Especialistas mostram que algumas relações antagônicas são importantes para a criação de laços sociais

O inimigo pode ser bom para a criança
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O inimigo pode ser bom para a criança
Sabe aquela grande amizade que você teve na infância e que depois virou um pesadelo na adolescência? Segundo psicólogos norte-americanos, essa relação pode ter sido benéfica para você.

Pesquisadores de diversas áreas dos Estados Unidos vêm estudando relacionamentos em que há uma hostilidade mútua. A conclusão é que eles melhoram as relações sociais dos envolvidos. “É de se esperar que tanto a amizade quanto o antagonismo apresentem oportunidades de crescimento”, afirma a psicóloga Maurissa Abecassis, da Colby-Sawyer College, em New Hampshire, nos Estados Unidos, ao jornal The New York Times.

O “antagonismo recíproco” é uma relação em que ambas as pessoas se tratam com desprezo ou hostilidade. Estudos mostram que o número de adolescentes que tem esse tipo de relação chega a 70% nos EUA. O psicólogo Noel A. Card, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, relata em sua pesquisa que muitos destes relacionamentos antagônicos acabam acontecendo em decorrência de uma amizade que não acaba bem.

Em uma série de experimentos, um grupo de psicólogos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, pesquisou este tipo de relacionamento em 2003 estudantes do ensino médio. Foi descoberto que a maioria dos adolescentes que responde às hostilidades de seus desafetos tem melhores notas e uma habilidade social mais desenvolvida.

A pesquisadora que liderou o grupo, Melissa Witkow, disse ao NYT que as pessoas costumam procurar uma relação simétrica, em que há um equilíbrio dos sentimentos dados e recebidos. Isso significa que quando alguém demonstra que não gosta de uma determinada pessoa, pode estar tendo apenas uma ação adaptativa, ou seja, desgostando de volta.

A principal consequência desse tipo de relação, segundo os psicólogos, é um maior autoconhecimento. Psicanalistas explicam que os grupos tendem a ficar mais coesos e com mais autoestima quando colocados em xeque por inimigos. Da mesma forma, as pessoas conseguem analisar mais os seus próprios defeitos ao se projetarem em seus inimigos.

Enfim, um inimigo real pode preparar o jovem para evitar as pessoas falsas e de pouca confiança na vida adulta. “No começo, ela parecia uma amiga incrível, mas depois, quando me aproximei mais, percebi que tipo de pessoa ela era”, diz uma garota no estudo de Card. Segundo o psicólogo, se a pessoa não conhece os tipos de pessoas, é mais difícil para ela descobrir a que tipo pertence.

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