Olá Sônia, sou advogada, tenho 39 anos e uma filha de 10. Com muito esforço, após a separação, construí minha casa e uma vida boa e estável. Minha filha e eu mantemos um ótimo relacionamento.
No final deste ano, reencontrei um ex-noivo. Este reencontro nos reaproximou, em especial porque ele também está separado e mora sozinho com a filha. Estamos mantendo contato por telefone e chegamos a falar sobre viver juntos.
Ocorre que eu não pretendo abrir mão da privacidade construída no decorrer de todos estes anos sozinha com minha filha. Dessa forma, eu não tenho como objetivo um relacionamento sob o mesmo teto, e sim um relacionamento mais próximo.
Entretanto, tenho medo de que isso pareça egoísta. Será?
Beijos, Sandra.
Essa questão acompanha a trajetória das pessoas em muitos momentos. Por exemplo, na adolescência, quando parece que todos os pedidos dos pais são ordens, fica aquela sensação que os pais do amigo são sempre mais liberais que os nossos.
Ou no início da vida amorosa, quando parece que o mundo deveria estar à nossa disposição, mas as amigas é que ficam com todos os caras mais bonitos e mais legais - parece que a conta de que existe o dobro de mulheres para cada homem está exatamente ali na festa que você foi.
E, como é o seu caso, quando se consegue (com esforço) desenvolver o lado profissional, a realização individual, parece que morar com alguém é ter que abrir mão de ser dona do seu próprio nariz.
Não precisa acontecer dessa maneira: as suas experiências podem formar um novo acordo entre vocês dois; uma relação de casamento em que ninguém se submeta a nada que não deseje.
Nunca pedimos demais quando estamos pedindo pela nossa felicidade. Amor-próprio não é necessariamente egoísmo. Pense como vocês juntos podem elaborar uma solução criativa e diferente para conviver.
Isso pode abrir uma porta que com certeza ajudará suas filhas a acreditar que se relacionar livremente não é pecado algum.