Como as crianças vivem momentos de competição e o que os pais podem ensiná-las nestas situações

Apesar do risco de frustração, a participação de crianças em concursos pode ser uma boa oportunidade para os pais abordarem conceitos envolvendo perder e ganhar, fundamentais para o desenvolvimento dos filhos. “Torcer pelo filho é ótimo, e mostrar entusiasmo pelo que ele faz é ainda melhor”, afirma a psicóloga e psicopedagoga Elívia Ferreira S. Jacobina.

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Ana Letícia, 6 anos, autora do
Flávia Alves
Ana Letícia, 6 anos, autora do "Rainbow Mouse": desenho na coleção de Stella McCartney
Ana Letícia tem seis anos, mora em São Paulo e recentemente ganhou um concurso mundial de desenhos promovido pela estilista Stella McCartney. Seus pais, Marina Fiuza e Guilherme Casarões, são daqueles que penduram ao lado dos quadros os primeiros traços da filha. “Soube do concurso em um blog e inscrevi o desenho sem grandes propósitos, mas quando vi que a gente tinha chance de ganhar, me animei e comecei uma campanha”, diz a mãe. Depois de centenas de votos, o Rainbow Mouse – personagem desenhado por Ana Letícia – já estava entre os 30 primeiros. Terminou com a medalha de ouro entre 358 concorrentes. Como prêmio, a menina terá seu “ratinho arco-íris” estampado em uma camiseta da próxima coleção infantil da estilista.

Para Elívia, o apoio dos pais ajuda a fortalecer a autoestima das crianças nessas ocasiões, colaborando para elas lidarem com perdas e ganhos no futuro. “Estimular é fundamental, mas estímulo em excesso e desrespeito à fase da criança são prejudiciais. Também é preciso cuidar dos desejos e expectativas dos pais, para que não se sobreponham aos dos filhos”.

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Reprodução
O "Rainbow Mouse" de Ana Letícia vai estampar uma camiseta da próxima coleção infantil de Stella
Competir ajuda as crianças a entender que devem se esforçar pelo que querem, e também a lidar com a frustração da perda e aceitar que um concorrente possa ser o vencedor. “Pensar apenas na vitória faz com que a criança e seus pais não consigam compreender os limites. E o filho pode se tornar um adolescente ou adulto imaturo e incapaz de lidar com perdas”, diz Elívia.

O “Handy Peacock”, segundo desenho de Ana Letícia, ficou em 38º lugar na disputa. Olhando para os desenhos dos concorrentes, a menina disse que “gostaria de ter uma camiseta com vários desenhos de outras crianças”. “Caso ela tivesse perdido, provavelmente eu faria camisetas com o desenho para ela e nossa família. Não para enganá-la, mas para agradar e fazer com que ela não ficasse abalada com o resultado”, diz Marina.

Na vitória ou na derrota

A psicoterapeuta de casal e família Natércia Tiba ressalta a importância de conversar com a criança antes de inscrevê-la em uma competição. “Explicar como funciona um concurso ajuda a criança a lidar com o risco da derrota. Também é uma ótima oportunidade para esclarecer as diferenças, ressaltando que isso não define alguém como melhor ou pior, mas apenas como pessoas de talentos diferentes”.

Segundo ela, a partir dos dois anos de idade as crianças já sabem o que significa perder. Mas o essencial é a reação dos pais ao resultado da competição: até cerca de sete ou oito anos, elas percebem as situações de acordo com a dimensão que os pais dão aos fatos.

Os pais, portanto, podem ajudar seus filhos a colocar a derrota em perspectiva. A psicopedagoga Maura Mello sugere a eles contar suas próprias histórias de infância. “Exemplificar com aquele campeonato da escola que o pai não ganhou pode deixar a criança mais à vontade, confortável e segura, além de descontrair o momento”, diz.

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