Sete respostas sobre o uso de repelentes em crianças

Saiba como manter mosquitos, pernilongos e outros insetos longe do seu filho, com ou sem a aplicação do produto

Renata Losso, especial para o iG São Paulo |

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Repelente? Creme de citronela? Velas? Mosquiteiros? Descubra qual a melhor combinação para proteger o seu filho
No último mês do ano, não é só o verão – e as férias tanto almejadas – que começa a dar as caras: os mosquitos, pernilongos e diversos tipos de insetos também. Seja nos centros urbanos, nas praias ou nas montanhas, eles estão por todas as partes e prevenir o seu filho de virar alvo dos insetos é mais do que necessário. Mas a partir de que idade ele pode usar repelente? E se ele tiver alergia? Qual é a melhor solução? Saiba o que quatro especialistas no assunto recomendam.

1. Qual a idade mais apropriada para começar a usar repelente? Por quê?

De acordo com Jorge Huberman, pediatra e neonatologista do Hospital Albert Einstein e do Instituto Saúde Plena, em São Paulo, e com Samar Mohamad El Harati, dermatologista da Unidade Anália Franco do Hospital São Luiz, também na capital paulista, a partir dos seis meses. Antes disso a pele da criança é muito sensível. Por isso, até lá, Samar recomenda o uso do creme de citronela, que é manipulado e funciona bem contra insetos. A especialista afirma que é a partir dos seis meses que o bebê começa a ter mais anticorpos e, com isso, uma melhor defesa da pele. Mas é preciso estar sempre atento aos sinais de alergia que a criança pode vir a ter – principalmente se o pai ou a mãe da criança são alérgicos, ressalta Jorge.

Por outro lado, a pediatra Kerstin Abagge, presidente do Departamento de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), recomenda o uso de repelentes só a partir dos dois anos de idade. Antes disso, a solução é apostar nas proteções mecânicas. “É mais por uma questão de segurança, já que absorção da pele do bebê é maior que a dos adultos e existe maior risco de reações alérgicas”, explica a especialista.

Samar sugere a realização de um teste de contato com médicos especialistas, para verificar possíveis alergias da criança. De qualquer forma, o uso de repelentes adultos só está liberado para depois dos 12 anos de idade.

2. Antes disso, o que pode ser feito para evitar as picadas de insetos?

Mosquiteiros, telas nas janelas e roupas de manga comprida são algumas das alternativas que os especialistas indicam – e que muitas mães já conhecem. Mas há uma recomendação que, embora de eficácia ainda não comprovada por pesquisas científicas, pode funcionar para os menores: a vitamina do complexo B. “Parece que ajuda a manter os bichos afastados, mas se por um lado existem mães que aprovaram o uso da vitamina, outras dizem que não adiantou nada”, conta Jorge.

Anthony Wong, médico pediatra e toxicologista do Hospital das Clínicas, recomenda atenção com os bichinhos que podem aparecer em casa e lembra que é preciso manter as condições de higiene para que o inseto da dengue não venha a se proliferar.

3. A que os pais devem prestar atenção ao comprar um repelente para os filhos?

O principal mesmo é que o repelente passado na pele das crianças seja realmente feito para elas, e não para adultos. E que sejam testados dermatologicamente, claro. Segundo Kerstin, a concentração das substâncias ativas é menor nos repelentes infantis e, por esta razão, diminui o risco do produto ter efeito tóxico para as crianças. “Isso não consta em todos os rótulos, mas a concentração de DEET, um composto químico presente na maioria dos repelentes, deve ser abaixo de 15% no caso de repelentes infantis”, explica ela.

Há também repelentes com uma substância chamada picaridina, que possui um cheiro mais fraco que o DEET e, portanto, menor possibilidade de causar reações como espirros ou lacrimejar dos olhos. Nos repelentes de uso infantil, a concentração de picaridina deve ser de até 10%.

4. O uso de repelentes elétricos ou inseticidas é indicado perto das crianças?


Segundo Samar, não há nenhum problema em usar repelentes elétricos, contanto que a criança não fique num ambiente completamente fechado enquanto o protetor está ligado na tomada. Portanto, se o repelente estiver em ação durante as horas de sono das crianças, é só deixar a porta aberta – e de preferência, colocá-lo numa tomada bem ao lado da saída.

Mas, para crianças com problemas respiratórios, o produto é contraindicado. “Pode acabar interferindo e desencadear uma alergia”, alerta Kerstin. Isso também pode acontecer no caso do uso de inseticidas. Por isso, eles não devem ser utilizados perto de crianças alérgicas. Se não há nenhuma doença respiratória, o recomendado é que se aplique o inseticida aproximadamente quatro horas antes de a criança entrar no cômodo. “Dê preferência aos inseticidas à base de água”, recomenda Kerstin. E mantenha o local bem fechado após a aplicação. Caso contrário, a proteção vai por água abaixo.

5. E vela de citronela, funciona?

Para Anthony Wong, essa tática é pouco eficaz. “Pode diminuir o número de insetos, mas não os afasta completamente”, diz ele. Kerstin concorda. Segundo ela, as velas podem até funcionar num ambiente pequeno, mas é melhor não confiar muito. Deixar uma vela acesa dentro do quarto da criança enquanto ela dorme está fora de cogitação: ninguém quer correr o risco de ocasionar um incêndio.

6. Quantas vezes por dia o repelente pode ser passado na pele da criança?

Depende muito do lugar em que a criança estiver: se houver uma maior exposição a insetos, é indicado que haja uma reaplicação no máximo a cada três ou quatro horas, até três vezes ao dia. Assim, não há o risco do produto se tornar tóxico para a criança. Mas é preciso estar atento às indicações do fabricante. “Os repelentes com picaridina possuem uma duração efetiva de aproximadamente 10 horas”, afirma Anthony.

O neonatologista Jorge Huberman lembra que se a criança estiver transpirando por causa do calor ou de uma atividade que exija maior esforço físico, é bom ficar mais atento: o repelente pode acabar se perdendo antes das quatro horas e reaplicá-lo em um espaço menor de tempo – de duas horas, por exemplo – se torna necessário.

7. O que pode acontecer se a criança tiver uma reação alérgica a uma picada e o que os pais devem fazer nesse momento?


Uma reação alérgica consiste em vermelhidão, que leva à coceira, que pode levar a uma lesão muito maior do que uma leve picada. Dependendo da criança – e do inseto que a picou – pode-se até desencadear uma reação alérgica não só da pele, mas também respiratória, com a criança apresentando dificuldade para respirar. Em qualquer caso, a primeira coisa a ser feita é procurar um médico especialista antes de medicar a criança. Afinal, nem todos os remédios contra esse tipo de problema são inócuos e, segundo Kerstin, pode também haver uma reação alérgica a eles.

Até chegar a um hospital ou ao médico da criança, Jorge recomenda passar bastante água fria no local e aplicar talco líquido, para aliviar a coceira. “Não passe álcool – é algo que os pais sempre pensam em fazer, mas só piora”, alerta ele. E deixe o local da picada exposto: “quanto mais fechar, mais coceira a criança vai sentir”.

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