“Mau humor constante pode ser doença e não apenas um traço de personalidade”, afirma Doris Hupfeld Moreno*, membro do grupo de doenças afetivas (GRUDA). A distimia ocorre em 5% da população geral ao longo da vida e acomete duas a três vezes mais mulheres que homens. Normalmente, os sintomas aparecem no início da vida adulta e perduram por vários anos, às vezes indefinidamente, quando a doença não é tratada.
A pessoa que tem distimia passa a maior parte do dia de mau humor (ou humor deprimido), além disso, pode sentir cansaço, preocupação, insônia ou aumento do sono, sensação de inadequação, baixa energia, baixa auto-estima e desesperança. Apesar de incômodos, estes sintomas não impedem que os distímicos sejam capazes de lidar com as exigências básicas do dia-a-dia.
Em geral, como os sintomas são relativamente leves, a distimia se confunde com um traço de personalidade ou com o jeito de ser da pessoa, que é rotulada de “chata” pelos outros. “Ela reclama de tudo, nada está bom o suficiente, tem muitas queixas físicas e irritabilidade”, descreve a médica. Essas pessoas reconhecem sua inconveniência quanto à rejeição social, mas não conseguem controlar. “Ela tende a se isolar e a ter perdas ao longo da vida. E o pior, nunca alcança grandes postos ou grandes salários por conta dessa limitação”.
Mas não é qualquer mau humorado que pode ser considerado distimico. Só podemos afirmar que mau humor é doença quando estiver acompanhado dos sintomas acima citados e for percebido de forma constante por, no mínimo, dois anos. Em crianças e adolescentes a duração é de pelo menos um ano. O problema no diagnóstico preciso da distimia é que só pode ser feito depois que o problema está instalado, já que o tempo da duração dos sintomas é pré-requisito para determinar um distimico.
Segundo a doutora Doris, a duração e a constância dos sintomas - não só de um, mas do conjunto deles - formam o diagnóstico. “Tristeza é algo humano, até ‘bom’ de sentir, mas humor depressivo, melancolia, angústia com pensamentos e sentimentos negativos, isso tem sabor de sofrimento”, explica a psiquiatra.
A distimia pode até vir do berço, configurando uma predisposição herdada dos pais ou parentes, mas também pode ser desencadeada por situações estressantes, como fracassos, perdas, dores crônicas, problemas degenerativos etc. O distimico não consegue se curar sozinho, deve procurar um psiquiatra para diagnosticar com precisão o seu caso e receitar um tratamento. “A distimia é tratada com antidepressivos, até que se obtenha a melhora de 100% dos sintomas e a pessoa retorne ao seu patamar anterior. A psicoterapia pode ser indicada em muitos casos e fazer atividade física e manual auxilia a aliviar os sintomas”, explica doutora Doris.
* Dra. Doris Hupfeld Moreno é Médica Assistente do Grupo de Doenças Afetivas (GRUDA) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
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