Fundo suíço já levantou US$ 200 milhões para estimular empresas que são dirigidas por mulheres

Cherie Blair, advogada e esposa do ex-Primeiro
Ministro britânico Tony Blair, integra a
comissão de diretores do fundo
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Cherie Blair, advogada e esposa do ex-Primeiro Ministro britânico Tony Blair, integra a comissão de diretores do fundo
Uma empresa de investimentos suíça pretende despertar a consciência em relação à escassez de mulheres em cargos de direção pelo mundo – e ainda gerar retorno financeiro para seus investidores neste processo.

Sediada em Zurique, a Naissance Capital dará início em janeiro ao Women’s Leadership Fund (em tradução, “Fundo de Liderança Feminina”), que irá investir em empresas que contam com mulheres em sua diretoria. A empresa suíça também planeja adquirir participações minoritárias em companhias que não têm mulheres ocupando cargos de direção e fazer uso de seus direitos de propriedade para estimular mudanças.

R. James Breiding, um dos fundadores da Naissance Capital e ex-diretor da Rothschild Corporate Finance, disse que o fundo foi criado depois de diversos estudos mostrando a correlação entre o número de mulheres em cargos de diretoria e o desempenho das empresas em que trabalham. “Percebemos que empresas que escolhem e contratam as pessoas com base em seus méritos se saem melhor. A maior diversidade e a independência de opiniões ajudam”, disse ele.

Algumas integrantes da comissão de diretores do fundo são Kim Campbell, ex-primeira ministra da Canadá; Cherie Blair, advogada e esposa do ex-primeiro ministro britânico Tony Blair; e Jenny Shipley; ex-primeira ministra da Nova Zelândia.

A Naissance conseguiu levantar US$ 200 milhões de investidores institucionais e individuais, espalhados por 30 a 40 empresas pelo mundo, e pretende aumentar o fundo para cerca de US$ 2 bilhões. O investimento mínimo é de US$100 mil. Fundada em 1999 e especializada nos chamados “nichos para oportunidades de investimentos”, a Naissance faz parte do grupo de empresas que criaram fundos nos últimos três anos para investir em companhias que contam com executivas seniores.

Outras iniciativas
A empresa inglesa Stargate Capital está em processo de criação de um segundo fundo de capital de risco, no valor de cerca de 10 milhões de libras (US$16 milhões), para dar apoio a mulheres empreendedoras. O fundo de Genebra Amazone Euro já investiu em empresas que contam com mulheres em cargos de diretoria. Dois estudos conduzidos separadamente pelas firmas de pesquisas corporativas McKinsey e Catalyst, em 2007, mostraram que as empresas europeias e americanas com um maior número de mulheres em cargos de diretoria eram mais lucrativas. Os estudos não apontaram as causas específicas de tal correlação.

A crise bancária e o colapso do Lehman Brothers inflamaram o debate sobre a relação entre mulheres ocupando cargos seniores e a melhoria na governança corporativa. A ministra britânica para as Mulheres e Igualdade, Harriet Harman, chamou a atenção ao fato relacionando a falta de mulheres em cargos seniores na indústria financeira como uma das causas da crise. Ela fez um trocadilho ao dizer que se o Lehman Brothers (“brothers”, irmãos em inglês) fosse “Lehman Sisters” (“sisters”, irmãs em inglês), a empresa teria sobrevivido.

Uma análise custeada pelo governo britânico em torno da governança corporativa será publicada no próximo mês, o que pode exercer certa pressão nas empresas para promover a igualdade de gêneros dentre seus diretores.

Segundo dados da empresa de consultoria 20-First, a Europa ainda está atrás dos Estados Unidos na igualdade de gêneros nos cargos de direção. Aproximadamente 68% de empresas europeias não contam com mulheres em seu comitê executivo, comparado aos 11% nos Estados Unidos. Na Ásia, o percentual é de 82%.

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