Durante séculos os homens dominaram o cenário da literatura erótica, afinal, um assunto tão masculino, não é mesmo? Negativo! Algumas mulheres ousaram meter a boca no mundo e falar de sexo com muito erotismo e competência. Sofreram perseguições e punições, já que a sociedade não aceitava mulheres “sexualmente imaginativas”. Vamos conhecer algumas delas, são ótimas dicas de leitura que certamente lhe trarão prazer:
Anaïs Nin
A Parisiense mergulhou na literatura erótica a partir de 1940. Gostava de fantasiar personagens e despi-los de pudores em linhas cheias de desejo. As passagens mais quentes estão em "Delta de Vênus" e "Little Birds". Morreu em 1977, na cidade de Los Angeles. Seus livros são referência da literatura erótica feminina.
Adelaide Carraro
Obscena e erótica é autora de diversas ficções entre elas “Eu e o Governador” que conta o seu romance com Jânio Quadros, cujo nome é omitido pela autora.
Cassandra Rios
A brasileira Cassandra Rios caprichava nos versos picantes e a maior parte deles vêm repletos de lesbianismo. Cassandra foi perseguida pela esquerda e pela direita e se houvesse um partido central, certamente seria perseguida por ele também. Tachada de pervertida é autora de inúmeras obras como “A Tara” e “Carne em Delírio Estreando com Volúpia do Pecado” entre outros. Foi uma das autoras mais vendidas dos anos 60 e 70.
Florbela Espanca
Portuguesa, nascida no começo do século XX, causou escândalo por causa de sua visão bastante feminina do erotismo. Veja o que ela escreveu no soneto “Amar!”, de 1930: Eu quero amar, amar perdidamente / Amar só por amar: Aqui...além... / Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... / Amar! Amar! E não amar ninguém!
Gilka Machado
Seus poemas recheados de sensualismo revelaram novas maneiras de expressar o erotismo feminino no começo do século XX. Poeta simbolista, Gilka Machado produziu textos escandalosos para a sua época. “Meu glorioso pecado” de 1928 é feito só de poemas eróticos.
Hilda Hilst
Mulher furacão, maldita, pornográfica e escandalosa, qual seria o melhor adjetivo para definir Hilda Hilst? Uma mulher à frente de seu tempo, foi uma das mais talentosas escritoras brasileiras. Escandalizou a alta sociedade paulista ao despir os seus versos de todos os pudores e puritanismos possíveis. Em mais de meio século de atividade literária, Hilda Hilst escreveu poesia, ficção, teatro e crônica. Especialmente os livros “O Caderno Rosa de Lori Lamby” e “A Obscena Senhora D” apresentam conteúdo altamente erótico. Hilda morreu aos 73 anos.
Rachilde
Rachilde abalou a Europa no fim do século XIX. Seu nome verdadeiro era Marguerite Aimery. O romance “Monsieur Vênus” conta a história de um homem que trai a sua jovem esposa com outro homem. A obra valeu-lhe a pena de um ano de prisão. Suas publicações sempre causaram polêmica. Entre elas estão “A Animal” (a respeito de uma ninfomaníaca) e “Os Fora-da-Natureza” (história da paixão homossexual de um nobre pelo seu próprio irmão).
Safo
A poesia de Safo dirigi-se principalmente a mulheres, por isso ela é conhecida como a primeira lésbica da História. A moralidade e a hipocrisia condenaram Safo durante toda a vida literária. No século XI sofreu a maior das punições: toda a sua obra foi queimada pela Igreja. Seus livros são considerados um dos momentos culminantes da lírica grega. Leia o trecho do poema “A uma mulher amada” de Safo: Sinto um fogo sutil correr de veia em veia / por minha carne, ó suave bem querida / e no transporte doce que a minha alma enleia / eu sinto asperamente a voz emudecida.