Mais de duas horas diárias em frente a qualquer um dos aparelhos pode resultar em problemas psicológicos, dizem especialistas

Tempo de exposição superior a duas horas pode trazer problemas psicológicos
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Tempo de exposição superior a duas horas pode trazer problemas psicológicos
Novas pesquisas constatam que pré-adolescentes que passam mais de duas horas diárias em frente à TV ou ao computador correm mais riscos de desenvolver problemas psicológicos, mesmo sendo fisicamente ativos.

A pesquisa constatou que o risco de desenvolver dificuldades psicológicas aumentou cerca de 60% quando as crianças de 10 e 11 anos de idade passavam mais de duas horas diárias assistindo TV ou jogando no computador. O estudo foi publicado no início do mês no site da revista especializada Pediatrics e deve ser capa da próxima edição impressa de novembro. 

 “Crianças que passam mais de duas horas por dia assistindo televisão ou usando o computador apresentaram riscos maiores de desenvolver altos níveis de dificuldades psicológicas, sendo ou não fisicamente ativas”. A constatação é de Angie Page, do Centro de Exercícios Nutrição e Ciências da Saúde na Universidade de Bristol, da Inglaterra, e autora do estudo.

 O estudo também relata que pesquisas anteriores relacionaram o tempo excessivo diante da TV à obesidade infantil, e tanto o uso da TV como o do computador já foram associados a problemas psicológicos e ao aumento do sedentarismo. 

Page disse que os pesquisadores decidiram realizar o estudo pois embora já se saiba que a atividade física é benéfica para a saúde física e mental das crianças, ainda não estava claro se altos níveis de atividades físicas poderiam compensar os efeitos adversos associados ao uso excessivo da TV e do computador.

Mais de 1.000 crianças de 10 e 11 anos de idade foram recrutadas em 23 escolas de Bristol e elas mesmas relataram o uso que faziam da TV e do computador. As crianças tiveram de responder um questionário sobre seus pontos fortes e fracos, através do qual foram analisadas as dificuldades psicológicas - tais como hiperatividade, falta de atenção, problemas sociais e de conduta.

“As dificuldades avaliadas pelo questionário não são coisas sutis”, frisou Alan Mendelsohn, professor associado de pediatria da New York University School of Medicine, de Nova York. “Hiperatividade, dificuldade de relacionamento com colegas e amigos, má conduta e comportamentos anti-sociais são questões extremamente importantes”. No geral, as crianças relataram passar de uma a duas horas diárias assistindo TV ou usando o computador como forma de entretenimento.

Meninos são mais ativos 

De acordo com o estudo, em média, os meninos se mostraram entre moderados e vigorosamente ativos durante 83 minutos por dia, contra 63 minutos das meninas. Crianças ativas que passaram mais de duas horas diárias em frente à TV apresentaram riscos 61% maiores de desenvolver dificuldades psicológicas. As menos ativas apresentaram riscos de 70%, e aquelas que excederam as duas horas apresentaram risco de 81%.

 Surpreendentemente, o fato de realizar muita atividade física não ofereceu tanta proteção contra as dificuldades psicológicas para aquelas crianças que passavam mais de duas horas diárias em frente a tela. De acordo com o estudo, o risco de desenvolver dificuldades psicológicas ainda assim aumentou em 50% para o grupo mais ativo fisicamente quando as crianças passaram mais de duas horas diárias assistindo TV ou usando o computador.

“Para os pais, o fator principal é que o uso da TV e do computador podem interferir no bem estar emocional das crianças”, disse Mendelsohn.

Problemas 

Entretanto, Mendelson observou que o estudo não foi idealizado para descobrir se existe uma relação de causa e efeito entre o tempo passado diante da tela e os problemas psicológicos, ou ainda se jovens problemáticos simplesmente são mais propensos a passar mais tempo de frente para a TV ou o computador. 

“Nós não sabemos se são os problemas psicológicos que levam as crianças a se fecharem em si mesmas ou se há um componente prejudicial no uso da TV e do computador”, disse Carolyn Landis, psicóloga clínica e professora associada de pediatria do Rainbow Babies and Children’s Hospital de Cleveland.

“Mas, se seu filho quer passar mais do que duas horas diárias – sem incluir o tempo dos deveres de casa – no computador, eu consideraria o fato um alerta em potencial de que algo pode estar errado. As crianças podem ficar deprimidas e se proteger de interações face-a-face usando o computador”, disse Landis. 

“Também é importante saber que você pode ter um filho super ativo e atlético, mas ainda assim não é bom que eles passem mais de três horas por dia no computador”, afirmou.

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