Mesmo que a escola não esteja numa boa posição, especialistas defendem que o exame não serve como único critério para uma mudança

Mais de 4 milhões de estudantes fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio
Agência Brasil
Mais de 4 milhões de estudantes fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio
Embora a avaliação seja voluntária, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é utilizado por muitas Instituições de ensino superior do país como complemento da nota obtida no vestibular – e também pode ajudar os estudantes de baixa renda a conquistarem uma bolsa de estudos no Ensino Superior em incentivo do ProUni (Programa Universidade para Todos).

No ano passado, 51 instituições públicas utilizaram a prova como critério (total ou parcial) de seleção. Mas não são apenas as universidades que levam em conta as notas do exame: a classificação do desempenho das escolas influencia diretamente a decisão dos pais sobre onde os filhos devem estudar.

O Colégio Vértice, de São Paulo, está entre as dez melhores instituições do país desde 2005 – neste ano, ficou em primeiro lugar - e possui lista de espera para 2014, com vagas reservadas até para crianças que ainda nem nasceram .

Pelo ranking do Enem 2009, o Colégio Vértice lidera uma lista de 25.484 escolas que participaram da avaliação, sendo que entre as mil mais bem colocadas, 91% são particulares. O Instituto Dom Barreto, de Teresina, e o Colégio São Bento, do Rio de Janeiro, ficaram em 2º e 3º lugar, respectivamente.

A escola do meu filho não ficou bem posicionada, e agora?

De acordo com a especialista em Psicopedagogia e Educação Especial, Maria Irene Maluf, de São Paulo, o exame não deve servir como única ferramenta de escolha. “O Enem não é um exame feito para classificar escolas porque não é obrigatório. De uma forma geral, ele deveria contar somente 10% para os pais decidirem se a escola é boa ou não”, diz.

Segundo Maluf, as escolas devem ser avaliadas de uma forma mais ampla. “Outros aspectos precisam ser levados em conta, como a metodologia pedagógica e o quanto ela combina com o perfil do seu filho”, diz.

A presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), Quézia Bombonatto, de São Paulo, também defende que o exame não deve ser um referencial para a escolha de uma escola, mas um critério para saber se ela possui condições ou não de preparar bem os estudantes. “Somente se a instituição estiver muito aquém das outras é que os pais devem se preocupar”, afirma.

Além disso, Bombonatto afirma que mesmo que uma escola esteja entre as dez primeiras, ela pode não ser a melhor escolha para seu filho. “A instituição pode ter uma modalidade de ensino que é boa para 80 alunos, mas ruim para os outros 20, nenhuma escola compreende todos os perfis”, explica.

Se determinadas escolas alcançaram os primeiros lugares do ranking, segundo ela, é porque há um trabalho em conjunto entre orientadores e psicopedagogos, além de um incentivo para que os alunos  façam a prova. “O Vértice, no caso, é uma escola que investe muito nisso”, complementa.

De olho nos diferenciais

De acordo com Raquel Caruso, psicopedagoga e coordenadora da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (EDAC), de São Paulo, é preciso ver qual é a posição da escola, caso ela tenha ido mal do ranking do Enem. “Se o problema é a nota, é preciso deixar que a escola se posicione”, afirma.

Caruso explica que, muitas vezes, a escola não está preocupada com a nota do Enem e nem por isso deixa de ser uma boa instituição. “Pode não ser a filosofia daquela escola, mas nem por isso os alunos deixam de entrar em ótimas faculdades”. Segundo ela, os pais devem, antes de trocar o filho de escola, se perguntar: “o que esta instituição está proporcionando ao meu filho?”

Trocar ou não?

Bombonatto afirma que os pais devem prestar atenção, ao avaliarem um colégio, na proposta pedagógica, nos processos de avaliação e em como é exigido o trabalho reflexivo dos alunos. Além disso, o número de estudantes por sala de aula também merece atenção: “Uma classe com 50 alunos é diferente de uma classe com 30”.

Uma mudança de escola, segundo a especialista, pode ser positiva, mas é preciso saber se é mesmo necessária e se caberá no orçamento familiar. É importante analisar as questões financeiras – já que, além da mensalidade da escola, existem outros gastos com materiais e passeios, por exemplo –, além de examinar a adaptação sociocultural que seu filho terá no novo ambiente. “Principalmente em termos de ensino médio, o conteúdo escolar não segue a mesma sequência em todas as escolas, e isso também deve ser levado em consideração”, enfatiza Bombonatto.

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