Mães contam como lidaram com os ciúmes, expectativas e birras dos filhos mais velhos durante a gestação do irmão caçula

Honestidade e atenção especial ajudam os mais velhos a receber melhor os irmãos caçulas
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Honestidade e atenção especial ajudam os mais velhos a receber melhor os irmãos caçulas
Se o nascimento do primeiro filho traz à tona um turbilhão de novidades, a chegada do segundo estimula expectativas e ansiedades bem diferentes. Os pais já se sentem bem mais seguros na execução dos cuidados diários – troca de fraldas, banhos, amamentação – e até mesmo a razão dos choramingos é mais facilmente identificada. O que há de novo mesmo neste cenário é o comportamento do primogênito.

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Crises de ciúmes, rivalidade, “retrocesso”, agressividade e birras são algumas manifestações pela “perda do trono”. Nessa hora, é muito comum as mães se sentirem divididas e ao mesmo tempo sobrecarregadas. Mas, como alerta a psicóloga Débora de Oliveira, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Infância e Família (NUDIF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, os pais devem ser tolerantes com a criança neste período de maior estresse para ela. “Estes comportamentos tendem a ser abandonados gradativamente, caso não haja uma supervalorização dessas atitudes por parte dos pais”, ressalta.

Dicas de especialistas na área infantil e de família devem ser consideradas, principalmente quando a insegurança fala mais alto que a própria intuição. Mas como, quando se trata de filhos, não existem fórmulas mágicas nem manuais, vale apostar na experiência espirituosa de mães que souberam preparar muito bem o terreno do primogênito para a chegada do caçula.

Karina Pires, mãe de Maria, 3, priorizou a sinceridade e a manutenção da rotina da mais velha quando Valentim, hoje com cerca de dois meses, nasceu. Ainda grávida, conversou muito com a filha. “Falei que o médico ia cortar minha barriga, o bebê ia sair e ela teria que ficar com o papai e a vovó. Mas fiz questão que ela continuasse indo para a escola. Pedi também que a professora trabalhasse a questão do irmão com ela. E foi ótimo, porque ela foi superelogiada por todos durante esse período”, conta orgulhosa.

Ajustando as expectativas

Para o primogênito, esperar nove meses para ter um irmãozinho parece uma eternidade. Amenizar as expectativas, aproveitando o tempo da gravidez para vivenciar momentos inesquecíveis com o primeiro filho, torna o momento especial para todos da família. Mãe de Helena, 6 e de Heitor, 3, Ana Carolina Hassenpflug encheu o tempo da segunda gestação com novidades para a primogênita. “Enquanto o bebê ia ganhando um quarto, o mesmo acontecia com ela. Transformamos tudo antes do Heitor chegar. Também a levamos ao Beto Carrero World, onde ela se divertiu muito. E ela teve sua primeira festa de aniversário num buffet infantil. Aconteceu tanta coisa bacana que ela não tinha nem como se sentir de lado”, disse a mãe.

Desenhar na barriga, tirar fotos com a mãe e ser o porta-voz da chegada do irmãozinho também são atitudes que ajudam o primeiro filho a se sentir tão importante e fundamental quanto o irmãozinho que está para chegar.

E se, apesar de todos os esforços, vier a pergunta: para quê outro filho? “Uma boa resposta é dizer que foi tão gostoso, tão bom ser mãe dele ou dela (do primeiro filho), que a mamãe quis ter outro. A chegada do segundo deve ser valorizada como uma experiência muito legal”, conclui Ana Cristina Marzolla, psicóloga e professora doutora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

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