Mesmo não confirmado, caso de mãe que injetou botox na filha de sete anos reacende discussão sobre procedimentos estéticos para crianças

Vaidade infantil: pais devem impor limites e intervenções radicais estão descartadas
Getty Images
Vaidade infantil: pais devem impor limites e intervenções radicais estão descartadas
Recentemente, um tabloide inglês publicou uma matéria sobre uma mãe que não só injetava botox na filha de sete anos, mas também havia feito maquiagem definitiva nas sobrancelhas da menina. Embora não confirmada, a história se alastrou pela web e representa um alerta para os perigos de uma corrida pela beleza iniciada cada vez mais cedo, muitas vezes estimulada pelas mães. “Esse tipo de procedimento estético não é recomendável em pessoas tão novas, que ainda estão em formação física e psicológica”, explica Sebastião Guerra, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.



Leia também
Meninas brincam de princesa em concurso de miss
Mãe, quero ser loira!

O médico conta que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica teve conhecimento de dois casos semelhantes e tomou as medidas necessárias para que os procedimentos estéticos nas crianças fossem interrompidos. Segundo ele, antes de se fazer qualquer intervenção deste gênero, é preciso uma avaliação cuidadosa da criança e de suas necessidades por um grupo de médicos e psicólogos.

Para Filumena Gomes, médica pediatra do Instituto de Pediatria da USP, outra questão é a sexualização precoce. A injeção de botox torna os lábios mais chamativos e a intenção aí seria a de transformar uma menina em mulher. “A criança ainda é muito nova, não tem tantos instrumentos e habilidades internas para lidar com essa mudança na aparência e com a sexualização física e emocional”, explica a pediatra.

Eles alertam que intervenções estéticas radicais podem trazer consequências negativas tanto físicas quanto psicológicas. Silvia Martinelli Deroualle, psicanalista membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, levanta a questão das mudanças precoces, muitas vezes impostas. “A criança é quem tem que se sentir incomodada com a aparência e desejar mudar, não a mãe”, diz.

Segundo a história publicada pelo tabloide “The Sun”, Sharon Evans decidiu aplicar o botox na filha Bree por conta própria, depois que 15 médicos se recusaram a fazê-lo. Nos concursos de beleza infantis realizados nos Estados Unidos e cobertos pelas televisões locais, não é difícil vermos crianças com pesada maquiagem, cílios postiços e apliques de cabelos.

Leia também: cosméticos para crianças de oito anos causam polêmica

Os produtos usados nas aplicações de botox e preenchimento dos lábios são medicamentos que precisam ser prescritos por médicos e especialistas. E seu uso tem que ser feito por um profissional técnico adequado. Esse tipo de intervenção não é inócua, causa desconforto e mudanças na aparência. “Para a criança, passar por isso pode estar sendo um suplício”, diz Sebastião.

“O líquido injetado no lábio pode levar a uma inflamação ou infecção local. Estes são efeitos mais imediatos, mas também podem gerar uma cicatrização anômala e até a uma deformidade facial”, explica a pediatra Filumena Gomes. Além disso, como a criança ainda está em fase de crescimento não se sabe o tamanho definitivo desse lábio que está recebendo preenchimento que, no futuro, pode ficar desproporcional.

Leia também
Mãe, preciso emagrecer?

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.