Especialistas dão as dicas para você transformar a higienização bucal do seu filho em um hábito

Higiene bucal da criança: um hábito que precisa começar cedo
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Higiene bucal da criança: um hábito que precisa começar cedo
Ao longo da vida, criamos hábitos que dificilmente são esquecidos. De acordo com a odontopediatra Márcia Amar, criadora do Projeto Odonto Bebê, em São Paulo, o mesmo acontece com a higiene bucal das crianças. “Se os pais começam a fazer a higiene da boca do bebê desde cedo, mesmo sem o primeiro dentinho, ela vai se habituando e, no futuro, se adapta melhor à rotina da limpeza”. Mas esta é somente a primeira dica para evitar que seu filho tenha cáries ou outros problemas bucais.

Do nascimento aos seis meses

Já durante a gestação do bebê, os especialistas em odontopediatria indicam que a mãe procure orientações para saber como deve manter a saúde bucal do filho em dia. Isso acontece porque, mesmo que o bebê até os seis meses de idade ainda não tenha dentinhos, é indicado que os pais façam uma limpeza diária na boca da criança. “Principalmente depois de mamar à noite ou após regurgitar”, explica Amar.

Letícia Ruggiero Leme, odontopediatra da Clínica Machado de Carvalho, em São Paulo, explica que a limpeza antes de nascer os dentinhos deve ser feita com uma gaze umedecida em água filtrada ou com uma dedeira atoalhada, para limpar bem os restos que ficam acumulados na boca da criança. No entanto, com o surgimento do primeiro dente, a escova de dente já entra em cena.

Dos seis meses aos dois anos

Segundo Amar, é a partir dos seus meses que os pais podem escovar os dentes dos filhos. Com uma escova de dente adequada para bebês, com a cabeça pequena e macia, a também odontopediatra Carolina Steiner, de São Paulo, indica que o creme dental seja sem flúor: “eles ainda não possuem discernimento e podem engolir”. Amar explica que o excesso da substância pode ocasionar a fluorose, manchas esbranquiçadas que podem aparecer nos dentes das crianças.

À medida que os dentes vão aparecendo, os cuidados devem aumentar. Ruggiero afirma que a hora mais importante para deixar a boca da criança limpinha é antes de dormir, porque é quando dormimos que a salivação diminui e, consequentemente, a proteção bucal também. Além disso, Steiner também indica o uso do fio dental quando os dentes estiverem mais próximos. Caso o bebê use chupeta ou chupe o dedo, os pais devem estar atentos para a hora certa de acabarem com estes costumes.

Caso a criança chupe o dedo desde recém-nascida, Amar revela que o ideal é tentar oferecer a chupeta porque, posteriormente, fazer com que ela pare de chupar o dedo acaba sendo mais difícil. “O melhor é deixar a chupeta no berço, para ser usada apenas na hora de dormir. E isso até o segundo ano de vida, no máximo”, explica. Estes hábitos, se permanecerem por mais tempo, podem levar a uma má postura lingual e uma alteração da arcada dentária, que exigirá o uso de um aparelho dentário no futuro.

De dois a seis anos

Até aproximadamente os seis anos, a criança necessita de ajuda e supervisão dos pais para limpar os dentes. No entanto, Steiner explica que muitas crianças acabam querendo imitar os pais a partir dos quatro anos e querem escovar os dentes sozinhos. “É importante que os pais incentivem isso”, conta. Mas sempre com a supervisão e orientação, já que a coordenação da criança ainda está se desenvolvendo.

Neste período, Ruggiero também preconiza o uso de pasta de dente sem flúor: “o indicado nesta fase é aplicar o flúor diretamente no dentista, para não correr nenhum risco”, afirma. Porém, Steiner explica que, a partir dos cinco anos, a criança já começa a entender melhor que a pasta de dente não deve ser engolida, neste caso, já é possível usar a que tem flúor.

A partir dos dois anos, os pais também devem estar mais preocupados com a ingestão de alimentos açucarados. Mesmo que a criança coma doces, Amar explica que ela deve ser educada a comê-lo nas horas certas. “Se tiver muita frequência de alimentos que grudam nos dentes, como balas, biscoitos recheados ou salgadinhos, por exemplo, as chances de ter cáries se tornam maiores”, revela Amar.

Segundo Ruggiero, comer doces em horários diferentes ao longo do dia realmente não é uma boa ideia. No entanto, ela conta que existem alimentos protetores do dente, que podem ser oferecidos entre as refeições, como queijo branco, nozes, amendoim, castanha e pipoca salgada. Para Steiner, os alimentos doces devem ser dados somente depois das refeições: “Isso porque entre as refeições é mais difícil fazer com que eles escovem os dentes”.

Outro problema por parte da alimentação que pode ocorrer é a erosão da superfície do dente. De acordo com Steiner, isso pode acontecer pelo consumo de bebidas ácidas, como os refrigerantes. Porém, o suco de caixinha pode apresentar os mesmos perigos: “Estes sucos possuem a mesma acidez que os refrigerantes, então, é indicado evitar”.

Dos seis aos oito anos

Em torno desta faixa etária, os dentes de leite começam a cair e, de acordo com Amar, se a dentição da criança até este momento não teve nenhuma cárie, as probabilidades de não surgirem cáries também nos dentes permanentes são grandes. A escovação deve continuar sendo supervisionada, caso a criança tenha alguma dificuldade, seja para escovar ou para usar o fio dental.

“Somente aos oito anos, a criança já está completamente apta em escovar e passar o fio dental sozinha, se tiver sido devidamente instruída”, afirma Amar. Segundo ela, quando a criança chegar à pré-adolescência, será difícil que ela deixe de escovar os dentes, porque o hábito já está instalado e ela sentirá falta da higienização.

É importante ressaltar que as consultas a um especialista desde o nascimento do bebê previnem problemas futuros e evitam o possível sofrimento da criança, no caso de o tratamento de uma cárie, por exemplo. Além disso, a constante conscientização da necessidade de cuidar da higiene bucal é importantíssima até que a criança tenha autonomia e responsabilidade para tratar a saúde da boca corretamente.

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