Sou separada há nove anos, não tenho filhos. Conheci uma pessoa comprometida, eu disse a ele que não queria nada por este motivo, num primeiro momento ele não me procurou, mas depois tornou a me procurar, falando aquelas coisas que já sabemos: o casamento não está bom, etc etc etc. Começamos a nos relacionar, embora eu tenha dito que não iria suportar essa situação por muito tempo. Ele me liga todo dia, mas só aparece uma vez ou outra, quero sair disso, não escolhi isso para minha vida e não quero. Ele é um homem muito interessante e sinceramente é tudo que eu gostaria para mim, mas só se fosse livre. Por que será que eu não consigo dar um basta nessa situação já que eu consigo claramente ver o que está acontecendo e sei que não quero isto para mim? Um abraço, Christiane.
Um dos maiores problemas que observo nas mensagens que chegam é com esse chamado “homem comprometido”. E compromisso vai muito além de ser casado. Pode ser por ter muitos filhos, mãe controladora, ficar mergulhado até a cabeça no trabalho e não dar atenção à sua companheira, e até estar enroscado com política ou algum tipo de religião. O que ouço é que o homem comprometido não é livre para amar.
Venho procurado refletir por aqui sobre todos esses temas. Hoje gostaria de comentar especificamente sobre o homem casado.
A maioria deles nem ao menos conta para a namorada que é casado. Ou, como no seu caso, até fala a verdade, mas conta várias histórias sobre o casamento, arruma todo tipo de desculpa para manter a situação como está. Mas não tem jeito: alguém enrolado em dois compromissos vai ter que tomar uma atitude em relação a algum deles pelo menos.
As explicações do porque esses compromissos não são desfeitos estão se tornando comuns. Sempre existe uma ex-mulher doente, ou filhos que a pessoa não tem coragem de abandonar, ou uma mulher com quem vive na mesma casa, mas jura que não tem relações sexuais, vivem como irmãos.
A meu ver, mais do que se isso é verdade ou mentira, falta atitude para colocar as relações às claras. Diz o Francisco, um colega terapeuta, que ou você tem um problema ou uma coisa para fazer. Até que ponto uma situação de um relacionamento tem que chegar para que as pessoas efetivamente resolvam o conflito, e não mantenham uma situação em nome de não decidir?
Então repito a mesma pergunta para você: você está vendo o tamanho da montanha e parece que está claro o que você quer ou não quer. O que falta para você passar para a ação? Decidir é uma coisa muito diferente do que fazer aquilo que você decidiu. Talvez você possa pensar que seus valores podem estar mudando, e ficar com alguém comprometido talvez não seja tão horrível assim.
Eu sugiro que você, e todas as pessoas que se identificam com a situação, pensem esta semana mais claramente na distância que existe entre aquilo que elas pensam e sentem a respeito dos relacionamento, e aquilo que elas realmente conseguem fazer ou tomar atitude diante do que estão vivendo.