Segundo pesquisa, 95% dos jovens jogam sem problemas e tempo passado diante do monitor não está ligado à dependência

Sinais de dependência, como ser incapaz de deixar de jogar, não tem nada a ver com o tempo passado na frente do videogame
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Sinais de dependência, como ser incapaz de deixar de jogar, não tem nada a ver com o tempo passado na frente do videogame
Estudo publicado na semana passada aponta que, embora jogar videogame seja uma atividade inofensiva para a maioria dos adolescentes, uma pequena porcentagem de gamers pode estar exageradamente envolvida pelo passatempo.

Baseada em uma extensa pesquisa envolvendo mais de 4.000 alunos do ensino médio de Connecticut, nos Estados Unidos, a análise constatou que, dentre aqueles que jogavam games no computador ou em um console de vídeo, apenas 5% relataram sinais indicativos de obsessão pelos jogos – como vontade irresistível de jogar, tentativa frustrada de evitar a atividade e sensações de tensão aliviadas somente ao jogar. Tais comportamentos são similares aos sinais de alerta no diagnóstico de dependência ao álcool, às drogas e aos jogos de azar.

Os pesquisadores constataram que, dentre os 95% dos gamers que não se enquadraram na categoria problemática, houve poucas evidências de que jogar estivesse relacionado a quaisquer efeitos negativos na saúde ou nas atividades acadêmicas. Os adolescentes que jogavam videogames não apresentaram maior probabilidade de beber ou usar drogas, além de apresentarem, inclusive, menor probabilidade de fumar.

Uma exceção apareceu entre as garotas gamers: elas apresentaram maior probabilidade de envolvimento em brigas mais graves. Mas a grande maioria das meninas participantes do estudo não relatou nenhum comportamento violento grave.

As constatações, relatadas na revista especializada “Pediatrics”, apontam que os videogames fazem parte do comportamento normal para a maioria dos adolescentes. Rani A. Desai, principal pesquisadora do novo estudo, comentou por e-mail que resultados de estudos anteriores levaram pessoas a acreditar que os videogames poderiam causar comportamentos agressivos nos adolescentes. “Mas, pesquisas muito cuidadosas, assim como este estudo, não apoiam esta ideia”, disse ela. Para realizar a pesquisa, Desai e seus colegas da Escola de Medicina da Universidade de Yale entrevistaram 4.028 estudantes sobre a prática de jogos eletrônicos e vários outros comportamentos relacionados à saúde.

No total, 76% dos garotos e 29% das meninas disseram que jogavam videogames ou jogos de computador. Dentre eles, 6% dos meninos e 3% das meninas relataram sinais de problemas com a prática. Em comparação ao uso de videogames em geral, a prática problemática foi relacionada a riscos mais altos de desenvolver depressão, tabagismo, uso de drogas e envolvimento em brigas com meninos e meninas. Dentre os adolescentes que já fumavam regularmente, por exemplo, 8% deles eram gamers problemáticos, contra 4% que disseram que nunca haviam fumado. Mas, segundo os pesquisadores, ainda não está claro se a prática exagerada de jogos eletrônicos causa ou não tais problemas, se a mesma foi um resultado deles ou simplesmente coexistia com uma tendência à dependência.

Índice consistente

“A correlação não é igual à causalidade. Adolescentes fumantes podem igualmente apresentar maior probabilidade de desenvolver problemas com os games – e não ao contrário. Não podemos afirmar nada com estes dados”, disse Desai. Segundo a equipe da pesquisadora, a conclusão é que o índice de problemas com games dentre os adolescentes “é baixo, mas não insignificante”. Embora a amostra do estudo consistisse de escolas de um único estado, Desai ressaltou que o índice de gamers problemáticos de 5% é consistente com outros índices de diversos distúrbios compulsivos já estudados.

Segundo Desai, existem alguns sinais de problemas aos quais os pais devem ficar atentos. Ela diz que a quantidade de tempo que os adolescentes passam jogando não é, por si só, um sinal definitivo de problema. “Mas, se o adolescente está negligenciando a escola e as atividades sociais que não estão relacionadas aos games, ou se não está se alimentando ou dormindo para poder jogar, estas sim são razões preocupantes”, ela complementou.

Desai aconselha que os pais preocupados com os filhos gamers comecem levantando a questão junto ao pediatra. Se necessário, o médico pode recomendar um profissional da área de saúde mental.

(Tradução: Claudia Batista Arantes)

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