Atendimentos de crianças menores de 2 anos foram reduzidos a menos da metade depois que remédio contra tosse e resfriado saiu das prateleiras

Intoxicação por remédios: índices caíram pela metade com proibição de venda
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Intoxicação por remédios: índices caíram pela metade com proibição de venda
Novo estudo encomendado pelo governo norte-americano mostra que, três anos após a retirada do mercado de medicamentos pediátricos para resfriados vendidos sem prescrição médica, caiu para menos da metade o atendimento em pronto-socorros a crianças com menos de dois anos por overdose e outras reações adversas aos remédios.

Uma retirada voluntária do mercado de medicamentos para tosse e resfriado indicados para crianças com menos de dois anos de idade teve início em outubro de 2007, devido a preocupações sobre danos potenciais e ineficácia dos remédios. Segundo os pesquisadores, a retirada foi estendida no ano seguinte para medicações indicadas para crianças de até quatro anos de idade.

“Eu acho ótimo que estes produtos tenham sido recolhidos, mas só está ação não vai resolver o problema”, disse Daniel S. Budnitz, da Divisão de Promoção de Qualidade de Atendimento de Saúde dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), que liderou a pesquisa.

Ele diz que, como mais de dois terços desses atendimentos em pronto-socorros foram provenientes de crianças que tomaram os medicamentos por conta própria, é provável que os problemas continuem.

O relatório foi publicado no dia 22 de novembro na edição online da revista especializada “Pediatrics”. Para o estudo, a equipe de Budnitz acompanhou atendimentos de crianças de menos de 12 anos de idade em pronto-socorros de hospitais americanos, focando apenas nas que foram tratadas por eventos adversos relacionados a medicamentos vendidos sem prescrição médica, durante os 14 meses anteriores à retirada dos mesmos do mercado.

Embora o número total de atendimentos tenha permanecido inalterado antes e depois da retirada, os atendimentos caíram de 2.790 para 1.248 entre as crianças com menos de dois anos de idade – mais de 50%, constataram os pesquisadores.

Mas, como ocorria com os atendimentos de emergência anteriores à retirada dos medicamentos, 75% dos casos envolvendo medicações para resfriados foram resultado de crianças que tomaram os medicamentos sem supervisão. Budnitz diz que não se sabe ao certo se tais atendimentos envolveram medicamentos destinados a crianças ou adultos.

“Talvez alguns pais estejam dando a seus filhos remédios para tosses e resfriados destinados a crianças maiores ou mesmo a adultos”, disse ele. “A lição para os pais é: não dê medicamentos contra tosse e resfriados sem prescrição para suas crianças pequenas. Além disso, mantenham todos os medicamentos fora do alcance das crianças”, disse ele.

Para ajudar a evitar que as crianças tenham acesso aos remédios, o CDC está trabalhando juntos aos fabricantes para desenvolver tampas mais seguras para os frascos de medicamentos, disse Budnitz.

Soluções caseiras

Ao comentar o estudo, Andrew Racine, chefe de pediatria geral do Montefiore Medical Center de Nova York, enfatizou que medicamentos para tosse e resfriado sem prescrição médica não são indicados para crianças com menos de quatro anos de idade.

“Os estudos sobre a eficácia destes produtos não são muito consistentes e os efeitos negativos potenciais foram bem documentados”, disse ele. “A retirada destes medicamentos do mercado prova que uma solução de saúde pública pode funcionar”.

Racine admite que crianças pequenas resfriadas possam deixar a família inteira em situação desconfortável. “Uma criança de 18 messes tossindo, espirrando e se sentindo péssima – acordada a noite toda – é algo muito perturbador para o ambiente familiar”, disse ele.

Ele diz, porém, que existem maneiras mais seguras de lidar com o resfriado das crianças. Se elas são incomodadas por uma febre, os pais podem ministrar paracetamol. Racine diz: “Eu digo aos pais para não tomarem essa atitude com o menor sinal de febre, pois uma febrinha é até bom. Ela dificulta a duplicação do vírus”.

Um umidificador pode aliviar a congestão, diz Racine. Soluções salinas nasais e uma seringa para puxar o muco podem aliviar um pouco a congestão nasal dos pequenos, segundo ele – que diz também que a criança resfriada também precisar ingerir bastante líquido.

(Tradução: Claudia Batista Arantes)

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