Os exercícios de postura e respiração aprimoram a coordenação e acalmam crianças hiperativas, ajudando a controlar a ansiedade

Criança pratica ioga: programa deve ser adaptado à idade
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Criança pratica ioga: programa deve ser adaptado à idade
Se nos adultos os principais efeitos da prática da ioga estão ligado não só à parte física, como o condicionamento, mas também à interação entre corpo e mente, como o autoconhecimento e o relaxamento, nas crianças não poderia ser diferente. “A ioga desenvolve na criança a autoconfiança, favorecendo a tranquilidade física e mental. Isso se manifesta na concentração, por exemplo, aumentando o desempenho escolar. Em época de provas, algumas crianças usam as respirações ensinadas nas aulas de ioga para controlar o nervosismo”, conta a professora especializada em Ioga para crianças Danuza Simonetti, da escolha Shanti Shala, em São Paulo.

Ao lado da professora Thais Faleiros, Danuza tem desenvolvido projetos de ioga infantil para escolas. Um dos métodos utilizados pela dupla foi comprovado pela francesa Micheline Flak, presidente e fundadora do centro de estudos Research on Yoga in Education (RYE). “Micheline descobriu que exercícios de sequência respiratória e posturas reduzem o estresse na sala de aula e aumentam a concentração”, diz Thais. “Além disso, o método de Micheline utiliza técnicas de ioga para ensinar disciplinas como inglês, matemática e história, relaxando os alunos e contribuindo para organizar o processo de aprendizagem”, completa Danuza.

Na prática

Crianças a partir dos 4 anos já podem praticar Ioga. Segundo as especialistas, é preciso aplicar uma metodologia específica para cada idade, senão os exercícios se tornam apenas recreação. “Os menores não aguentam ficar muito tempo em uma única postura, por isso os instrutores devem incentivar, motivar e preparar uma aula dinâmica para que os benefícios sejam experimentados”, ilustra Thais. As aulas devem apostar no lado lúdico, misturando ao “inspira-expira-estica-volta” elementos como brincadeiras, músicas, atividades artísticas e contação de histórias.

“Os maiores, de 9 a 10 anos, adoram desafios. Então introduzimos jogos de grupos e posturas de equilíbrio mais desafiadoras”, fala Thais. A instrutora realizou no ano passado um projeto com uma turma de meninos de 5 anos. Com os bons resultados, algumas mães a chamaram para oferecer aulas como personal trainers. “A ioga infantil ajuda crianças hiperativas a desenvolverem controle e percepção de sua condição acelerada”, acrescenta Danuza.

Resultados

Além de todos os ganhos com concentração, a ioga também injeta saúde na vida dos pequenos e os apresenta a um estilo de vida saudável logo nos primeiros anos de vida. “A prática melhora a saúde de forma geral e estimula o funcionamento do sistema imunológico”, explica Danuza. Os movimentos e posturas milenares – que nasceram na Índia e são praticados na Europa desde o século passado, inclusive para os pequeninos – massageiam os órgãos internos e estimulando os processos digestivos, o que combate prisão de ventre, má digestão e normaliza a absorção dos nutrientes provenientes dos alimentos.

Até a visão pode ser melhorada com a prática da ioga. Os trátákas – exercícios de visão e foco – contribuem para a manutenção de uma visão saudável. A respiração nasal, correta e ritmada, cria reflexos nos centros neurológicos e no humor, o que induz também o pequeno praticante a cultivar uma autoimagem positiva e equilibrada.

No que se diz respeito ao corpo, a criação e melhora da postura correta ao sentar-se é um hábito que, se cultivado, levará as crianças a minimizarem futuros problemas de coluna e manterá o aparelho respiratório sempre livre e funcionando. “As crianças necessitam de uma melhor percepção corporal e, com a ioga, elas aprendem a lidar melhor com o próprio corpo, uma vez que são empurradas para atividades de distração como videogame e televisão. A ioga ensina os pequenos a lidarem com o próprio corpo, sem trazer impactos ou esforços excessivos, de maneira segura”, esclarece Fernando Dutra, treinador.

“Ao lado de todos estes aspectos positivos, na minha experiência percebi como as crianças levam o conhecimento para casa e se tornam ‘professores’ dos pais, o que leva a outra vertente dos benefícios: os que se encontram no âmbito familiar e social”, diz Danuza.

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