'Maybe later' é expressão mais usada por pais e mães britânicos que trabalham fora

Especialistas recomendam encontrar tempo na agenda para estar com seus filhos: convivência faz com que a criança se sinta importante
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Especialistas recomendam encontrar tempo na agenda para estar com seus filhos: convivência faz com que a criança se sinta importante
Uma pesquisa feita com 3 mil pais e mães que trabalham fora revelou que "maybe later" (em tradução literal, 'talvez mais tarde', algo como o 'vamos ver' usado por aqui) é a expressão mais usada por eles para responder aos apelos das crianças por mais atenção. Encomendada por uma empresa de seguros britânica, a pesquisa levantou outros dados interessantes: 70% dos pais e mães admitem que passam a maioria de seu tempo livre cozinhando e limpando, em vez de brincar com seus filhos; pelo menos 4 vezes por semana, pais se conectam para checar seus emails assim que chegam em casa e 50% dos pais perdem o jantar em família ao menos duas vezes por semana, porque estão trabalhando até mais tarde.

Mas o fato mais curioso apontado pela pesquisa é que 92% destes pais dizem considerar seus filhos a grande prioridade de suas vidas - mas, mesmo assim, 62% deles admitem usar a expressão "maybe later" com frequência. 6 a cada 10 crianças gostariam que seus pais trabalhassem menos, e 9 a cada 10 pais declaram trabalhar para dar a seus filhos uma vida confortável. Como equilibrar esta equação?

Se a prioridade é seu filho, preste atenção: será que seu discurso está alinhado com suas ações? "É preciso cavar tempo com a família", diz o consultor empresarial Stephen Kanitz, autor de "Família Acima de Tudo" (editora Thomas Nelson), que também tem versão em blog . O tempo já é naturalmente curto nas famílias modernas, então crie compromissos com seus filhos e os reserve na agenda como reservaria para uma reunião de trabalho.

Stephen recomenda também "transformar quantidade em qualidade". Como não dá para se dedicar sete dias por semana exclusivamente a seu filho, dedique-se o quanto puder - mas com presença e atenção verdadeiras. Saia com ele uma vez por semana, conte uma história nas noites em que chega mais cedo, leve-o ao supermercado aos sábados para fazer compras com você.

Problema generalizado

Cris Poli, educadora há mais de 40 anos, vê a crônica falta de atenção dos pais com suas crianças como um problema mundial. "As crianças se sentem deixadas de lado e consideradas pouco importantes. Usar expressões como 'quem sabe mais tarde' ou 'talvez depois' é o mesmo que dizer a ela 'não quero fazer isso, pois tenho coisas mais importantes para fazer do que brincar com você, ou ajudá-lo na lição de casa'", define.

Não que os pais não considerem seus filhos importantes, mas talvez eles estejam perdendo um ponto crucial: para a criança, sentir-se importante passa necessariamente pela presença do pai e da mãe. "Pela minha experiência, esse cenário é igualzinho aqui no Brasil. A grande carência das crianças é a da presença dos pais - não somente física, mas na forma de interação", diz ela.

Para Cris, os grandes problemas da educação dos filhos são a dificuldade dos pais em assumir sua autoridade, exercendo a função de educadores, e a hesitação em estabelecer limites para as crianças. Independentemente do tempo de presença reduzido, cabe ao pai e à mãe usar este tempo de forma proveitosa, conhecendo seu filho através da convivência e ensinando-o a conviver com outros, por meio do estabelecimento de regras e limites. "É preciso demonstrar com atitudes que você ama seu filho e se preocupa com ele", finaliza.

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