Conheça as espécies mais comuns e saiba como identificá-las

Os cupins não comem concreto, mas aproveitam as fissuras para chegar à madeira
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Os cupins não comem concreto, mas aproveitam as fissuras para chegar à madeira
Tudo começa com um pó fino aqui, caminhos nas paredes acolá. E, de repente, se descobre que vários móveis de casa se transformaram em abrigos de cupins. Porém, para reconhecer os vestígios desses animais é necessário conhecer um pouco mais sobre cada uma das espécies de cupins.

De acordo com o pesquisador da Unidade Laboratorial de Referência em Pragas Urbanas do Instituto Biológico de São Paulo, João Justi Júnior, em áreas urbanas há três espécies mais comuns.

A primeira delas, popularmente chamada de cupim de madeira seca, pertence ao gênero Cryptotermes e forma colônias com cerca de mil indivíduos, que se alojam diretamente na peça infestada.

“Essa espécie não afeta árvores vivas, somente madeira morta na forma de tronco, móveis, portas”, explica Justi. Segundo ele, os integrantes dessa colônia eliminam dejetos fecais na forma de pequenos grânulos, semelhantes à areia grossa, o que denuncia sua presença.

Cupins de solo

Outra espécie comum nas cidades é a conhecida como cupim subterrâneo ou cupim de solo. Pertence ao gênero Coptotermes, ele não é nativo do Brasil. Esse tipo de cupim caminha exclusivamente sob o solo ou em túneis e, ao buscar alimento, pode se afastar até 100 metros de sua colônia que também fica embaixo da terra.

Apesar dos hábitos subterrâneos, os cupins Coptotermes se reproduzem através da revoada. São os famosos siriris. “Machos e fêmeas com asas voam do ninho, vão ao chão, se acasalam e fundam uma nova colônia nos meses mais quentes e úmidos do ano”, diz Justi.

Para identificá-los, o pesquisador dá a dica. “Os locais infestados ficam recobertos por pequenas placas fecais (manchas) de coloração clara.”

O terceiro gênero é o Heterotermes, que também é conhecido como cupim de solo e possui hábitos semelhantes aos do gênero Coptotermes.

O professor Odair Corrêa Bueno, do Centro de Estudos de Insetos Sociais da Unesp, lembra ainda que são essas espécies chamadas de subterrâneas que fazem caminhos no concreto. “Eles não comem o concreto. Acham uma falha ou quando o concreto está fraco e abrem caminho para achar a madeira.”

De acordo com o especialista João Justi Júnior, as três espécies têm grande poder de adaptação. “Cupins viviam muito bem decompondo matéria orgânica nas florestas, ajudando na reciclagem de nutrientes. O homem cortou a floresta, construiu casas e o cupim se adaptou a esse ambiente modificado, pois aí encontrou água, abrigo e alimento sem a concorrência de predadores”, explica.

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