Mudar um filho de escola é uma decisão difícil, mas às vezes necessária e compensadora

Você começou a reparar que todos os dias seu filho volta triste e desmotivado da escola. Não quer fazer a lição e não se interessa pelos amigos e atividades do grupo. Esses podem ser indícios de que o planejamento escolar precisa de mudanças.

Trocar a criança de escola não é uma decisão fácil, já que muitos pais escolhem a instituição por ser perto de casa, ter boas referências e ainda, por conhecer os professores. Mas, de acordo com a pedagoga Graça Coutinho, apesar de muitas instituições possuírem um ótimo sistema de ensino, o fundamental é avaliar a felicidade da criança: Muitos pais se preocupam com a formação visando o ingresso do filho na universidade. Sequer verificam se eles gosta de freqüentá-la. A criança tem o direito de escolher, e essa formação prepara os jovens para a vida, e não apenas para o vestibular, afirma.

Para ela, quando a criança começa a apresentar problemas, não quer ir para a aula, está insatisfeita ou desmotivada, é hora de questionar e tentar descobrir os motivos: Perguntar o que está acontecendo e o porquê da insatisfação é o primeiro passo. Se o filho não quiser permanecer naquela instituição de ensino, esse é um direito dele que deve ser respeitado, afirma Graça. Ela comenta ainda o despreparo dos profissionais em lidar com um alunos que são diferentes: Essa é uma falha de alguns professores, que são mal formados e informados. Ninguém quer ter o rótulo de ser diferente. O que acontece muito são profissionais despreparados que rotulam alguns de seus alunos, o que leva muitas crianças ao ostracismo.

Os problemas na escola começaram quando o filho de Eliane Santos tinha sete anos. Pedro apresentou dificuldades de aprendizado que não foram detectadas pelo professores. Eu cheguei a conversar diretamente com a direção do Colégio, pois percebia que o meu filho estava desatento nas lições. Fiz um acompanhamento com uma psicopedagoga e uma série de exames para saber qual era a razão daquela dificuldade. Ninguém descobria e consideravam a desatenção normal para a idade, conta Eliane.

Depois de quase dois anos, quando Pedro já tinha completado nove anos, a mãe chegou ao limite. Me lembro muito bem de quando decidi trocar o meu filho de escola. Era véspera de feriado e a professora tinha mandado no caderno de lições um recado para que eu o ajudasse a completar o dever. Quando eu abri o caderno dele comecei a chorar. Ele me disse mãe acho que tenho a cabeça fraca. Eram páginas e páginas em branco. Aquilo realmente não estava normal. Então, procurei outras profissionais que me aconselharam a fazer um exame de audição, disse a mãe. O resultado chegou e o diagnóstico de Pedro era uma falha no sistema auditivo central. Qualquer barulho distraía o meu filho, e na sala de aula ele não conseguia manter a atenção por muito tempo. Esse é um problema que deve ser tratado o quanto antes e tem cura. Ele estava naquela escola desde os três anos de idade. É inadmissível que ninguém tenha percebido, afirmou Eliane.

Ela esperou Pedro terminar a série e, no ano seguinte, visitou várias escolas junto com o filho para fazer a escolha. Fiz questão de que ele fosse em todas elas. Claro que inicialmente ele odiou a mudança, mas entendeu. Hoje ele consegue acompanhar todo o conteúdo. É o melhor da turma em matemática e está satisfeito com os novos amigos, ressaltou a mãe.

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