A difícil arte de terminar a relação

Mande para soniabb@teias.com.br suas dúvidas sobre relacionamentos e sexualidade, vamos selecionar algumas para serem respondidas pela terapeuta Sônia Blota. Aproveite!

Olá Sônia,

Tenho cinco anos de casada e nunca fui feliz com o meu marido. Sempre tive dores na relação sexual e adquiria muitas infecções, depois descobri que o problema vinha de meu marido. O médico recomendou o uso de camisinha em todas as transas, mas meu marido não aceita. Dessa forma, já estamos sem transar há quase dois anos.

Além deste drama todo, ele não paga quase nenhuma conta em casa. Pior ainda, quando ele leva o carro para consertar, fala que o preço foi maior, e embolsa a diferença. Vive sumindo dinheiro da minha bolsa, é ele quem pega.

Eu trabalho em dois empregos e ainda estudo em outra cidade, quando ele me dá carona, cobra pelo serviço de motorista. Ele levanta meio-dia, almoça e diz que vai trabalhar, chega em casa quase meia noite.

Será que tem outra mulher? Pode até ser, mas não acredito. Ele é uma pessoa fria, gelada mesmo. Tem dois filhos, mas não sabe absolutamente nada sobre eles, nem se preocupa em saber.

Ele não me ajuda em nada e me chama de gorda. “Essa roupa ficou feia, este sapato é horroroso, você não faz nada e só sabe reclamar”, ele diz.

Qualidade? Bem, ele é engraçado, e uma companhia pra sair.

No final das contas eu me pergunto: o que me prende? Não dependo dele para nada e meus pais aceitariam a separação numa boa. Além do mais, eu tenho 32 anos e ele 50. Acredito que ainda estou muito bem fisicamente, também sou inteligente, ele não tem o segundo grau.

Apesar de tudo isso, eu não consigo me separar. Por quê?

Atenciosamente, V.

Olá V.,

Vamos lá ....

Depois de um determinado tempo de casamento, todo mundo deveria se perguntar se ainda está vivendo em uma parceria, esta parceria acontece quando um é cúmplice do outro.

Apesar de saber que as pessoas são diferentes, e que cada um tem suas dificuldades e defeitos, as diferenças são compreendidas no dia-a-dia em benefício do prazer e da felicidade que a relação traz para os dois.

Só existe parceria quando existe um esforço dos dois para assumir as responsabilidades e desenvolver a relação ao longo do tempo. Quando só um faz isso, a parceria não existe mais, e é exatamente o que parece estar acontecendo com você. Neste caso, é importante que você pare e se pergunte: “será que estou passando por um momento de dependência?”. E não dependência dele, especificamente, mas dependência de estar casada.

Se for este o caso, você está realmente refém de uma situação e está na hora de fazer uma viagem ao encontro da sua própria verdade. Há várias maneiras de fazer isto: você pode se questionar, conversar com pessoas fora da relação ou mesmo fazer uma terapia. O importante é que você pare e perceba a sua dependência.

Nesta parada, você pode descobrir algumas coisas. Primeiro, pode constatar que tem medo de ficar sozinha. E qualquer atitude diferente dele acaba justificando todas as coisas ruins que ele faz. Por exemplo, o fato de ele ser engraçado faz com que ele seja uma boa companhia, mesmo que ele não pague as contas, roube dinheiro e fale que você está gorda e feia.

Comece a pensar: como você faz nas outras parcerias? Trabalho, estudo? Você fica em empregos ganhando mal, sofrendo, só para não mudar? Fica até o final da faculdade, mesmo não gostando do curso? Você precisa começar a observar outros aspectos da sua vida e ver se não está seguindo um padrão de dependência, que não se resume ao seu casamento.

Você pode descobrir que ainda tem, no fundo, expectativa de que ele vai mudar.

Ou, o que é melhor, você pode constatar que a parceria terminou de todas as formas: sexualmente, financeiramente e até a amizade. Está na hora de fechar este ciclo, voar solo. Termine esta sociedade e comece a ser autônoma. Encare a verdade. Você já sabe de todos os defeitos dele, já percebeu que não há como dar certo. Mas vá mais fundo, encare os seus medos.

Neste momento, você vai precisar do máximo de ajuda possível, e não dele, de pessoas que estão fora do relacionamento. Se você não quer perder alguma coisa que você já não tem e que está tão ruim, já passou da hora de você se perguntar do que tem medo afinal.

Um grande abraço
Sônia

Sônia Blota é psicóloga, pós-graduada em Integração Fisiopsíquica, Master Practitioner em PNL, com especialização em psicologia clínica, Terapia da Linha do Tempo e Sexualidade.
Para entrar em contato, visite o site: http://www.teias.com.br/ ou mande seu e-mail para soniabb@teias.com.br.

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