Para especialistas, o fundamental é se preparar ser mãe ou pai, independentemente se de um menino ou de uma menina

Carolina não quis saber qual era o sexo do filho Luca antes do nascimento: enxoval em amarelo
Guilherme Lara Campos/Fotoarena
Carolina não quis saber qual era o sexo do filho Luca antes do nascimento: enxoval em amarelo
Antigamente, só se descobria o sexo do bebê na hora do esperado primeiro choro, na mesa de parto. Hoje, com ultrassom e exames de sangue, é possível saber se será menina ou menino com até oito semanas de gestação. E a maioria esmagadora quer saber, seja por curiosidade ou por motivos práticos, como montar o enxoval e receber presentes. Quem prefere a ignorância é taxado de maluco. Mas será que realmente muda alguma coisa saber antes?

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“As pessoas não se conformavam que a gente não queria saber”, lembra a produtora Carolina Botelho, 34 anos, mãe de Luca, 6 anos. Durante os exames de ultrassom, por precaução, ela nem olhava para o monitor. As pessoas faziam apostas para saber o sexo. Até as enfermeiras, no dia do parto, entraram no bolão.

Em nenhum momento Carolina diz ter ficado ansiosa para saber se o que tinha na barriga era menino ou menina. Ao tomar a decisão de não saber o sexo do bebê, esqueceu o assunto. Os outros é que se roíam por dentro. E a dúvida durou até o parto: “Fiquei 24 horas em trabalho de parto e quando a cabeça do bebê saiu, meu marido viu aquele monte de cabelo e gritou ‘é menina’”.

A produtora não foi a única da família que optou pela surpresa. Sua irmã mais velha teve dois filhos e não quis antecipar o sexo de nenhum. “Meu médico é o mesmo dela e me dizia que a gente tem de se preparar para ser pai e mãe, independentemente de esperar menina ou menino”, conta.

O ginecologista Pedro Paulo Monteleone, da Clínica Monteleone, de fertilização, concorda plenamente. Para ele, os tempos da surpresa eram muito melhores. “Hoje em dia, a maior parte dos casais quer saber o sexo do bebê antes de engravidar. Vão para a sala de parto sabendo a cara, o sexo e o nome”, diz o médico. “Acabou o romantismo”.

Por mais que os pais queiram definir tudo, a legislação brasileira impede o casal de escolher o sexo do bebê nos casos de inseminação artificial. Salvo onde há recomendação médica, como casos de doença de família relacionada ao sexo.

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Renato e Lucia no lançamento do livro: ele se preparou para ser pai de menina
Carla Fomanek
Renato e Lucia no lançamento do livro: ele se preparou para ser pai de menina
Preparação sob medida


Se a ignorância funciona como um fator positivo na gestação e formação dos futuros pais, saber se o bebê que está naquela barriga é uma menina ou um menino pode desmistificar a futura criança e evitar frustrações. “O sexo do bebê é um dos processos mais fantasiados. De cada dez casais, nove querem saber o que terá”, conta Rafaela Schiavo, psicóloga perinatal da UNESP de Bauru.

Não ter este desejo realizado pode gerar estresse e frustração. “Quando recebem a notícia e não é o que se esperava, o casal pode até criar um certo desapego com o bebê”, conta Rafaela. Nestes casos, é importante saber o sexo, para poder lidar com a questão. Se não for o que imaginavam, os pais podem fazer o luto do bebê imaginado e ir criando uma nova identidade para o bebê real.

“Saber que eu ia ser pai de uma menina ajudou a me preparar psicologicamente”, conta o escritor Renato Kaufmann, autor do blog Diário de um Grávido e do livro “Como Nascem os Pais” (Mescla Editorial), em que ele descreve o desespero e as delícias da espera e do nascimento da pequena Lúcia, hoje com 2 anos.

Renato diz que ele e a mulher nunca consideraram a hipótese de não saber o sexo do bebê. Para ele, saber de antemão ajudou a tirar as dúvidas de como lidar e o que ensinar para uma menina. “Estou adorando ser pai de menina”, atesta o escritor.

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Decoração unissex

Além da preparação psicológica, as questões práticas também pesam. Que roupas comprar e como decorar o quarto?

Para Renato Kaufmann, seria sem graça ter tudo unissex. “Nem é tanto pelo azul versus rosa, mas não acredito nessa de criança criada sem gênero. Tem é que evitar os estereótipos. Eu vivo vestindo a Lúcia de preto”, conta o pai. Segundo ele, saber o sexo do bebê ajuda também para quem vai dar presente.

Já a produtora Carolina Botelho não teve problema nenhum com o enxoval de Luca. “As roupas eram em tons neutros, brancas, amarelas, beges. No quarto coloquei uns quadrinhos que minha mãe deu”, lembra.

A bancária Solange Crisis, 47 anos, e o marido Rogério tiveram de fazer alguns malabarismos. Ela sabia que o bebê seria menina, ele não. O quarto e as roupinhas de Sofia, hoje com 10 anos, não poderiam estragar a surpresa do pai. “Tive de fazer uma decoração que não denunciasse o sexo. Já as roupinhas, comprava tudo rosa, mas escondia no armário”, conta Solange.

Os amigos tinham que dar camisetas e vestidinhos em tons neutros. “O melhor é que meu marido nem se tocava quando eram saias e vestidinhos amarelos. Não sendo rosa, estava mantido o mistério”, brinca.

“Sem saber se é menino ou menina, é preciso optar por motivos menos específicos para os acessórios. Os objetos não podem brigar com o sexo do bebê. Realmente não dá para pintar o quarto de lilás ou rosinha, vai que é um menino”, concorda a personal organizer Andrea Caetano, da Wellbeing.

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Cupcakes revelam o sexo do bebê quando abertos
Divulgação
Cupcakes revelam o sexo do bebê quando abertos
Doce descoberta


Há quem queira desvelar o mistério junto com a família e amigos. E, de quebra, de forma saborosa. Comum nos Estados Unidos, os gender cakes ganharam versão brasileira nas mãos de Luana Davidsohn, da Cupcakes da Luana.

A mecânica é simples. A futura mãe faz o ultrassom e pede para a equipe médica não contar o sexo do bebê, mas sim escrevê-lo em um papel e lacrar. Ela leva o papel até a loja de bolos e os cupcakes são preparados com recheio rosa ou azul, dependendo se for menina ou menino. Na hora em que são mordidos e o recheio aparece, o sexo do bebê é descoberto.

“Temos uma grávida que vai fazer o ultrassom e como não aguenta o suspense no mesmo dia vai reunir a família e celebrar com os cupcakes. A ideia é todo mundo descobrir junto o que será”, conta Marina Zinn, sócia do Cupcakes da Luana.

Serviço
Cupcakes da Luana


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