Felipe, montado em uma lhama, e os pais viajantes: enfrentando a altitude de Bogotá
Viajar e sair da zona de conforto é um desafio e tanto. Mais ainda quando o objetivo é explorar novos destinos na companhia dos pequenos. Pois é assim, sempre com as malas de um lado e os filhos do outro, que muitas famílias se aventuram a conhecer o mundo, derrubando aquela ideia de que viajar com bebês ou crianças para lugares inóspitos é, senão impossível, altamente desaconselhável.
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“Toda viagem com criança é possível”, prega Claudia Pegoraro. Criadora do blog O Pequeno Viajante, ela narra as viagens feitas com seu filho Felipe, de apenas 2 anos. Claudia se baseia na experiência: com tão pouca idade, Felipe é dono de um passaporte invejável. Já conhece cerca de 16 países, como Nepal, Índia, Rússia, Mongólia, China, Colômbia, Canadá, Uruguai, Paraguai e Argentina, além de diversos estados brasileiros.
A estreia na estrada, ou nas longas horas de avião, aconteceu antes de Felipe completar três meses. “Como vimos que não era nenhum bicho de sete cabeças, fomos tomando cada vez mais coragem”, diz a mãe. Para Claudia, se Felipe sobreviveu à falta de estrutura da Índia – “onde há sujeira, falta de produtos básicos, como fraldas, a comida não ajuda e a questão do saneamento é precária” – dá para fazer de tudo. Neste momento, a família Pegoraro está em Bangcoc, na Tailândia, destino que faz parte de um projeto para lá de ousado: uma volta ao mundo em cinco meses.
Felipe, ao lado do carrinho, espera o transporte para a hospedagem em Katmandu, no Nepal
Cuidados redobrados – e compensados
Viajar com filhos pequenos para lugares inusitados e com pouca estrutura demanda cuidados redobrados: verificar se a carteira de vacinação está em ordem, providenciar vacinas específicas para doenças endêmicas nos países visitados, levar sempre um kit com os remédios habituais dos filhos, além de brinquedos, livros e outros objetos favoritos, para sempre ter uma referência de “casa” à mão (veja aqui mais dicas para viajar para locais exóticos com crianças). “Tudo tem que ser muito bem planejado, pensado. Dá trabalho, porque depois de um dia inteiro passeando, você chega exausta no hotel e ainda tem que lavar roupa na pia, por exemplo. Mas não tem alegria maior que ver ele correndo pelo Taj Mahal, comendo uma fruta diferente, brincando com crianças de todas as raças. Toda a energia dispensada compensa”, diz Claudia.
O mais importante, segundo a pediatra Silvia Mattoso Gioielli, é tomar cuidado com a água. “Alguns países da Ásia e África, por exemplo, podem ter condições de saneamento precárias. É recomendável beber apenas água mineral e, dependendo do caso, não usar água de torneira nem para escovar os dentes. A diarreia do viajante é causada por uma bactéria que se pega no contato com a água. E é uma das queixas mais frequentes dos turistas”, explica.
Filhos e viagens ou Filhos X viagens?
Vontade de por o pé na estrada e sair por aí quase todas as famílias têm. Mas e a adaptação da criança, as horas intermináveis no avião, o fuso, a diferença do clima, a alimentação? Os questionamentos pré-viagem são tantos que, muitas vezes, determinam a escolha por um destino já conhecido e mais confortável. Mas os pais podem abrandar as dúvidas – e, consequentemente, os medos. “Viajar com filho não é nada difícil. É como viajar em grupo: você tem que se adaptar”, diz a mãe viajante Sut-Mie Guibert, francesa radicada no Brasil há 14 anos, casada com um brasileiro e mãe de Clara, de 3 anos e meio e Nina, de apenas 2 meses. Sut-Mie recomenda alternar os programas. “Um dia fazemos um programa que queremos, no outro cedemos e fazemos um programa escolhido pela criança”.
Para ela, o ponto mais importante é estar aberto à adaptação. Afinal, viajar é sair da rotina. “Eu, por exemplo, nunca liguei se minha filha tivesse que comer papinha de potinho durante alguns dias. Algumas concessões têm que ser feitas”, comenta ela, que já carregou a filha mais velha para França, Portugal, Marrocos e vários destinos brasileiros.
Entusiasta de roteiros que extrapolam a comodidade, no final do mês ela pretende seguir rumo à Bolívia. “Sempre viajei muito e nunca entendi minhas filhas como um obstáculo nesse caminho. Pelo contrário: eu adoro viajar com bebês. Eles nos seguem, dormem bastante, só mamam. Não tem nada de complicado nisso. Se você parar para pensar, há ganhos, já que eles não pagam hospedagem, passagem aérea e nos permitem certas regalias, como não enfrentar filas ou ter um tratamento melhor em hotéis e restaurantes”, observa.
Quanto antes, melhor
Começar cedo é uma dica unânime entre as mães viajantes. Luciana Misura, mãe de Julia, de três anos e meio, relata suas viagens no blog Colagem. No total, já foram 26 jornadas de avião. Em média, uma viagem a cada dois meses, para os destinos mais diversos: Londres, Paris, Holanda, Aruba, México. “A Julia viaja desde os quatro meses. Para mim, não é nada complicado viajar com ela. Os únicos lugares onde não a levaria são aqueles que oferecem riscos evidentes, como guerras civis, instabilidades sócio-políticas ou doenças em evidência por contaminação de alimentos e água. O conforto, o hotel 5 ou 2 estrelas, não faz diferença nem pra mim, nem para minha filha. Quem busca isso ou aquilo somos nós, os adultos”, revela Luciana.
Cada idade da criança tem suas facilidades e dificuldades. Um bebê não tem vontade própria, sendo conduzido pelo desejo dos pais. Já a partir dos três anos, ela expressa gosto ou cansaço de acordo com a programação. “No caso das crianças maiorzinhas, uma boa dica é envolvê-la antes da viagem. Filmes, desenhos, tudo que fizer referência ao passeio pode confortar a criança, além de fazê-la participar de todo planejamento”, sugere Luciana, que alugou “A Princesa e o Sapo” e “Ratatouille” para assistir com Julia antes das viagens para Nova Orleans e Paris.
Bebê ou criança, um filho aumenta a responsabilidade, o volume da bagagem e diminui o ritmo da viagem. As mães viajantes concordam que os prós prevalecem. Mas que ganhos reais os filhos, com tão pouca idade, têm com essas vivências? Segundo a psicóloga Renata Guarido, crianças com até cerca de três anos e meio de idade registram as experiências pelo prazer. “A relação delas com o mundo é intermediada pelos adultos. Portanto, se as viagens têm um significado afetivo, um valor a ser compartilhado pela família, a criança atribuirá também um valor àquela experiência”, explica a psicóloga. “Se não existe o risco de um perigo real, que pode virar um trauma, não vejo porque não ofertá-la com a possibilidade de conhecer lugares incríveis”, conclui.
Para as mães, as viagens acrescentam muito mais aos filhos. “A Julia foi para o México com menos de dois anos e, de tanto ouvir as pessoas falarem “gracias”, ela mesma começou a falar, empregando a palavra direitinho”, comenta Luciana. “Não espero que minha filha se lembre de tudo que viu nessas viagens. Meu objetivo é despertar um olhar, uma curiosidade, fazê-la experimentar o novo, o diverso”, define Sut-Mie.
Independentemente de como as experiências fora de casa vão influenciar as crianças, para estas mães viajantes o mais importante é a companhia insubstituível dos filhos. A possibilidade de ficar com eles, sem a interferência dos apoios habituais da rotina, como babás, avós e escola, dá todo sentido à viagem. “Não tem nada melhor para uma criança do que estar 24 horas com o pai e a mãe. Nessas viagens, o Felipe fica o dia todo sendo estimulado por nós e por tudo que ele conhece e aprende. Não há nada mais gratificante, tanto para ele como para nós”, diz a mãe Claudia Pegoraro.
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Discordo completamenta. JA fui com meus filhos para destinos exóticos como a Tailândia e para outros bem mais conehcidos. Quando era pequena meus pais me levaram para conehcer o Brasil e a América Latina. Amei e continuo amando. MEus filhos que hoje tem 7 e 2 anos curtem cada vez mais. Se eles não lembrarem, pelo menos estão aprendendo a respeitar e conhecer outras culturas, outras culinárias, outros costumes. Além disto estão passando momentos super gostosos com a família toda reunida! Se eles não lembrarem, eu e meu marido vamos lembrar !
Responder comentário | Denunciar comentárioConcordo com a Kity, o risco de acontecer algo grave é muito grande, pois até uns 3 anos todo o sistema de resistência da criança ainda está em formação e corre-se o risco de ela ficar doente. Já imaginou pegar uma infecção na Índia? Acho que não compensa o risco não e posso estar enganado mas acho isso um pouco de egoísmo, pois quem curte esse tipo de viagem são os pais e não as crianças!!!
Responder comentário | Denunciar comentárioOs pais já estão ensinando o bebezinho a tratar os animais como coisas. E assim caminha a humanidade.
Responder comentário | Denunciar comentárioEu discordo totalmente quanto a levar crianças menores de 7 anos para destinos longínquos, primeiro, pelos riscos que correm essas crianças, em termos de alimentação, cuidados médicos, etc, outro fator é pelo cansaço que proporciona não só aos pais como aos pequenos também, e por último, uma criança muito pequena, não terá lembrança de nada do que viveu, pois a gente se esquece muito facilmente quando pequenos. Portanto, como bagagem cultural, para a criança em especial, para mim é zero.
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