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01/06 - 12:00
Depressão pós-parto
O distúrbio que transforma o sonho de ser mãe em pesadelo
Milene Moreto
Ainda que seja desejada, a gravidez transforma a vida da mulher. Durante nove meses ela irá passar por um período tenso, de ansiedade, expectativa e conflitos, além das transformações corporais. Depois do nascimento uma nova rotina terá de ser estabelecida, e, com isso, surge uma série de fatores psicológicos que contribui para uma das doenças mais temidas pelas mães: a depressão pós-parto.
De acordo com a psicóloga Rita Kather, as mães passam por diversas emoções durante a gestação: “São nove meses de ansiedade, transformações e mudanças na relação com o trabalho. Nesse período a mulher começa a ter outra perspectiva sobre a vida. Acumula também a tensão psicológica associada à liberação de hormônios. Se muitas mulheres passam por uma desestruturação psicológica no decorrer de sua vida, o quadro piora depois de engravidar”, afirma ela.
O bebê nasceu e agora começa uma outra relação. A mãe precisa se adaptar ao estresse dessa nova fase. Segundo a psicóloga, todas as gestantes correm o risco de ter depressão. “Muitas mulheres sofrem um bloqueio. Não conseguem aceitar a maternidade, o fato de terem de amamentar, de perderem o lazer e ainda dar conta do trabalho. “O grande perigo nessa etapa é quando as mães se entregam à depressão e não buscam a cura. A doença surge logo no primeiro ano, depois do nascimento. Ela deixa de curtir essa fase do filho e, portanto, não forma vínculo com a criança”, diz Rita.
A psicóloga conta casos onde o problema se agravou e a mãe, desesperada, tentou jogar o filho pela janela. “Toda a atenção nesse período é essencial. O marido deve ficar atento aos sintomas da doença. Se houver suspeita de depressão, procure um especialista para ajudar a mãe nessa fase para que ela e o bebê aproveitem o melhor da maternidade sem traumas”, diz a psicóloga.
Depois de ter dois filhos, Maria Lúcia Arruda encarava a maternidade como algo maravilhoso. Na terceira gravidez ela se deparou com a depressão: “Eu já era mãe, não tive problemas nas duas gestações anteriores. Mas quando engravidei da caçula o mundo desabou. Mesmo assim foi difícil aceitar que eu estava doente”, disse.
Hoje Camila tem 11 anos e a relação com a mãe ainda é difícil. Nos primeiros anos, a construção do vínculo entre as duas passou por diversas etapas. “Era meu marido quem cuidava dela. Não consegui segurar o bebê. Sentia raiva, medo, insegurança. A sensação é de querer sumir e deixar tudo para trás. Ainda tem a culpa, de não ter cuidado da minha filha nesse período, dela ter mais apego ao pai”, contou.
Mesmo depois de aprender a lidar com a situação, as duas sentem dificuldade de aproximação. “Eu fui muito ausente e o fato do pai ter sido a referência dela nos primeiros anos dificultou nossa intimidade. Hoje eu e ela fazemos tratamento para tentar reverter esse quadro. Eu amo a minha filha e tenho certeza que o sentimento é recíproco. Agora, o objetivo é construir uma nova relação”, afirmou Lúcia.
Sintomas da depressão
- A mãe se afasta da criança
- Bloqueio nos cuidados com o bebê
- A mãe negligencia os cuidados com ela
- Apatia
- Mania de perseguição
- Insônia
- Isolamento
-Tristeza
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