A vida de quem acompanhou e foi parte das transformações da década de 50

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A década de 50 foi um período de transição. Principalmente quando o assunto é a mulher e suas conquistas. Foi a época de Marilyn Monroe e Brigitte Bardot. A mulher era feminina, glamourosa, e ainda buscava o seu próprio caminho. Algumas ousavam transgredir. Como D. Leda.

Leda Ulson Mattos, hoje uma avó de 83 anos, passou por transformações típicas desse período. Foi a primeira professora da Escola de Enfermagem da USP a fazer um doutorado pela própria escola. Viajou sozinha para estudar nos Estados Unidos e desde cedo aprendeu o valor real de uma educação de qualidade.

Faculdade, pós-graduação no exterior e doutorado
Eu me formei em Química, na USP. Na época, as turmas eram pequenas com oito ou nove alunos, no máximo três eram mulheres. Não era muito comum mulher estudar. Terminei a faculdade em 1950 e logo arranjei emprego. Fui estagiária em alguns lugares interessantes como o Instituto Butantã.

Em 1951 eu ganhei uma bolsa de estudos e fui para os Estados Unidos me especializar em nutrição. Meu pai foi criticado por ter me deixado ir sozinha para outro país e ainda por cima para estudar. Mas ele sempre dizia que a melhor herança que a gente pode deixar para um filho é o diploma.

Quando voltei, resolvi fazer doutorado. Fui a primeira professora da escola de enfermagem a fazer doutorado na própria escola.  

Dois filhos e dois empregos
Eu fui contratada pela escola de enfermagem da USP, nessa época já tinha dois filhos e havia me separado. O meu ex-marido não se importava se eu trabalhasse ou estudasse. Eu dava aula das 8h às 16h30, voltava para casa, ficava um pouco com os meus filhos e ia para São Roque de ônibus, onde eu também dava aulas. Saia de lá às 23h, chegava em casa às 00h30. Quando eu chegava, é claro, as crianças já estavam dormindo. Eu via pouco os meus filhos nessa época, uma hora no máximo por dia, entre um emprego e outro. Mas acho que o importante não é o número de horas que você fica com seus filhos, mas sim o que faz nas horas em que está com eles. Eu dava muita atenção, me preocupava em não ser ausente.

Passei a ficar mais em casa quando passei a dar aulas em tempo integral na escola de enfermagem e deixei de dar aulas em São Roque. O meu pai sempre disse que nosso futuro estava no estudo por isso eu sempre me dediquei muito e estudei bastante. Depois de uns anos fui chamada para ser diretora da escola de enfermagem.

Orgulhos de uma vida
Eu criei um laboratório de pesquisa na Escola de Enfermagem. Na época eu estudava a desnutrição e senti a necessidade de ter um espaço dedicado à pesquisa. Com o tempo, eu me aposentei, e o hoje o laboratório tem o meu nome. Eu comecei a parte de pesquisa lá e me orgulho muito disso, dessa herança que eu deixei.

Já no lado pessoal eu tenho um grande orgulho de sozinha ter conseguido que meus dois filhos tenham se formado e também de ter chegado onde cheguei na escola de enfermagem. Continuo com a filosofia do meu pai: a melhor herança que a gente pode deixar para os filhos é a educação, o estudo.

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