Mande para sonia.teias@ig.com.br suas dúvidas sobre relacionamentos e sexualidade, vamos selecionar algumas para serem respondidas pela terapeuta Sônia Blota. Aproveite!
Olá Sonia,
Meu nome é Débora, tenho 20 anos, meu namorado tem 25 e sou uma pessoa completamente ciumenta. Tudo é motivo de discussão. Moramos juntos há quase dois anos. Esse ciúme parece que está virando um tipo de obsessão, às vezes chego até a achar que estou quase ficando louca. Se ele olha para o lado, eu olho também para descobrir para onde ele está olhando.
Parece que sinto prazer em brigar com ele...isso está acabando com meu relacionamento e comigo também.
Idéias para desativar a armadilha do ciúme
Vira e mexe voltamos ao assunto do ciúme e do quanto ele consegue destruir relacionamentos, caso não seja compreendido e direcionado. Uso essas palavras -- e não a palavra controlado --, porque o ciumento já tenta controlar exageradamente as pessoas ao seu redor. A origem do ciúme é exatamente uma necessidade exagerada de controlar as coisas e as pessoas à nossa volta, e com quem elas se relacionam.
No caso de vocês, o ciúme não é o personagem principal, mas é o sentimento que dispara uma situação de briga e conflito. Dispara como um gatilho que depois de acionado dificilmente pode ser detido e com certeza vai ferir ou causar danos ao atingir a outra pessoa.
Vocês sabem que alguma coisa está errada e pedem ajuda para mudar porque a manifestação desses sentimentos é violenta e conflituosa. Mas se pensarmos um pouco que, apesar das palavras ásperas, das explosões ou da confusão que isso pode causar no relacionamento, vocês continuam mantendo o mesmo gatilho, o mesmo hábito, o mesmo padrão de manifestar estes sentimentos, pode ser que, no fundo, brigar seja importante.
Talvez o clima quente da briga seja um termômetro de que a relação continua intensa, talvez os dois achem que entrar em um acordo é uma coisa um pouco sem graça dentro de uma idéia de que comunicação eficiente no amor é aquela que traz posições e pontos de vista diferentes.
Gosto da imagem de que o remédio pode ser muito amargo, mas quem o toma sabe que faz um bom efeito. Muitos casais acabam dependentes, não do ciúme (porque existem outros sentimentos que podem disparar este gatilho), mas da situação de conflito, porque isso parece ser um sinal (muito distorcido!) de que eles ainda se amam.
Esse tipo de comunicação pode ser mudada porque o amor deve ir na direção do entendimento e esse não necessariamente precisa acontecer pelo desrespeito ou pelas ofensas mútuas. Se for preciso brigar para provar o vínculo, seria melhor perceber que talvez o relacionamento já esteja precisando de uma revisão.
Se vocês só sabem brigar, só conhecem a técnica do um ganha e o outro perde, então precisam aprender a negociar ou fazer acordos para que os dois ganhem. Mesmo que seja de uma maneira mais calma. E se por acaso acham que calma pode significar indiferença, saibam que uma das maiores virtudes do verdadeiro guerreiro é saber que às vezes se ganha a batalha simplesmente por não lutar.
Sônia Blota é psicóloga, pós-graduada em Integração Fisiopsíquica, Master Practitioner em PNL, com especialização em psicologia clínica, Terapia da Linha do Tempo e Sexualidade. Para entrar em contato, clique aqui e visite o site Teias ou mande seu e-mail para sonia.teias@ig.com.br
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