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Transas compulsivas
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“Fulana é compulsiva sexual”. Num primeiro momento essa frase faz a gente relacionar “fulana” a uma figura insaciável, que tem inúmeras relações sexuais, todas intensas e recheadas de satisfação e gozo, coisa de gente fogosa, cheia de libido! Só que a coisa não é bem assim, a compulsão sexual é problema sério, ligado à qualidade - e não apenas quantidade - das relações.

Não existe um estudo de nível mundial de quantas pessoas sofrem do problema, algumas pesquisas realizadas nos EUA estimam que de 3% a 6%  dos americanos já tiveram experiências de caráter compulsivo sexual. Segundo o psiquiatra e psicoterapeuta Aderbal Vieira Jr,  responsável pelo ambulatório de tratamento do sexo patológico da Unifesp, os homens procuram mais ajuda do que as mulheres (cerca de 90% dos pacientes são do sexo masculino). Contudo, existe uma dúvida, “não sabemos se as mulheres não procuram ajuda por questões morais e sociais, ou se elas apresentam menos dependência de sexo”, comenta o médico.

Dependência é a palavra chave para entender o drama dessas pessoas, que não têm controle suficiente sobre a sua conduta sexual ou atividade masturbatória. Existe uma superexposição moral e íntima, além da falta de seleção adequada de parceiros, o que leva o indivíduo a diversas situações desagradáveis e até perigosas. “O comportamento sexual é a única - ou uma das poucas - formas de obter prazer, de estabelecer contato humano, de conseguir aprovação ou alívio de ansiedades”, comenta Aderbal.

Em entrevista ao Delas, o dr. Aderbal Vieira Jr fala das particularidades da dependência por sexo, dos tratamentos disponíveis e muito mais!

Faça o teste do PROAD, depois tire suas dúvidas lendo a entrevista

Como é o comportamento típico de uma pessoa dependente por sexo?
Os comportamentos sexuais são os mais variados, como promiscuidade sexual com desconhecidos (ou com pessoas conhecidas), busca excessiva de sexo (que pode ser com muitos ou com parceiro fixo), masturbação excessiva, busca de prática sexuais normalmente não presentes no repertório comum "não-compulsivo" da pessoa, conduta de risco (sexo não-seguro, ou com pessoas que impliquem risco de agressão sexual - no caso mais freqüente com mulheres), ou até mesmo fantasias excessivas com sexo, de modo a atrapalhar outras atividades cotidianas do indivíduo.

Pode ter origem num trauma de infância?
Situações traumáticas sexuais ou emocionais são mais freqüentes entre os dependentes de sexo do que na população em geral, mas ainda assim, a maioria dos dependetes de sexo não passaram por um evento traumático, e a maioria dos traumatizados não desenvolvem dependência de sexo.

Dependentes de sexo sentem prazer?
Podem sentir culpa, sensação de gratuidade e de não-satisfação. Mas a atividade sexual em si - feitas estas ressalvas - continua associada a algum grau de prazer. É como um dependente de álcool que, ao tomar umas doses de pinga para parar de tremer, também se sente "legal".

Como tratar?
As modalidades de tratamento são basicamente o medicamentoso, a psicoterapia cognitivo-comportamental e a psicoterapia psicodinâmica (freqüentemente associados). Os graus de sucesso variam muito, dependendo do esforço do paciente, dos recursos internos, além de outras variáveis, como a competência do terapeuta.
Já tivemos desde melhoras enormes, passando por outras bem mais parciais, até pacientes que abandonam o tratamento por não estarem sentindo melhora alguma.
Tem pouca gente tratando disto no Brasil, e pouquíssimos são especialistas. Em São Paulo - em termos de grupos acadêmicos – tem o PROAD da Unifesp, o PROSEX da USP  e o AMJO do Hospital das Clínicas.

Existe cura?
Só dá pra falar em cura daquilo que é doença. Comportamentos disfuncionais a gente não cura. A gente compreende, analisa, elucida, procura descobrir com o paciente que sentido e propósito eles têm na vida do indivíduo, e com isto lhe dá uma chance de fazer alterações que aproximem suas práticas de uma identidade mais verdadeira, adotar comportamentos mais adequados a seus propósitos e projetos. Em alguns casos observa-se que estas mudanças são bem consistentes e definitivas, em outros a pessoa não fará muito mais do que se controlar melhor.

Quando procurar ajuda?
Se a pessoa não está satisfeita com o próprio comportamento sexual, algum problema há com ela, mesmo que não seja necessariamente uma dependência de sexo. Deve então procurar diagnóstico e tratamento especializado.

E com relação ao teste de rastreamento?
É uma escala de rastreamento, mas não de diagnóstico. Serve para identificar pessoas com maior probabilidade de apresentar de fato o problema. Significa que quem pontuar suficientemente nela deve procurar diagnóstico especializado para ver se de fato é dependente de sexo mesmo. Clique para fazer o teste

Para mais informações
Procure ajuda, agende uma consulta:
PROAD Fone: (11) 5579 1543
Endereço: Rua dos Otonis, 887, Vila Clementino.
O link na internet é www.unifesp.br/dpsiq/proad

Colaboração
Dr. Aderbal Vieira Jr. é psiquiatra e psicoterapeuta, responsável pelo ambulatório de tratamento do sexo patológico do PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a dependentes)  da Unifesp.

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