Coaching na gravidez surge para tranquilizar mães que não sabem como equilibrarão trabalho e filho ao mesmo tempo

Figura do coach surge para auxiliar futuras mamães a conciliar carreira e maternidade
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Figura do coach surge para auxiliar futuras mamães a conciliar carreira e maternidade
Há muito tempo se fala em coaching (treinamento, em inglês) no mundo organizacional , em que aquele que é treinado visa obter melhor desempenho em busca do sucesso profissional ou para perder aqueles quilinhos extras, por exemplo. Porém, de acordo com Villela da Matta, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching , o que ainda não se sabe é que a ferramenta pode ser utilizada em todas as áreas da vida e, dentro do mundo feminino, inclusive para superar as dificuldades que a gravidez usualmente abrange, até mesmo antes da decisão de ter um filho.

“Hoje em dia não é somente engravidar e ter um neném, ser mãe envolve muitas outras questões”, afirma Matta. Uma delas – e a que a maioria das mulheres que procuram pelo serviço quer resolver – envolve o lado profissional: “Muitas acabam acreditando – assim como também acreditam os homens – que é necessário focar somente no filho ou somente na carreira, mas não precisa ser assim”. Segundo ele, o objetivo do coaching neste momento, é modificar essa percepção e mostrar que é possível conciliar os dois. Mesmo que você já esteja desesperada em relação à licença-maternidade mesmo antes dos primeiros meses de gestação.

De acordo com o especialista, diante deste e de outros questionamentos, o processo de coaching serve para tornar a gravidez ainda mais prazerosa, impedindo que a mulher entre em estágio de ansiedade e nervosismo profundo – uma vez que o futuro que se aproxima se revela um pouco incerto. “A mulher hoje não tem um espelho, uma referência de sucesso, de uma mulher que teve filhos e ainda assim permaneceu profissionalmente bem e com um relacionamento amoroso extremamente satisfatório”, revela. O coaching, no entanto, chega para desenvolver estratégias para que tudo saia da melhor maneira.

Pontos de angústia

Para Ricardo Monezi, psicobiólogo e pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp, a decisão é uma das mais importantes da vida e nos dias atuais, realmente envolve uma série de angústias: “Cada vez mais as mulheres postergam a maternidade pela preocupação com a carreira, por exemplo, e isso também já se configura como um fator de estresse e ansiedade muito alto”. Em casos de empregos de alta demanda, o desenrolar da gravidez pode ser extremamente tenso, o que não faz bem para a mulher e tampouco para o bebê. Mas não acaba por aí.

“Além da questão da idade avançada, existem outros pontos de angústia gerados pela gravidez, como a insegurança por não saber se vai dar conta e a preocupação com o que os outros irão pensar dela como profissional e mãe, além do corpo em transformação e a pressão dos hormônios”, explica Monezi. O papel do coacher ou do profissional que esteja acompanhando a mulher neste momento, portanto, é amenizar todas essas situações e orientá-la a manter o equilíbrio, principalmente nesta fase de adaptação, em que as mulheres ainda estão abrindo espaço para adaptar a carreira com a maternidade.

Dois em um

Segundo a psicóloga especialista em terapia familiar e de casal, Marina Vasconcellos, existem ainda muitas mulheres que seguem frustradas na tentativa de combinar os dois papéis, de mãe e de profissional. “Elas estão se dando conta de que é difícil assumir a ambos, mas por exigirem muito de si mesmas, acabam se sentindo culpadas por não darem conta perfeitamente de tudo”, explica. Para a especialista, o caminho que deve ser seguido agora é o “afrouxe”, em que a mulher pode dar o melhor de si sem se desgastar e sem se cobrar em excesso.

Para a psicóloga Sabrina Patto, especialista em análise transacional, este conflito é realmente o que a maioria das mulheres vive. “A parte mais difícil é perder isso de tentar dar conta de tudo, de querer ser 100% profissional, 100% mãe, 100% esposa”, revela a especialista. Esta fantasia que se torna ansiedade – e que surge até mesmo antes da gravidez –, poderá ser vivida se a mulher não delegar corretamente o trabalho que terá com o filho. E contar com o marido nessas horas – ou alguma outra pessoa, como a mãe, a sogra ou até uma babá – é imprescindível.

Coacher e coachers familiares

Ainda de acordo com Monezi, é importante que a mulher saiba que, embora seja possível de manejar a carreira sozinha, a gravidez não é assim tão individual. Enquanto o papel do coacher existe como um suporte psicoterápico, é preciso que a mãe da vez conte também com os “coachers familiares”. “Aqueles que possuem formação pelo companheirismo, o marido, por exemplo, devem saber ouvir e dialogar com a mulher que estiver passando por este processo”, afirma. Na maternidade, a mulher passa por um processo em que toda sua biologia é transformada e, segundo Monezi, a psique acompanha estas transformações. “Formar um arcabouço social irá ajudá-la muito, seja com a família ou com amigos”, completa.

O Presidente da Associação de Coaching também ressalta que, no meio deste reposicionamento da vida – e superação daquilo que parecia impossível de ser resolvido – ser uma mãe que sobreponha as barreiras não é algo fácil, mas é possível. “O coaching, por exemplo, procura identificar o que o cliente deseja, quais são os pensamentos limitantes para podermos ampliá-los e encontrar alternativas para chegar à meta desejada”, explica Villela. Segundo ele, é possível desenvolver os recursos emocionais e, ao longo das várias etapas do coaching resolver as necessidades de cada mulher em busca do serviço.

O preço varia de R$250 à R$750 por sessão individual, que costuma durar uma hora e meia e ser feita uma vez por semana e pode ser feito durante todo o processo de gestação. E claro, não é direcionado apenas para mulheres que estão divididas entre carreira e gravidez: “As pessoas que nos procuram o fazem por diversas razões, desde as que estão planejando a gravidez até as que estão a três meses de dar à luz”. Segundo Villela, existem também as que decidem que só irão ter o papel de mãe como foco e deixarão o emprego pela maternidade. O importante, no entanto, é saber que independentemente da decisão, uma solução pode ser encontrada.

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