De acordo com estudo, espaço virtual permite convivência antes limitada pelo modo de vida moderno. Mas pais devem orientar e monitorar navegação

Convivência online substitui encontros antes feitos
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Convivência online substitui encontros antes feitos "ao vivo"
Os sites de redes sociais, como Facebook e Twitter, tornaram-se aspectos praticamente inevitáveis da vida moderna, principalmente para os mais jovens. E, de acordo com um novo relatório americano, eles podem apresentar tanto riscos quanto benefícios reais para as crianças.

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Assim como o mundo dos games virtuais, estes sites permitem a interação de seus usuários – e é neles que as crianças passam grande parte, para não dizer todo, seu tempo livre. Os dados são de um relatório sobre o impacto da mídia social que acaba de ser lançado pela Academia Americana de Pediatria.

De acordo com o relatório, publicado no site do periódico “Pediatrics” no final do mês passado, mais da metade dos adolescentes americanos se conectam a um site de mídia social pelo menos uma vez ao dia, e quase um quarto dos adolescentes dizem que acessam seus sites favoritos do gênero 10 ou mais vezes ao dia. Então, que tipo de impacto esse tempo passado em confraternização virtual, em vez de real, exerce sobre a juventude de hoje?

Vantagens

“Os sites de mídia social em grande parte são positivos. Neles, as crianças e adolescentes socializam e se conectam hoje em dia”, disse Gwenn O’Keeffe, CEO e editora-chefe da revista “Pediatrics Now”, e autora do relatório. “Os espaços sociais das crianças estão encolhendo. Elas já não têm mais lugares ou tempo disponíveis para conviver com os amigos, como faziam seus pais. As mídias sociais possibilitam que eles tenham o tempo necessário para se conectarem. A diferença é que isso não pode acontecer de forma tão abrangente”, disse Gwenn. “Por exemplo, o resultado é melhor se os jovens podem adicionar seus pais à rede de relacionamentos virtuais. Se um jovem não quer adicionar seus pais à sua rede de relacionamentos, isso pode ser um sinal de que algo não vai bem”, ela adverte.

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“Exatamente como a maioria das pessoas não deixaria seus filhos cozinhar ou dirigir antes de ensiná-los, os jovens precisam saber como o Facebook funciona e qual a forma apropriada de fazer parte dele. Não presuma que seus filhos já sabem de tudo isso”, disse ela.

Crianças menores podem tentar mentir sobre a idade para terem acesso a estes sites – como é o caso do Facebook, com limites rigorosos de idade. Gwenn adverte que os pais não devem consentir este tipo de coisa. “O Facebook é voltado para um público adolescente ou mais velho. Os anúncios e conteúdo do site são para pessoas mais velhas. Geralmente, você não deixaria seu filho de 11 anos andar com garotos de 16. Além disso, ao consentir que crianças mais jovens acessem estes sites, você estará ensinando aos mesmos que é aceitável mentir”.

Segundo o relatório, as mídias sociais estimulam as crianças a se conectar entre si e a expressar a criatividade. Elas também oferecem a oportunidade de aprendizado, além de funcionarem como um canal de informações sobre saúde. Os jovens que sofrem de doenças crônicas podem conhecer outros na mesma condição, encontrando um apoio ao qual eles talvez não tivessem acesso por outros meios.

Riscos reais

Entretanto, o relatório informa que estes sites não estão livres de riscos. Os principais deles são o cyberbulling e o assédio online. “A tecnologia é uma extensão do que acontece no mundo real. Antes da internet o bullying já existia, mas a rede facilita sua prática”, explicou Brian Primack, professor de medicina e pediatria da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh.

De acordo com ele, as crianças estão conectadas para testar e ultrapassar limites. Pode ser que a tecnologia de hoje simplesmente facilite as coisas. Primack ressaltou que a prática do “sexting” é um bom exemplo disso. O relatório define o termo como o “envio, recebimento ou re-encaminhamento de mensagens ou imagens de conteúdo sexual explícito através de celular, computador ou outro dispositivo digital”.

“Os mais jovens sempre gostaram de olhar fotos de pessoas nuas. Hoje em dia, é possível tirar e enviar uma foto em questão de segundos”, disse Primack, advertindo que tais fotografias mais tarde poderiam se tornar um problema na vida de tais crianças.

“Precisamos de mais infraestrutura tecnológica. Além disso, os pediatras precisam estar prontos para intervir e ajudar a educar os jovens e seus pais sobre a melhor forma de utilizar as mídias sociais – por exemplo, avaliando os tipos de coisas às quais estão expostos”, disse Primack.

Outro risco em potencial das mídias sociais foi cunhado com o termo de “depressão do Facebook”. Segundo Gwenn, a autora do relatório, quando adolescentes e pré-adolescentes passam tempo demais nos sites de mídia social, eles podem começar a apresentar sinais comuns de depressão, como alterações no sono e nos hábitos alimentares, mudanças de humor ou isolamento social.

Segundo ela, apesar da importância de manter um diálogo aberto com os filhos sobre o uso das redes sociais, os pais não precisam ser excessivamente vigilantes quanto ao uso do computador. “Não podemos estar de olho em nossos filhos o tempo todo na vida real. Temos de manter certa flexibilidade e ter confiança de que eles farão escolhas sensatas”, disse ela.

Para pais não muito inteirados do uso das novas tecnologias, os dois especialistas sugerem o apoio do pediatra para resolver tais questões.

(Tradução: Claudia Batista Arantes)

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