Resultado de estudo adverte que problemas causados pelo tabagismo na gestação podem ser subestimados

Um novo estudo norte-americano sugere que cerca de uma em cada quatro mulheres que fumam durante a gravidez nega o fato. Estes números podem ser ainda mais altos em certos grupos de mulheres, como as que estão na faixa dos 20 anos.

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Nos Estados Unidos, o tabagismo entre as gestantes é uma da causas mais comuns de doenças e mortes de bebês que poderiam ser evitadas. O relato é de Patricia Dietz, da divisão de saúde reprodutiva do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

No estudo, a equipe de pesquisa fez uma estimativa do número de mulheres gestantes e não-gestantes fumantes, entre os 20 e os 44 anos de idade. Perguntadas, elas disseram não fumar durante a gravidez. Mas o tabagismo foi detectado em amostras de sangue que detectaram os níveis de cotinina – subproduto da nicotina que funciona como um marcador da exposição ao tabaco. As análises incluíram 994 grávidas e 3.203 outras mulheres que não estavam grávidas.

Segundo os pesquisadores, um número bem maior de gestantes não assumiu o hábito – 23% contra 9% - e foram identificadas pela concentração de cotinina nas amostras de sangue.

Por diversas razões, como o fato do organismo das grávidas processar a cotinina mais rapidamente, os pesquisadores acreditam que os resultados “provavelmente subestimam” os verdadeiros números de gestantes que continuam fumando, mas negam o hábito. Dentre os grupos de mulheres, as que demonstraram maior probabilidade de esconder o hábito foram aquelas entre os 20 e os 24 anos de idade.

Dietz e sua equipe relataram no American Journal of Epidemiology que as descobertas podem ter implicações para pesquisadores que investigam como o tabagismo durante a gravidez afeta o desenvolvimento do bebê, já que aproximadamente uma em cada quatro gestantes fumantes, e uma em cada 10 mulheres fumantes, negam o hábito de fumar.

Estudos e sistemas de vigilância que contam com informações precisas sobre o tabagismo podem estar recebendo informações inexatas, principalmente por parte das mulheres, advertem os pesquisadores.

(Tradução: Claudia Batista Arantes)

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