Quanto antes, melhor: danos à mordida, à fala e à dentição são menores quando a criança abandona a chupeta mais cedo

Quando a dentição se completa, a chupeta vira um problema que cresce exponencialmente
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Quando a dentição se completa, a chupeta vira um problema que cresce exponencialmente
A restrição da chupeta à hora de dormir e até o final do segundo ano de vida aumenta as chances de correção das possíveis sequelas sem o uso de aparelhos e sem movimentação dos dentes. Quem garante é a dentista Daniela Prócida Raggio, professora de odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP).

Aos dois anos de idade, quase todos os dentes de leite já estão na boca e, a partir daí, o estrago provocado pela chupeta é cada vez maior. “O problema vai aumentando exponencialmente”, ressalta a dentista.

O impacto da sucção depende da frequência, da intensidade, do tempo de uso ao longo da vida e da predisposição genética para o surgimento de problemas de oclusão (contato dos dentes dos dois maxilares). Na somatória desses fatores, quanto mais frequente, intenso e prolongado o uso, maior o estrago e mais difícil a recuperação.

As deformações como mordida aberta, mordida cruzada, projeção dos dentes para frente e musculatura flácida de lábios e língua podem desaparecer com o tempo, após fim do hábito. Mas casos mais graves exigem tratamento ortodôntico e fonoaudiológico para a correção e a eliminação das consequências.

A chupeta pode prejudicar a aquisição da fala ao provocar alterações na articulação dos sons. Segundo a fonoaudióloga Flávia Neiva, a criança que chupa muito a chupeta tem comprometimento da musculatura oral e da movimentação da língua, e pode apresentar dificuldade para a produção motora de sons como S, Z e X (ch), que saem distorcidos, entre outras inabilidades.

Com a chupeta o dia inteiro, a boca nunca está completamente fechada. O hábito de permanecer com o lábio aberto e a língua rebaixada altera a mastigação, a deglutição, o paladar e induz a troca da respiração nasal pela oral. “Na teoria pura, é melhor não usar chupeta, mas temos uma cultura onde a chupeta existe”, pondera a fonoaudióloga.

Na impossibilidade de abolir a chupeta, ela reforça a ideia de disciplina: “A criança que usa o dia inteiro terá uma situação muito pior do que a que usa apenas para dormir, que por sua vez terá mais dificuldade do que aquela que só usa para pegar no sono”, resume.

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