Do convite a como agir em uma emergência, passando pelo lanchinho, saiba se preparar para quando o seu filho resolve receber os amigos

Gabriel e Thiago recebem os amigos: atividades planejadas
Tricia Vieira / Fotoarena
Gabriel e Thiago recebem os amigos: atividades planejadas
“Tia, esse suco é de pó?”, perguntou um dos amigos dos filhos da pedagoga Fernanda Ayres Kimura, à mesa do lanche. “Não, por quê?”, ela respondeu. “É que eu tenho alergia a pó”, explicou o menino gentilmente. “Todos riram e expliquei que o suco não era em pó, nem de nenhum outro ingrediente ao qual ele possui alergia, e ele poderia tomá-lo sem problemas”, conta Fernanda, ressaltando que muitas crianças podem ser superalérgicas, mas não tão perspicazes em averiguar o que lhes é servido – e suas mães podem simplesmente se esquecer de dividir a informação.

Não é só isso que, se conduzido de forma errada, pode se transformar em contratempo em um encontro de crianças na sua casa. Reunimos dicas de especialistas no assunto para que o momento seja apenas de diversão para eles e tranquilidade para você.

O planejamento

Permita a quantidade razoável de crianças que a sua casa e o seu controle comportam. Por isso, defina antes com o seu filho o número de amigos, a data e ligue para cada mãe para fazer o convite. “Mesmo que as crianças sejam maiores e façam os arranjos do encontro, os pais devem se falar para que os responsáveis dos convidados saibam que haverá supervisão adulta”, explica a psicóloga Ana Lúcia Gomes Castello, do Hospital Infantil Sabará.

Questão de tempo

Convide o amiguinho com cerca de dois dias de antecedência, para não gerar expectativa desnecessária. Segundo a pedagoga Fernanda – experiente nas reuniões entre os amigos dos filhos Gabriel, 9, e Thiago, 7, – se a visita é combinada uma semana antes, as atividades do dia a dia ficam comprometidas, tamanha a ansiedade das crianças. “Algumas, principalmente as menores, nem conseguem dormir quando vão receber um amigo em casa pela primeira vez”, diz.

A pauta dos pais

Caso você não conheça os convidados, faça uma discreta investigação do comportamento de cada criança com os seus pais. “Assim você já se prepara para os muito agitados, que podem transformar a sua casa em uma bagunça, providencia medidas de segurança para os bem pequenos em varandas, nas tomadas e quinas de móveis”, alerta Ana Lúcia. Pergunte os gostos das crianças e se há restrições alimentares. Se um amigo, por exemplo, se submete a um controle alimentar rigoroso porque está acima do peso, procure elaborar o cardápio com lanchinhos gostosos, porém menos calóricos, e corte as guloseimas para todos, para que a dieta de um não seja comprometida.

Estratégia divertida

As crianças se entendem, mas você precisa programar diversas atividades para entretê-los e preencher o tempo da visita. “Pense em atividades rápidas e variadas, de duração curta – as preferidas podem durar mais – e alterne agitação com brincadeiras mais calmas, como pique bandeira e dobradura de papel, por exemplo. Para os menores, atrações de palhaço e contação de histórias são indicadas”, sugerem Gilberto Baccan Junior e Caio Guichart, educadores físicos e recreadores da Pirou na Batatinha, empresa de atividades recreativas infantis. Se você tiver espaço ao ar livre, como quintal ou playground, aposte nas brincadeiras com bola. “Está chovendo? Escolha jogos de tabuleiro de acordo com a faixa etária da turma ou distribua papel e lápis de cor. Os maiores adoram desenho e pintura”, completa a pedagoga Fernanda. A visita vai se estender? “Escolha um filme infantil”, sugere Gilberto.

Prepare o terreno

Quer cilada maior do que ficar sem a sua escultura ou vaso preferido por causa de uma simples reunião de crianças? Siga o conselho de Fernanda: tire os enfeites de estimação da sala e guarde tudo aquilo a que você não gostaria que os pequenos tivessem acesso. Além disso, Ana Lúcia recomenda que você esteja presente, e não só a babá ou a empregada. Também é importante que o tempo do encontro seja estabelecido e não vá noite adentro, para não modificar a rotina do sono. No momento do convite, já avise a mãe do convidado: “Você pode trazê-lo às 13h e buscá-lo às 16h”. É elegante e funcional.

Estabeleça regras

Tudo aquilo que o seu filho não pode fazer sozinho deve se estender aos amigos e ao dia do encontro. Se ele não pode jogar futebol dentro de casa, riscar as paredes ou atirar bolinhas de papel pela janela, ninguém pode. “Comportamentos de vandalismo não devem ser aceitos”, enfatiza Ana Lúcia.

Ambiente amistoso

Quando os anfitriões estão à vontade, a criança também se sente assim. “Se a mãe ficar estressada por conta da soma tapete branco e tênis sujos depois do futebol, os pequenos visitantes vão se sentir desconfortáveis”, explica Ana Lúcia. Estude as variáveis. “Você sabe que as crianças estão tranquilas se elas participam das atividades e não ficam a todo momento solicitando a mãe”, conta o recreador Gilberto Baccan.

Monitore

Os maiores podem querer ficar no quarto ou computador o tempo todo. Os pequenos podem se esquecer de ir ao banheiro ou de comer, tamanha a diversão. No primeiro caso, fiscalize sem ser invasiva, pedindo para deixar a porta aberta – afinal eles não vão fazer nada de errado, não é mesmo? “Oferecer suco ou água de vez em quando é o álibi perfeito para fiscalizações esporádicas”, ensina Fernanda. No segundo caso, os recreadores ensinam: separe momentos para a água, o lanche e o banheiro, entre as atividades.

Se alguém abrir o berreiro...

A mãe anfitriã deve estar preparada para todas as ocorrências, então exercite a paciência. “Se a mãe costuma ser pouco paciente, quando convida os filhos dos outros para sua casa deve ter cuidado redobrado e evitar a repreensão

mais intensa”, esclarece Ana Lúcia. Maneje situações de birra sem estresse e investigue o motivo do choro para apaziguar os ânimos das crianças, pois a experiência deve ser prazerosa e tranquila. Converse com quem abriu o berreiro e com o causador do choro, caso exista um.

Cuidado, monstrinhos!

Segundo os especialistas, uma das maiores ciladas na reunião da turma é uma criança sem limites, como aquelas que pulam no sofá mesmo quando são repreendidos. A melhor medida para esses casos é providenciar um lugar ao ar livre para eles brincarem, afinal, passar a tarde toda dando bronca em um filho que não é seu não é recomendável.

Em caso de emergência

Alguém se machucou? “Analise a gravidade do machucado. Se for só um raladinho superficial, lave com água e sabão neutro, coloque gelo, band-aid e ‘pomada dos padrinhos mágicos’”, ensina a pedagoga, sugerindo imaginação para contornar os problemas menores. Para qualquer coisa diferente disso, o melhor a fazer é ligar para a mãe ou o responsável tranquilamente e perguntar qual o melhor procedimento. “Em casos graves, combine de encontrar a mãe direto no hospital”, aconselham Betinho e Caio, os recreadores do Pirou na Batatinha.

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