com cuidado, devagar, dando passos do tamanho das próprias pernas, mas colocando na cabeça algumas coisas:
- Não dá para agradar a todos. Sempre haverá alguém que não concorda ou que não gosta do nosso jeito de ser. Portanto, não perca tempo em tentar adivinhar qual seria a atitude mais adequada. Siga mais as suas necessidades e suas verdades, pois elas têm grande valor;
- Vire o foco para o exterior. O tímido costuma ter os dois olhos para dentro e por isso exagera a sensação de inadequação. Ao colocar um dos olhos para o mundo de fora, perceba que muita gente tem as mesmas dificuldades e que nem todo mundo está prestando tanta atenção assim em você.
No caso de vocês, leitoras, sugiro procurar ajuda: existem profissionais e clínicas especializados neste tipo de trabalho, e fobia social já é caso de diagnóstico médico e psicológico, para que a vida possa voltar a ser um lugar aberto, uma ciranda que nos convida a participar com alegria, compartilhando com pessoas iguais; não uma floresta sombria onde tememos as pessoas como inimigas e depositamos todas as possíveis resoluções fora de nós. Abram a porta e dêem um passo em direção à vida. È difícil, mas sempre possível.
Sônia Blota é psicóloga, pós-graduada em Integração Fisiopsíquica, Master Practitioner em PNL, com especialização em psicologia clínica, Terapia da Linha do Tempo e Sexualidade.
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