Não pode. Aliás, não é de hoje que a técnica está proibida. A escova progressiva surgiu no Rio de Janeiro e ganhou o Brasil num piscar de olhos. Pudera, ela promete cabelos mais lisos e sedosos a cada aplicação, e, sejamos sinceros, o “negócio” funciona mesmo.
A mágica do alisamento é feita à base de formol (formaldeído), um princípio ativo altamente nocivo à saúde, usado normalmente como conservante, desinfetante, anti-séptico e para embalsamar peças de cadáveres.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os sintomas mais freqüentes, no caso de inalação da substância, são fortes dores de cabeça, tosse, falta de ar, vertigem, dificuldade para respirar e edema pulmonar. O contato com o vapor ou com a solução pode deixar a pele esbranquiçada, áspera e provocar forte sensação de anestesia e, até, necrose superficial na pele. Longos períodos de exposição podem causar dermatite e hipersensibilidade, rachaduras na pele e ulcerações principalmente entre os dedos e conjuntivite. Contudo, o risco mais assustador é o de que o produto seja cancerígeno.
A legislação que regulamenta o uso do formaldeído em cosméticos, permite que ele seja usado como conservante ou endurecedor de unhas e proteção de cutículas, a partir de concentrações baixíssimas e contendo as devidas advertências na rotulagem nos produtos. Quatro instituições americanas de pesquisa comprovaram o potencial cancerígeno do formaldeído, são elas: Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), Agência de Proteção Ambiental (EPA), Associação de Saúde e Segurança Ocupacional (OSHA) e Programa Nacional de Toxicologia dos EUA.
Mesmo com tantas pesquisas, alertas e o veto da Anvisa, diversos cabeleireiros insistem em alisar as madeixas de suas clientes com formol. E algumas clientes mais aflitas, desprezam as advertências e solicitam o serviço em domicílio: assim não “suja” pra ninguém. Segundo o hair stilyst e colunista do iGirl, Paulo Persil, cabeleireiros desavisados das possíveis conseqüências produzem um mix de queratina + hidratante + ácido fórmico no próprio salão, outros compram já formulado.
Entregou suas madeixas à escova progressiva nos últimos meses?
Calma, não se descabele com medo das conseqüências. Segundo o dermatologista Ivan Brandão, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, não basta se expor à escova progressiva algumas vezes para estar no grupo de risco dos males causados pelo formol. “O que existe efetivamente é um perigo em potencial”, explica o médico. Ou seja, é melhor não arriscar. As conseqüências podem ser, ruins, péssimas ou trágicas. “Se o formol pode ser prejudicial para a cliente, imagine para o cabeleireiro, que se expõe diversas vezes por dia ao produto”, alerta Brandão.
É o fim dos cabelos lisos? Com um olho na lei e outro na clientela, as empresas de cosméticos seguem em busca de alternativas para o desenvolvimento de uma “escova progressiva do bem”, isto é, que não utilize formol como princípio ativo.
Numa volta pelo quarteirão é possível observar faixas que anunciam “escova progressiva sem formol”, “escova francesa”, entre outros nomes. Se estas são boas alternativas? Depende. Cada salão tem apostado num novo produto em busca de bons resultados. Cabe a todos - clientes e profissionais – informarem-se acerca das novidades, e isso, certamente, poderá evitar novas roubadas.
Antes de maldizer o seu cabeleireiro, leve em conta que salões renomados, e com profissionais super competentes, também aderiram à escova progressiva. Todos eles desconheciam os riscos. Fica aí uma lição para as duas partes! O cabeleireiro é responsável pelo o que faz na cabeça de suas clientes, já essas, precisam tomar um pouco mais de cuidado antes de aderirem à “nova onda do salão”. (Ok, confessamos, isso não é muito fácil).
Ao que tudo indica, o principio ativo tioglicolato de amônia deve ser a nova vedete dos alisamentos. A química não é nova, segundo a técnica da Wella, Joana Silva, a empresa trabalha com ele há anos. “Nossas pesquisas mostram que é o melhor ativo alisante e mantém o aspecto natural do cabelo, ou seja, brilho, movimento, integridade da fibra”, conta.
Não perca bate-papo com Paulo Persil Dia 11/05/2005 – Quarta-feira - 19 horas Aqui no iG Papo
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