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12/11 - 18:01

Mulheres no poder
Nessa semana, a mulher que ocupa o lugar de destaque nas páginas de política internacional não vem do ocidente. 

Mayara Geraldini

Em meio a crise política do Paquistão, a ex-primeira ministra do país, Benazir Bhutto, resolveu desafiar o presidente ditador Pervez Musharraf ao exigir o fim do estado de emergência decretado na semana passada (03/11) convocar protestos no norte do país.

Mais sobre Benazir Bhutto
Benazir Bhutto foi por duas vezes primeira-ministra, aliás ela foi a primeira mulher a ocupar um cargo de chefe de governo de um estado muçulmano moderno. Bhutto estudou nos Estados Unidos e na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Filha de um político, o primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhuto, ela voltou ao Paquistão em 1977.

Elas no poder pelo mundo
Aqui na América Latina o destaque feminino no mundo da política atual fica por conta de Cristina Kirchner. Ela acaba de passar de primeira-dama para presidente da Argentina, desde que foi eleita no fim de outubro.

Em outro país, um pouco distante e bem mais desenvolvido e poderoso, outra ex-primeira dama briga para sair como candidata à presidência. Hillary Clinton é, até o momento, favorita para representar o partido dos Democratas nas próximas eleições presidenciais norte-americanas em 2008.

Primeiras-damas de lado, essa disposição pode estar relacionada apenas ao fato das mulheres estarem participando cada vez mais do cenário político. Entre os vizinhos de Cristina Kirchner, temos Michelle Bachelet na presidência do Chile e, entre os mais longínquos e desenvolvidos, a chanceler alemã Ângela Merkel, considerada a mulher mais poderosa do mundo pela revista Forbes, seguida pela secretária de Estado americana Condoleezza Rice.

Elas surgem como esperança para o fim da corrupção e da impunidade que vem assombrando a política. Segundo uma pesquisa do Vox Populi, as mulheres são consideradas mais confiáveis, honestas e responsáveis do que os homens.



* Tabela tirada do Informequim

Poder feminino no Brasil
Entre as super poderosas do governo brasileiro, Dilma Rousseff dirige o mais importante dos ministérios. Ela assumiu a Casa Civil depois que José Dirceu deixou o cargo no caso mensalão. Junto com ela, ainda somos representadas pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e por Marta Suplicy, no Ministério do Turismo.

Nas últimas eleições presidenciais (2006), Heloisa Helena mostrou o quanto as mulheres vêm tomando conta do cenário político ao tornar-se a primeira candidata do sexo feminino para presidente da República no Brasil.

Esse fenômeno é conseqüência de uma tendência global formada por uma nova geração de mulheres, que, aos poucos, e com mais representatividade, estão alcançando patamares relevantes e de igualdade em relação aos políticos homens.

Poderosas e internacionais
Na Alemanha, Ângela Merkel foi a primeira chanceler do sexo feminino a chefiar o governo do país, além de ser eleita, pela segunda vez, como a mulher mais poderosa do mundo pela revista Forbes.

Entre as primeiras a calcarem o degrau mais alto da política latino-americana, Michelle Bachelet conquistou a presidência do Chile durante o ano passado. Ainda não presidenciável, mas tão importante quanto para a luta pelo espaço feminino no mundo político, a francesa Ségolène Royal recentemente esteve perto de conquistar presidência da França, mas acabou perdendo as eleições no segundo turno para Nicolas Sarkozy.

Hillary Clinton, senadora americana pelo estado de Nova York, vem despontando como forte candidata para disputar a presidência dos Estados Unidos em 2008. Se isso ocorrer, a mulher do ex-presidente Bill Clinton será a primeira a se candidatar para o cargo no país.

Também nos EUA, a atual secretária de Estado Condolezza Rice é o braço direito do presidente George W. Bush. Assim como Hilary, ela também está cotada para participar das eleições americanas do ano que vem. Caso seja eleita, Condolezza Rice pode ser a primeira mulher e a primeira negra a ocupar o cargo.

Entre as britânicas, pouco antes do liberal Tony Blair, a conservadora Margareth Thatcher abriu caminho ao ser eleita primeira-ministra da Inglaterra. Conhecida como a "Dama de Ferro", foi líder do Partido Conservador e exerceu o cargo de 1979 a junho de 1990, consagrando-se como uma das políticas mais poderosas do mundo.

De onde vem essa popularidade?
As mulheres começaram a conquistar igualdade de direitos e representatividade no mercado de trabalho no dia 8 de março de 1857, quando operárias de uma fábrica de tecidos de Nova York fizeram uma grande greve para reivindicar direitos trabalhistas iguais aos dos funcionários do sexo masculino.

Depois dos movimentos feministas e da queima de sutiãs na década de 60, elas conquistaram o direito de voto e hoje representam maioria no eleitorado brasileiro (51,53%).

No entanto, ser maioria não tem significado sem a consciência do voto. Na era da informação, talvez seja tempo de buscar conhecimento e reflexão para acabar com as reclamações excessivas e desenfreadas e reformular as cobranças de forma mais precisa e pontual. Além de priorizar a educação: sem ela qualquer direito de voto perde o valor.

A educação é o embasamento para a quebra de preconceitos culturais contra a mulher e o começo para pensamentos e possibilidades de escolhas mais conscientes.

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