No peito ou na mamadeira, forma de alimentar o filho é chave da prevenção de problema gástrico

Quando nascem, as crianças choram por fome. Mas existe uma pequena parte dos recém-nascidos que abre o berreiro justamente após mamar, um choro intenso que denota dor. Caso seu filho esteja nesta estatística, converse com o pediatra. A explicação para as lágrimas mesmo após a barriga estar cheia pode ser o refluxo.

Para amenizar o refluxo, na amamentação, o bebê deve colocar a boca em quase toda a aréola do peito da mãe
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Para amenizar o refluxo, na amamentação, o bebê deve colocar a boca em quase toda a aréola do peito da mãe
Até os três meses de idade, a grande vilã do sono das mães e dos bebês é a cólica. Nem tão famoso quanto as dores abdominais é o refluxo, que provoca a sensação de queimação no peito e na garganta dos pequenos após a alimentação. Além do choro, um dos sintomas comuns é o vômito.

Segundo Rui Pupo do Amaral Filho, médico pediatra e autor do livro "Manual do Bebê" (Editora Campus Elsevier), um dos segredos para amenizar este problema nas crianças está na amamentação. “A criança deve ficar o maior tempo possível na posição ereta para diminuir o refluxo”, explica. Além disso, o ideal é que o bebê coloque dentro da boca toda a aréola do peito da mãe (a parte mais escura em torno do bico), evitando que entre muito ar.

Se o bebê já está se alimentando na mamadeira, também é preciso táticas especiais. A mamadeira deve ser dada quase em pé, de modo que o alimento preencha todo o bico. Isso ameniza a forma como o leite passa pela garganta sem que seja tão agressivo.

Além de regurgitar após mamar, outro sinal do refluxo em crianças são os engasgos frequentes e os soluços.

Maiores

Nem só os bebês sofrem de refluxo. A literatura médica diz, inclusive, que em geral os sintomas são mais comuns após os seis meses. Nestes casos, os sintomas principais são ganho de peso inadequado, vômitos frequentes pós-alimentares e dores abdominais.

Também para os maiores, a chave é a alimentação. A dica é apostar nas frutas, menos as cítricas como laranja, limão e mexerica, e diminuir as porções por refeição, fazendo pequenos lanches ao longo do dia.

Evitar refrigerantes, chocolates, salgadinhos e frituras também amenizam os efeitos do refluxo.

Além da alimentação, é importante ficar atento à forma como a criança dorme. Aos bebês, uma boa opção é o uso do bebê conforto pós mamada e inclinar um pouco o berço na hora de dormir. Para os meninos e meninas mais crescidos, a dica é colocar travesseiros para que o dorso fique inclinado. Esta posição evita a sensação de queimação do refluxo.

"Manter a criança em posição vertical após as mamadas por 30 minutos e determinar um espaço de tempo menor entre as refeições auxiliam no alívio das regurgitações”, recomenda a médica Maria Teresa Torgi, diretora clínica e chefe da Pediatria do Hospital Estadual do Mandaqui. De acordo com a especialista, a Doença do Refluxo Gástrico geralmente persiste até o segundo ano de idade, mas há casos que ela se mantém de forma crônica por toda a infância e adolescência.

Além da avaliação dos sinais e dos sintomas clínicos, o diagnóstico da doença pode ser realizado por meio de radiografia contrastada de esôfago, estômago e duodeno, de cintilografia gastroesofágica com ou sem pesquisa de aspiração pulmonar, de vídeo deglutograma ou de pH metria esofágica.

A origem

A causa do refluxo é uma malformação no esôfago. Segundo os gastroenterologistas, por vezes, a alimentação mais regrada é suficiente para evitar mais problemas. Em alguns casos é necessário tratamento medicamentoso, já que as crianças com refluxo têm mais crises de otites (inflamação no ouvido) e garganta. A cirurgia é uma opção para situações mais graves. “O tratamento pode ser medicamentoso, postural e em casos mais raros a cirurgia. O tempo também trabalha a favor, e a cura é obtida na grande maioria dos casos”, diz Pupo do Amaral Filho.

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