Os terapeutas apostam que compartilhar o problema pode ser um excelente recurso e hoje existem grupos de apoio que ajudam o paciente e a sua família a viver com uma infinidade de doenças do corpo e da mente.
De acordo com o dr. Marcelo Niel, psiquiatra que presta atendimento no PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), a principal virtude desses grupos está na possibilidade dos pacientes “dividirem experiências e perceberem que não são os únicos a enfrentar tais problemas”. O doutor Niel afirma que é “comum o paciente acreditar ser a única pessoa a passar por aquilo” e que “essa atitude, inclusive, faz parte da própria compreensão da doença”, explica.
Foi justamente a necessidade de compartilhar seus problemas com “iguais” que levou o estudante L. M. L. a procurar o Grupo de Apoio ao portador do HIV, serviço oferecido pelo Hospital das Clínicas de São Paulo. “Pequei AIDS aos 17 anos de idade, em minha primeira relação homossexual”, conta o estudante. “Na minha cabeça, era o único a enfrentar tal barra, não sei se por piedade de mim mesmo, mas me sentia só e incompreendido”, relata L.M.L.
Além de compartilhar experiências, os grupos de apoio servem para manter o paciente informado sobre tudo que envolve a doença ou o problema que enfrentam. Como geralmente são ministrados por técnicos como psicólogos, assistentes sociais e médicos, os grupos são uma ótima fonte de informação. E isso é essencial na recuperação dos pacientes: “quanto mais você conhecer sua doença, mais chances de recuperação você tem”, afirma a terapeuta Ana Beatriz Viera, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP.
Ana Beatriz lembra ainda a importância desses grupos em casos de doenças que não possuem cura, como AIDS e no caso de algumas doenças psíquicas em que o portador passa por fases de surto e depois se recupera, mas nunca se vê livre da enfermidade.“Ter um apoio desse nível é psicologicamente muito importante, pois é uma das ações mais esperançosas; ela serve de suporte para que o paciente aprenda a conviver melhor com sua realidade. “Descobri que sou um tipo de pessoa que vai sempre precisar de acompanhamento, porém nunca teria como pagar uma terapia por tanto tempo”, conta L.M.L.
Mesmo não se tratando especificamente de uma terapia, esses grupos são uma verdadeira solução para países como o Brasil, com os sérios problemas que temos de saúde pública. “No mesmo tempo que você dedicaria ao tratamento de apenas um paciente, é possível atender a vários”, explica o dr. Niel. É justamente por esse motivo, aliado á um alto grau de eficácia, que esse método de tratamento está sendo cada vez mais usual na medicina brasileira.
Existem ainda os casos em que os grupos de apoio são basicamente as únicas fontes de consolo e informação de portadores de enfermidades como a neurofibromatose, uma doença genética comum, mas que não possui muitos especialistas na área, carecendo de informação. Dessa forma, sobra aos grupos de apoio a função de agregar os portadores da doença e de conectá-los. Conforme disse a psicóloga, são esses os casos em que a necessidade dos grupos de apoio torna-se ainda mais evidente.
Confira mais algumas considerações do dr. Niel
O que são os grupos de apoio e como eles funcionam?
Eles são uma forma de organização especial com o objetivo de fornecer apoio a um grupo com problemas específicos. A partir da comunhão das experiências individuais dos pacientes, o grupo discute e divide suas aflições e esperanças em relação à sua doença. Geralmente esses grupos funcionam com as orientações de profissionais ligados à saúde, mas podem também contar com a liderança de um paciente.
E por que eles funcionam?
Por que fazem com que a pessoa compreenda melhor o seu problema e perceba que não está só nessa batalha. Em alguns casos, como no do PROAD, o grupo de apoio, além de ser o primeiro passo de um tratamento mais complexo, auxilia o paciente em questões como inserção no mercado de trabalho, discussão de direitos, etc. E essas questões geralmente são levantadas pelos próprios grupos.
E a participação da família como funciona?
A participação da família no tratamento é sempre muito incentivadora. No caso do PROAD, que lida com dependentes químicos, os grupos são divididos entre os dos familiares e os dos dependentes. Isso porque o dependente químico e o alcoólatra têm mais dificuldade em falar sobre seus problemas e a presença da família acentuaria ainda mais essa dificuldade.
Agradecimentos
Marcelo Niel é psiquiatra e faz parte da equipe do PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).
Ana Beatriz Viera é psicóloga e professora da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo).
Links úteis
No Poupaclique você descobre várias opções de grupos de apoio. Quem sabe um deles não pode ajudar você ou alguém que você ama? Clique aqui para ver a lista.
Para obter mais informações sobre o PROAD: http://www.unifesp.br/dpsiq/proad/