Campanha Mundial do Laço Branco chega aos campos de futebol escoceses e mobiliza os homens pelo fim da violência contra a mulher

Marcha da White Ribbon na Inglaterra, em 2007
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Marcha da White Ribbon na Inglaterra, em 2007
Hoje e amanhã, juízes oficiais de três ligas escocesas de futebol entrarão no gramado usando laços no braço, em colaboração com a Campanha Mundial do Laço Branco (White Ribbon Campaign) pelo fim da violência contra a mulher.

O foco principal da campanha – e seu diferencial – é envolver o sexo masculino no combate à violência contra a mulher. Com isso, de acordo com afirmação feita por um dos chefes da Federação Escocesa de futebol, Hugh Dallas, ao jornal britânico Daily Record, a proposta da ação é atingir um público amplo e variado para que se conscientizem sobre o assunto. Dallas disse que todos os árbitros estão satisfeitos por apoiarem a campanha: “É essencial destacar uma questão tão importante”, completou.

Também Lily Greenan, da Women’s Aid escocesa, organização que luta pelo fim da violência contra mulheres e crianças, diz que o envolvimento masculino é essencial. “A participação dos árbitros na Campanha do Laço Branco envia uma mensagem sobre o caráter inaceitável da violência doméstica e que todos os homens podem desempenhar um papel para acabar com ela”, alega.

Segundo jornal local da capital escocesa, Edimburgo, dados da violência doméstica foram divulgados nesta semana pelo governo do país e apontam 53.681 casos de agressão contra a mulher somente no ano passado. De todas as denúncias feitas à polícia no mesmo período, a violência doméstica representou 84% dos casos.

Diferencial da Campanha do Laço Branco,
presente em vários países, é apostar na
mobilização masculina pelo fim da violência
contra as mulheres
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Diferencial da Campanha do Laço Branco, presente em vários países, é apostar na mobilização masculina pelo fim da violência contra as mulheres
Brasil
No Brasil os números também são altos. Aqui, a Campanha do Laço Branco também está presente e teve sua última ação realizada esta semana no Mercado de São José, em Recife, Pernambuco. Com cartazes, panfletos, fitinhas do Laço Branco e informações sobre a Lei Maria da Penha , organizadores e educadores chamaram a atenção, principalmente do público masculino, para a importância de colocar fim ao problema. As ações da Campanha já passaram por Florianópolis, Rio de Janeiro e cidades do interior de São Paulo.

Segundo o site oficial brasileiro ( www.lacobranco.org.br ), 260 mulheres foram assassinadas em 2009 somente em Pernambuco e, de acordo com estudo realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), cerca de 300 mil mulheres sofrem agressões por parte de maridos ou companheiros em todo o país.

A Campanha do Laço Branco começou em 1991, no Canadá, motivada pelo infame episódio do “Massacre de Montreal”: em 1989, um rapaz de 25 anos entrou armado de um rifle na École Polytechnique, uma tradicional faculdade da cidade, e assassinou 14 mulheres, cometendo suicídio em seguida. A razão da atitude foi explicada em carta deixada pelo jovem, que afirmava não suportar que elas estudassem engenharia, curso que, na opinião dele, deveria ser somente realizado por homens.

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