Grupo criado no Canadá em 1986 ensina ciência para as crianças de forma divertida. Leia entrevista

Kelly Cosmos, integrante do grupo: ciência aliada à diversão
Tricia Vieira / Fotoarena
Kelly Cosmos, integrante do grupo: ciência aliada à diversão
O grupo Mad Science surgiu em 1986, no Canadá, e leva experimentos científicos divertidos para as crianças. Presente em 29 países, o grupo dá cursos para escolas e apresenta shows em festas de aniversários e outros eventos. A trupe de São Paulo falou ao Delas sobre os pontos altos, as recompensas e as ideias envolvidas em seu divertido trabalho de cientista maluco.

iG: Como nasceu a Mad Science?
Dany Artel, da Mad Science: Dois irmãos canadenses de Montreal, Ariel e Ron Shlien, tinham um grande interesse na realização de experiências científicas para crianças. Eles acabaram desenvolvendo programas e oficinas na escola local e centros comunitários e, com o tempo, isso tornou-se uma franquia que hoje está presente em 29 países.

iG: Qual mensagem vocês querem passar para as crianças?
Dany: Acho que a maior mensagem é desenvolver o pensamento crítico. Em todas nossas apresentações, falamos sobre coisas simples que as crianças encontram no seu dia a dia, e usamos os princípios da metodologia científica, que consiste em observação, hipótese, experimentação e conclusão. Claro que isso é adaptado a cada faixa etária e se traduz em participação: muitas perguntas, mão na massa e novas descobertas. O importante é que cada criança faça a sua descoberta e leve para a sua realidade algumas respostas de como algumas coisas funcionam e fiquem muito mais curiosas para realizarem ainda mais perguntas. Claro, tudo isso envolto num clima descontraído e muito divertido.

iG: Quantas pessoas formam o grupo de cientistas malucos e qual a formação delas?
Dany: Os cientistas malucos da Mad Science São Paulo possuem formações diversas. Há atrizes e atores, economista, jornalista, administrador de empresas, publicitário e até cientista mesmo.

Jéssica Warzea Lima, a Jessi Júpiter do Mad Science: Sou formada em artes cênicas. Encontrei a Mad Science e já estou aqui há dois anos.

iG: O que um cientista maluco faz?
Jéssica Lima:
Eu apresento os shows. Mas todos nós somos um pouco ator, recreador... Seguimos um roteiro, fazemos experiências, brincamos e mantemos as crianças interagindo.

iG: No que vocês se baseiam para criar suas experiências?
Dany:
Vamos mudando os eventos conforme as reações das crianças. Buscamos um humor simples e que dá certo. Em tudo que fazemos procuramos trazer experiências positivas para as crianças. Criamos um ambiente de respeito mútuo e que dá segurança para elas se exporem e aproveitarem ao máximo esta experiência de vida.

Jessi Júpiter, uma das cientistas malucas do Mad Science
Tricia Vieira / Fotoarena
Jessi Júpiter, uma das cientistas malucas do Mad Science
iG: Vocês se lembram de algumas reações marcantes das crianças?
Kelly Guidotty, a Kelly Kosmos do Mad Science:
Uma menininha veio no final da festa e falou que aquele era o dia mais feliz da vida dela. Escutar isso de uma criança de seis anos foi gratificante.

Jéssica: Uma vez, depois de uma peça de teatro chamada “Uma viagem pela ciência”, todas as crianças saíram suadas, emanando uma energia muito boa. Outra vez, em uma festa de aniversário, o pequeno disse para mim: “Vou ser cientista quando crescer”. Algumas ligam aqui e pedem pra falar com o cientista que fez a festa, pedem experiências pra fazer em casa...

iG: Que tipo de experiências as mães podem pegar como exemplo para entreter a criançada?
Jéssica:
O vulcão de espuma é fácil e divertido. Basta misturar vinagre com bicarbonato para criar uma reação. Nós acrescentamos corante alimentício e detergente, para liberar uma espuma colorida. Os pequenos adoram, pedem para tocar a espuma.

Dany: Acho que simplicidade é a chave do sucesso. A experiência mais divertida é aquela em que pais e filhos passam o tempo juntos de verdade. Agora há centenas de experiências divertidas e seguras para fazer em casa. Uma coisa que nós aprendemos com o tempo é que, às vezes, elas parecem simples demais (como o próprio vulcão de espuma), mas só sentimos o verdadeiro impacto depois de realiza-lá junto com uma criança. Elas possuem uma admiração e entusiasmo por muitas coisas que infelizmente, nós adultos já perdemos.

iG: O que é mais legal em levar a "ciência maluca" para os pequenos?
Dany:
Recentemente realizamos um evento que durou o dia inteiro. As crianças passaram toda a manhã em oficinas científicas, realizando diversos experimentos. Na hora do almoço, quando os pais estavam junto, ouvi coisas do tipo: “mãe, vou colocar um pouco de ‘ácido acético na minha salada’ e “pai, quando chegar em casa, vou usar este vinagre pra te mostrar uma coisa muito legal”. Este tipo de retorno não tem preço.

iG: Vocês recrutam novos cientistas?
Dany:
Sempre. Estamos sempre à procura de novos cientistas. Temos até um e-mail eu@querosercientista.com.br para receber e analisar CV´s de candidatos.

iG: O que é necessário para ser um cientista maluco do Mad Science?
Dany:
Na verdade há duas condições fundamentais para ser um de nossos cientistas malucos: ter disposição para estudar e pesquisar muito e gostar de crianças. Depois de selecionados, os cientistas malucos passam por um processo de seleção e treinamento.

iG: Como essa brincadeira pode influenciar na personalidade da criança? Já apareceram crianças dizendo que queriam ser cientistas?
Dany:
Várias. Recebemos e-mails, desenhos e depoimentos de pais e mães falando que o filho agora quer ser cientista. Já teve até professor que falou que as crianças estavam mais interessadas nas aulas de ciências. Para nós, divertimento e aprendizado são palavras que caminham sempre juntas e incentivar as crianças a estudarem mais por meio de experiências divertidas é muito gratificante.

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