Mande para sonia.teias@ig.com.br suas dúvidas sobre relacionamentos e sexualidade, vamos selecionar algumas para serem respondidas pela terapeuta Sônia Blota. Aproveite!
Olá Sônia, Nunca fui de escrever para pessoas estranhas, mas lendo um artigo seu no IG me interessei e acho, sinceramente, que você pode me ajudar. Eu realmente não sei o que fazer nem pensar.Bem, vamos aos fatos. Sou casado há 10 anos com uma mulher muito amiga, companheira, honesta e que sei que me ama muito, temos 2 filhos (uma garota de 9 anos e um garoto de 4 anos). No momento estou vivendo uma relação com uma mulher que também é muito carinhosa e que me completa sexualmente divinamente; acho inclusive que estou apaixonado por ela.
Esse é meu grande dilema: não sei o que fazer. Todas as noites que chego em casa eu gostaria de estar chegando para a companhia desta pessoa que estou vivendo este relacionamento. Minha esposa saiu de um tratamento sério de câncer de mama recentemente e atualmente esta fazendo exames de rotina para acompanhar a evolução ou regressão da doença. Eu, sinceramente, fico muito preocupado com o sofrimento dela e dos meninos caso eu resolva iniciar uma nova fase de minha vida. E, sinceramente, eu não sei se bem se é isso que eu quero. Tenho um certo medo de tudo dar errado e eu perder uma grande amiga e companheira.
Sônia, me ajude, eu ando muito pra baixo e não sei o que faço.
F. Junior
O momento da virada
As pessoas da minha geração ouviram falar muito que “a sua liberdade termina onde começa a do outro”. Será que este conceito vale da mesma forma para a felicidade?
Quando somos muito jovens, perseguimos de maneira feroz esta felicidade sem medir muito o quanto nossas atitudes podem refletir nas pessoas que estão ao nosso redor. O lema é ser feliz a qualquer preço. Mas à medida que nos tornamos mais responsáveis pelos nossos relacionamentos, principalmente quando temos filhos, percebemos que o preço a se pagar é alto demais, se não considerarmos o sentimento das pessoas envolvidas nos nossos caminhos. Com isso, muitas pessoas deixam de tomar algumas atitudes simplesmente pelo medo de magoar o outro. Seja ele quem for: mulher, família, amigos.
No seu caso, minha sugestão é que você pense em duas coisas. Primeiro, reflita se efetivamente a decisão de se separar, romper seu casamento e ficar com a outra pessoa é o que vai trazer felicidade para você neste momento. Será que abrir mão de uma para ficar com outra não vai fazer com que você se sinta incompleto? Porque hoje as características das duas mulheres estão se unindo e se complementando. De um lado você tem o carinho, o companheirismo e a amizade, e do outro a sexualidade e a paixão.
Segundo, saiba que todas as atitudes têm conseqüência. Sempre alguém vai sair perdendo, alguém vai sair magoado, e o melhor é lidar com estes sentimentos depois da decisão tomada, e não por antecipação. Na situação que você está agora, por exemplo, quem mais está sofrendo é você, que não está inteiro ou feliz: está mentindo para alguém que gosta muito, está dividido, perdido e como você mesmo disse, para baixo.
Se você estivesse absolutamente certo de que romper seu casamento e ir morar com a outra mulher fosse a sua verdade absoluta, a sua realização neste momento, você com certeza não estaria medindo tanto as conseqüências. Se você resolvesse pela separação, ia continuar podendo dar um grande apoio para a sua mulher na recuperação da doença e pai você continuará a ser para o resto da vida. Então a questão com certeza não é só o medo de magoar sua família.
Antes de tomar qualquer decisão, sugiro que procure a ajuda de um profissional, alguém que pense junto com você. Tomar a decisão neste estado de ânimo não necessariamente fará com que você melhore. Concentre-se primeiro em sentir-se melhor, e depois faça sua escolha.
Mas independente de qualquer coisa saiba que você tem todos os motivos do mundo para estar se sentindo para baixo. A vida te deu muitas rasteiras, você está num momento de sofrimento, de insegurança, de tristeza... respeite um pouco o seu tempo porque por mais que a gente imagine que a vida vá correr sempre como um barco em águas calmas, muitas vezes não é assim que acontece. Pelo que você está passando, tem todo direito de sentir o que você está sentindo. Mas você não precisa continuar assim, o momento da virada também pode ser um momento de volta por cima.
Sônia Blota é psicóloga, pós-graduada em Integração Fisiopsíquica, Master Practitioner em PNL, com especialização em psicologia clínica, Terapia da Linha do Tempo e Sexualidade. Para entrar em contato, clique aqui e visite o site Teias ou mande seu e-mail para sonia.teias@ig.com.br
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