Nós brasileiros, gostamos muito de falar de sexo, certo? Mais ou menos. Gostamos sim, mas desde que seja para contar vantagem. Quando o assunto gira em torno de problemas sexuais, daí a conversa muda, ou simplesmente não acontece. As mulheres (por não se julgarem infalíveis) lidam melhor com essas questões, já os homens...
Uma pesquisa* mundial realizada pela empresa de medicamentos Bayer HealthCare revelou que dois terços dos casais que enfrentam problemas relacionados a dificuldades de ereção não conseguem ter diálogo sobre o assunto por não saberem como começar a conversa. A disfunção erétil (antes chamada de impotência sexual) afeta mais de 150 milhões de homens em todo o mundo. Desses, apenas 20% estão em tratamento (sim, existe um tratamento). O fato é que a maioria dos homens (e por conseqüência as mulheres) sofre em silêncio durante quatro a cinco anos até consultar um médico. A demora em buscar ajuda está relacionada principalmente ao constrangimento de expor a situação.
Especialmente no Brasil, a pesquisa foi coordenada pela Prosex (Projeto de Sexualidade do Instituto de Psiquiatria HC/USP) e contou com o depoimento de 588 entrevistados entre 18 e 70 anos, residentes em São Paulo. O estudo revelou que 23% dos entrevistados passaram por alguma dificuldade sexual, ou seja, não conseguiram alcançar ou manter a ereção ou atingir o orgasmo. Outros problemas relatados pelos entrevistados foram ansiedade, insatisfação da parceira, falta de interesse por sexo ou falta de prazer.
Segundo a psiquiatra e coordenadora do Prosex, Carmita Abdo, o melhor jeito para começar a lidar com o problema é com muita conversa, e isso deve começar em casa, com a parceira. Por isso, é preciso que as mulheres estejam preparadas e informadas para orientar seus maridos, parceiros ou namorados. “A conversa por si só revigora a relação à medida que esclarece mal-entendidos e estreita a intimidade do casal. O diálogo com a parceira tranqüiliza muitos homens e os encoraja a buscarem ajuda médica”, comenta. Por outro lado, ciente do problema do parceiro, a mulher sente-se mais tranqüila, e deixa de fazer fantasias que podem colocar em risco a relação, como achar que o desinteresse dele nasce do fato de ter outra, por exemplo.
Muitos homens encontram dificuldades até mesmo para conversar com o próprio médico: vergonha é o principal motivo. Por incrível que pareça, a recíproca também é verdadeira, já que muitos médicos não tocam em assuntos de sexo com seus pacientes, e isso, por falta de preparo ou algum tipo de inibição. A campanha “Abra o jogo. Converse” promovida pela Prosex e apoiada pela Bayer HealthVare busca desmistificar o assunto entre os três personagens principais dessa história: o homem, a parceira e o médico. Conversar e se abrir com as pessoas certas parece mesmo ser o primeiro passo para a conquista de uma vida sexual satisfatória.
Remédios Em 1998 surgiu o primeiro produto voltado para a disfunção sexual masculina, o Viagra. Foi uma revolução no campo da sexualidade masculina, que tranqüilizou grande parcela dos homens. Em 2003, a Bayer HealthVare lançou uma segunda opção, o Levitra, que tem a mesma proposta do Viagra, com algumas particularidades. Com duas opções no mercado, os médicos têm a possibilidade de testar o produto mais adequado para cada caso.
Mesmo fazendo uso do medicamento, no entanto, o homem não abre o jogo com a mulher. E os motivos são vários: constrangimento, medo de reprovação, medo de comentários são os motivos pontuais. “É importante que a mulher entenda que a disfunção erétil é uma doença e deve ser tratada com muita conversa e medicamentos adequados, não tem nada a ver com rejeição ou não gostar dela”, comenta a doutora Carmita Abdo.
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A população contará com um serviço de utilidade pública para tirar dúvidas e receber dicas. O atendimento será feito por uma equipe de psicólogos e terapeutas sexuais. Além disso, os interessados poderão recorrer ao ProSex para receber aconselhamento. É necessário agendar uma consulta pelo telefone (11) 3069 6982 ou comparecer à sede do projeto, localizado no instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas de São Paulo. Pessoas de outras cidades devem procurar orientação médica de confiança.
*A pesquisa mundial dói realizada pela Bayer HealthCare em sete paises (Inglaterra, Alemanha, França, Espanha, Itália, México e Canadá) com mais de 1.200 pessoas, entre homens mulheres e médicos
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