Iris, que desde a adolescência queria ser mãe, teve de esperar mais que o planejado para ter Maria Cecília, aos 32

Iris e Maria Cecília: maternidade aos 30 não era o plano, mas garantiu experiência
Mauricio Contreras/ Fotoarena
Iris e Maria Cecília: maternidade aos 30 não era o plano, mas garantiu experiência
Algumas mulheres parecem nascer com a certeza do papel maternal que vão cumprir. É o caso de Iris Cagiali, de 33 anos, que se tornou mãe recentemente com a chegada de Maria Cecília, hoje com 11 meses de idade. “Quando era adolescente, eu dizia que teria filhos mesmo se não me casasse”, conta. Iris se casou, sim, com o namorado que teve desde os 17 anos. Mas a filha demorou a chegar e nasceu somente depois do 32º aniversário da mãe – após um longo período de tentativas e percalços para o sucesso da gravidez.

“Eu me casei com o Flávio aos 26 e um ano depois já começamos a tentar ter o primeiro filho, mas só engravidei da Maria Cecília depois de quatro anos de tentativas”, conta Iris. Foram quatro anos de consultas a diferentes especialistas para tentar entender o porquê da gravidez não dar as caras. Embora tivesse ovários policísticos – o que fazia com que levasse mais tempo para ovular, mas não impedia que engravidasse –, Iris acabou descobrindo que o problema não tinha exatamente uma explicação: “fomos diagnosticados com infertilidade conjugal”. E por esta razão, fazer um tratamento de fertilização parecia ser a melhor solução.

Ela – que sonhava em ser mãe desde pequena e sempre dizia ao marido que, quando acontecesse, estava disposta a largar tudo para cuidar do bebê – conta que, no auge do desespero ao lado do marido, chegou a pensar em vender carro e casa para poder pagar pelo tratamento. “O médico disse que só isso poderia dar certo, mas era um tratamento caríssimo e por isso resolvemos esperar um pouco mais”, explica. Neste meio tempo, no entanto, ela descobriu que estava grávida nos últimos meses de 2007. Como acontece com muitas mães de primeira viagem, Iris sofreu um aborto espontâneo pela parada de desenvolvimento do feto . Mas nem por isso desistiu dos planos que seguia até então.

Após o baque, Iris continuou entusiasmada e em momento algum pensou em desistir. Após cerca de um ano, ela ficou grávida da menina que está sempre ao seu lado hoje: “Ela foi muito esperada”. Não era para menos. Depois de fazer o teste de farmácia – que ela já tinha guardado no armário de casa – e ver o resultado positivo, ela saiu correndo pela casa para contar a novidade ao marido. “Era domingo de manhã e nós nem imaginávamos que podia acontecer”, conta.

" Passaria por mais 10"

O exame de sangue foi feito no próprio domingo para que a gravidez fosse confirmada. “Foi uma alegria indescritível, ainda que misturada com o medo de perder o bebê de novo. Quando ouvi o coraçãozinho batendo no ultrassom ao completar sete semanas de gravidez, foi a maior emoção da minha vida”, lembra. A gravidez passou a se desenrolar e o casal acompanhava o desenvolvimento de Maria Cecília mês a mês. Iris classifica o processo como muito tranquilo: “Apesar de ter passado fortes enjoos até o terceiro mês e engordado 18 quilos – o que fez o médico achar que eu tivesse diabetes gestacional, mas não era o caso –, se todas as gestações fossem iguais às que eu tive, passaria por mais 10 delas”.

Em relação ao peso, Iris não teve nenhuma preocupação. “Mesmo que eu não me privasse de comer todas as vezes que sentia fome ou vontade de comer um doce, todo mundo dizia que não dava para ver que eu tinha engordado porque eu fiquei com uma barriga enorme”, diz. E não por acaso: Maria Cecília nasceu com quase quatro quilos e 51 centímetros. “As pessoas diziam até que eram gêmeos”, diz.

Grandona como o pai, Maria Cecília acabou obrigando a mãe a marcar a cesárea para que a filha nascesse logo após completar 40 semanas de gestação. “Eu queria fazer o parto normal, mas no final da gestação ela ficou girando na minha barriga, como bem sapeca que é, e o médico dizia que não ia encaixar direito, então marcamos e ela nasceu”, explica. Começava outra fase na vida de Iris.

Nascimento e falta

Mãe em tempo integral: Iris troca as fraldas de Maria Cecília
Mauricio Contreras/ Fotoarena
Mãe em tempo integral: Iris troca as fraldas de Maria Cecília
Iris havia perdido a mãe exatamente três anos e um dia antes do nascimento de Maria Cecília. “Ela nasceu no dia 14 de novembro, minha mãe havia falecido no dia 13. Ela veio certamente para alegrar, mas neste começo com ela minha mãe fazia muita falta”, afirma. Iris, que tinha uma ligação muito forte com a mãe, diz que acabou trilhando o mesmo caminho da maternidade que ela: “Quando ela se casou estava grávida de mim e veio para São Paulo, então no começo ela ficava sozinha em casa enquanto meu pai trabalhava o dia inteiro, e minha avó morava em Sorocaba”.

A mãe de Iris havia deixado de trabalhar, da mesma forma como teria feito a filha se tivesse um trabalho estável quando engravidou. Segundo ela, mesmo se estivesse perto de se tornar a mulher mais bem sucedida profissionalmente, largaria tudo para ser mãe: “é meu sonho”. E um sonho, segundo ela, muito inspirado na mãe. “Nós sempre tivemos uma conexão muito forte de compartilhar tudo, da infância à fase adulta, e eu quero passar isso para a Maria Cecília, esse amor incondicional”, conta Iris. E com o segundo filho que pretende ter, também.

Maternidade que não tem fim

Com a vontade imensa de ter o segundo filho, Iris diz que irá esperar Maria Cecília crescer um pouco mais e começar a ir para a escola para tentar a segunda gravidez. “Eu com dois pequenos vou ficar louca, né?”, imagina. Embora não tenha tido a oportunidade de engravidar de Maria Cecília antes dos 30 anos, como gostaria, ela vê o lado positivo da idade em que se tornou, finalmente, mãe: “Não foi como eu gostaria na época, mas esse tempo de espera foi bom e só depois a gente entende: eu curti a vida de casada”. Iris lembra que, embora ela e Flávio tivessem passado a fase inicial do casamento em busca da gravidez, os cinco primeiros anos após ter subido ao altar serviram para o amadurecimento do casal.

“Aprendemos muito durante todas as tentativas e frustrações e nos conhecemos melhor. Por exemplo, agora ele trabalha e faz a segunda faculdade. Eu o apoio, mas se tivéssemos tido filho alguns anos atrás não sei se eu aguentaria a barra”, explica. Hoje, ela tira de letra e faz tudo por Maria Cecília. Mesmo quando a filha a tira do sério. “A gente reclama das noites mal dormidas, mas ama de qualquer jeito”.

Iris, que continua amamentando Maria Cecília e pretende fazê-lo até os dois anos da filha – tempo indicado pela Organização Mundial da Saúde – sabe que, no fundo, há verdade no ditado “a gente cria para a vida”. “A gente educa, a gente molda, mas ela vai ter o jeito dela”, imagina. Com a certeza de que dará a possibilidade para a filha ser como ela realmente é, ela espera mesmo que a filha seja feliz. Mas que não cresça tão rápido assim.

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