Conectadas à internet, crianças preferem brincadeiras, jogos e música à interação pura e simples

Lucca Patrocínio tem perfil no Facebook para cuidar de sua
Guilherme Campos/Fotoarena
Lucca Patrocínio tem perfil no Facebook para cuidar de sua "fazenda virtual"
Os olhos não desgrudam da tela, os dedos curtos martelam rápido os atalhos do teclado e a música toca alta das caixinhas de som. Lucca Patrocínio faz muitas coisas ao mesmo tempo: muda de um clip para outro com apenas um clique no YouTube enquanto joga. De longe, poderia se tratar de um adolescente, mas as caretas que faz para a tela denunciam seus seis anos de idade.

Isabela Monteiro Brito também usa seu netbook como uma adulta. A menina de nove anos alterna entre o Orkut - para conversar com as amigas - e o BuddyPoke - um aplicativo da rede social que permite a criação de um boneco. Além disto, Isabela também gosta de postar fotos que ela mesma faz em seus álbuns no site.

A garota coloca na internet vídeos que faz com a câmera da família. “Ela joga as coisas no YouTube, eu não sei fazer isso”, espanta-se a mãe, a professora Ana Paula Brito. Entre televisão ou computador, Lucca não hesita: prefere o segundo. Sua avó, Sandra Patrocínio, diz que o neto pouco assiste a programas de televisão. Além desses sites,  Lucca e Isabela também gostam de jogos online, que solicitam a criação de um perfil e prevêem interação entre os jogadores. Por isso, também são considerados redes sociais.

De acordo com uma pesquisa feita com crianças entre quatro e nove anos pelo Núcleo de Informação e Coordenação (NIC.br), 27% das que usam a internet já tem um perfil em redes sociais . Juliano Coppi, coordenador técnico do estudo, explica que essas ferramentas têm aplicativos fáceis de assimilar, por isso são mais abertas para crianças.

E a segurança?

“Uma criança sozinha na internet é como se ela estivesse na cracolândia às onze da noite. Por isso é essencial que os pais e a escola tenham funções de educadores com relação aos perigos”, diz o outro coordenador da pesquisa do NIC.br, Alexandre Barbosa.

A coordenadora de programas da Childhood Brasil, Anna Flora Werneck, acredita que “via de regra, não há problema ter e interagir em redes sociais, mas é preciso fazê-lo com cuidados”, diz. Ela afirma que, para se prevenir de possíveis perigos, a principal dica é a preservação dos dados pessoais. “Também é importante não aceitar estranhos como amigos e lembrar que você não sabe quem de fato esta por trás dos perfis virtuais”, completa a coordenadora.

Werneck alerta para a importância dos pais falarem com os filhos sobre como deve ser uma navegação segura. É o que faz a mãe de Isabela, Ana Paula Brito, junto com o marido. “Nós sempre falamos para ela que na internet não se pode confiar em tudo que as pessoas falam ou perguntam”, afirma. Sandra Patrocínio, avó de Lucca, conta que os dois costumam entrar na internet juntos, e mostra que seus computadores estão um ao lado do outro.

Google e gratuidade

“Onde você procura as coisas?”, pergunta Sandra ao neto. “No Google”, responde Lucca rapidamente. Isabela também faz o uso do buscador, bem como da ferramenta de tradução contida no Google. “Ela traduz as músicas que gosta”, conta a mãe.

É no buscador que as crianças pesquisam qualquer coisa relacionada aos jogos que tanto gostam. Quando descobriu que os usuários do Clube Penguin tinham blogs, Isabela não tardou em procurar no Google tais informações, e acabou caindo nos sites que queria.

“A intensificação do uso de redes sociais tem um impacto no processo de aquisição de conhecimento. O conhecimento se torna uma construção coletiva”, explica Barbosa. No lugar do espaço solitário e silencioso da biblioteca, temos as maneiras multifacetadas e multiconectadas da internet para a pesquisa.

Além disso, Juliano Coppi aponta para outra característica que as crianças já vem aprendendo desde muito cedo, a gratuidade da internet. “As crianças que usam a internet nessa idade vão estar acostumadas com a comunicação gratuita, como o Skype e o MSN, quando adultas”, completa.

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