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Por: Paula Balsinelli A definição do dicionário para a palavra “madrasta” faz tremer de medo até as crianças mais peraltas: madrasta: mãe que maltrata os filhos. O sentido é figurado, mas o preconceito é real. Na ficção, a má impressão persiste: a horrorosa madrasta de Branca de Neve era na verdade uma bruxa malvada que aterrorizava as criancinhas, já a detestável madrasta de Cinderela tratava a coitadinha como uma escrava, e o pior, nem deixava a moça ir para a balada. Na vida real o tema é mais complexo. Além do pesado codinome, as madrastas ainda administram o ciúme dos enteados, a carência do marido e a onipresença da ex-mulher. Volta e meia, mais gente palpita nessa história, a mãe diz que não vai dar certo, o amigo afirma que é a idéia é fria e a vizinha aconselha a não criar filhos dos outros. Sejamos justos, é problema demais para uma pessoa só. Talvez seja mais fácil ser madrasta na ficção e deixar esse negócio de vida real para lá. Porém, quando o homem da sua vida já tem filhos, não tem jeito, você terá de assumir todo o “pacote” que vem junto com ele. Entenda-se por “pacote”: filhos, ex-mulher, tios do lado de lá, avós do lado de lá e tudo mais do lado de lá. Quando as madrastas se encontram Administrar essa gente toda, além dos próprios sentimentos, não é nada fácil. Por isso, as madrastas resolveram se unir para trocar idéias e desabafar tensões, madrastas unidas jamais serão vencidas! As reuniões das madrastas acontecem em datas específicas, geralmente num bar charmoso, onde batem longos papos e trocam experiências. A turma também participa de um fórum na internet onde diariamente postam comentários, trata-se de uma grande comunidade solidária que se encontra em http://www.madrasta.hpg.ig.com.br/ Roberta Palermo, a organizadora dos encontros, entende bem de madrastras. Ela conheceu os dois lados da história. Quando criança penou nas mãos da namorada de seu pai e hoje convive com dois enteados. Suas experiências foram tão marcantes que ela escreveu um livro. Em 93 páginas a autora procura orientar as madrastas de primeira viagem para uma vida harmoniosa e feliz. Roberta revela que teve uma madrasta muito chata, “ela era boa para o meu pai e o fazia feliz, em contrapartida queria me afastar dele de qualquer jeito”, comenta. Hoje Roberta é casada e tem um filho, na mesma casa vive o seu enteado Lucas de 13 anos, "um fofo", segundo ela. A outra enteada preferiu morar com a mãe, mas mantém ótima relação com Roberta. O grande segredo: aceitação Segundo Roberta o segredo da harmonia está basicamente na aceitação, “já me casei consciente de que meu marido tinha filhos, eu me preparei para isso”, conta. Quem casa com um homem que já tenha filhos tem duas opções, viver bem com as crianças ou brigar com elas pelo resto da vida. Segundo Roberta os adultos não devem entrar em disputas, “criança é criança e você é adulto, portanto, seja consciente de sua posição, quando perceber que a criança quer marcar território, não dê bola, seja amável”, recomenda. “Às vezes o Lucas me provoca dizendo 'o meu pai é meu', daí eu falo, 'claro que ele é seu, ele é só seu'. Ele fica feliz e muda de assunto, eu faço cara de paisagem e pronto”. Para Roberta, essa nova estrutura familiar pede cautela e responsabilidade, “é preciso estabelecer regras e diálogos, não é legal apresentar várias namoradas para os filhos, primeiro é preciso ter certeza da estabilidade da relação", disse. - Preste atenção para não tratar bem a criança apenas para agradar ao pai, se você não for natural, perderá a paciência facilmente. |
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