Mande para sonia.teias@ig.com.br suas dúvidas sobre relacionamentos e sexualidade, vamos selecionar algumas para serem respondidas pela terapeuta Sônia Blota. Aproveite!
Olá, Sonia,
Faz dois anos que estou namorando, eu e o meu namorado temos um problema: a mãe dele. Ele não quer de jeito nenhum me apresentar para ela, ele diz que ela é neurótica e que da última vez que apresentou uma namorada, aconteceu a maior confusão. A mãe desfez da moça e foi o maior escândalo, eles discutiram feio na frente da então namorada dele. A partir de então ele prometeu nunca mais apresentar nenhuma namorada a ela. Ele conta que ela faz chantagens, que diz que vai se matar se ele sair.
Eles não moram juntos, mas ele vive lá, e olha que já passou dos 30 anos. A mãe dele é divorciada, mora sozinha e pelo o que ele diz, é pouco sociável, não tem amizades. Ela tem outra filha, mas a filha mora em outra cidade. A questão é que ele sempre faz tudo o que ela quer, ele se sente responsável por ela. O que me angustia é: onde eu fico nesta história?
Eu não posso ir aonde ela vai, ou seja, eu não participo da vida dele. Ele vai na minha casa, conhece os meus pais e meus familiares, mas eu não conheço a família dele, isso me faz mal...
Por favor, me ajude, me dê um conselho... Tenho medo de ficar presa a ele, a um relacionamento que não tem futuro, já que ele não tem coragem de cortar o cordão umbilical. Eu fico sofrendo e a mãe dele nem deve saber que eu existo.
Um grande abraço, Viviane
Cordão Umbilical
Em teoria, as mães sempre acham que conhecem as preferências e necessidades do seu filho mais do que qualquer outra pessoa no mundo. E isso é verdade em uma determinada fase da vida, enquanto ela é a figura que mais satisfaz aquilo que ele precisa. Mas algumas mães, superprotetoras, levam este sentimento muito além do necessário, e não percebem que seu filho cresceu, que já sabe se defender e se cuidar sozinho.
Quando entra uma outra mulher nesta história, essa mãe tem a chance de perceber que o filho tem vida própria e que o caminho natural é ele constituir uma nova família. Mas, se ela não tem um companheiro, um marido ou namorado para ajudá-la a fazer esta libertação da dependência, a nora acaba chegando como uma rival, alguém que vai ameaçar este amor, e o que é pior, uma vilã que vai prejudicar o seu filho querido.
Há muitas maneiras do seu namorado contornar esta situação. Só que parece que no caso dele, enfrentar a mãe pode levar a uma decisão radical de abandoná-la ou de provocar um conflito tamanho que, no entender dele, pode ser muito prejudicial.
Como você não tem este problema na sua família, imagino que pense que a melhor maneira seria ele tomar uma decisão do tipo “ou ela ou eu”. Mas isto nem sempre é fácil porque normalmente filhos de mães superprotetoras preferem fugir do que brigar.
Se você acha que tem paciência e tolerância suficiente para esperar que ele corte o cordão umbilical (isto pode levar muito tempo, mas não é impossível), fique com ele.
Mas eu peço que tome cuidado para não atropelar o rapaz, tomando uma atitude mais radical, diretamente com ela. Aí sim você terá muito pouca chance de ser aceita, já que isso pode acirrar a competição entre as duas, e vai ser muito difícil que ele fique do seu lado nesta briga. Porque ele se libertar dessa dependência tem de partir dele. Se você tentar fazer isto por ele, estará sendo tão superprotetora quanto a mãe.
Sônia Blota é psicóloga, pós-graduada em Integração Fisiopsíquica, Master Practitioner em PNL, com especialização em psicologia clínica, Terapia da Linha do Tempo e Sexualidade. Para entrar em contato, clique aqui e visite o site Teias ou mande seu e-mail para sonia.teias@ig.com.br
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